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Entrevista à Lista B, candidata ao Conselho da Faculdade

No passado dia 26 de março, a Coordenação de Entrevistas do Jur.nal reuniu-se com os representantes efetivos da Lista B, candidata ao Conselho da Faculdade, em busca de conhecer melhor o seu programa. O Jur.nal relembra que a eleição terá lugar dia 7 de abril.

Francisco de Jesus: Em nome da Lista B queremos agradecer esta iniciativa do Jur.nal. Bem sabemos que as eleições para o Conselho da Faculdade passam um bocadinho ao lado dos estudantes e é sempre proveitoso termos iniciativas que mostram, também, o que é este órgão, o que ele faz e a importância que tem na nossa comunidade académica; portanto obrigado pela vossa disponibilidade.

SN: De uma forma breve, descrevam qual é a função do Conselho da Faculdade e qual a importância de os alunos nele participarem.

Francisco de Jesus: O Conselho da Faculdade tem uma importância quase global e, basicamente, tudo o que é a nossa faculdade passa pelo Conselho da Faculdade de uma forma muito mais macro e depois é executada por outros órgãos da faculdade de uma forma muito mais micro. Por exemplo, se o Conselho da Faculdade entende que é uma prioridade da faculdade o anonimato nos exames, então delibera nesse sentido e emite uma orientação de que os exames têm que ser anónimos. Depois, a partir daí, o órgão competente para fazer medidas pedagógicas que é, neste caso, o Conselho Pedagógico, faz a execução deste tipo de medidas, ou seja, como é que vamos garantir o anonimato dos exames. Portanto, tudo o que é a faculdade e tudo o que são bandeiras e estratégias da faculdade é feito pelo Conselho da Faculdade. Não obstante, esta função quase geral depois tem competências específicas, nomeadamente aprovar o orçamento da faculdade, aprovar o relatório de gestão da faculdade, aprovar o relatório de atividades da faculdade, eleger e destituir o diretor (portanto tem esta função de supervisão e controlo político do que é a organização e a gestão da faculdade e da direção em si) e depois aprova e altera os estatutos da faculdade. Portanto tem esta competência quase legislativa-constitucional se quisermos numa analogia. São estas as competências que tem. 

TS: E que benefício substancial é que tem esta participação?

Mariana Resende: Como o Francisco já explicou, de facto o Conselho da Faculdade tem este papel muito essencial em toda a definição das estratégias que vão ser postas em prática na nossa faculdade. E, portanto, nós enquanto estudantes somos os principais afetados por estas estratégias. Por isso, nós garantirmos que existe representação estudantil no Conselho da Faculdade, é garantir que as pessoas que são, efetivamente, impactadas pelas medidas estratégicas possam ter um ponto a dizer, possam ter uma contribuição e uma voz naquilo que os vai afetar diretamente. 

Portanto, é no fundo garantir que as inquietações, a voz dos estudantes, é ouvida naquele que é o maior órgão de gestão estratégica que nós temos na faculdade.

SN: Que problemas identificam no funcionamento deste órgão e como é que a resolução dos mesmos pode beneficiar da vossa participação?

Francisco de Jesus: É uma pergunta bastante complexa porque desde logo nós não temos informação desde 2024 sobre propriamente o que é que o órgão tem deliberado. Não sabemos sequer se tem deliberado porque, e também é interessante mencionar isto também para a comunidade académica, porque  algures em 2025, se não estou em erro, a ex-presidente do Conselho da Faculdade, doutora Catarina Albuquerque, faleceu e, portanto, eu presumo que isso tenha suspendido as deliberações do Conselho da Faculdade. Mas, não obstante, sei que existem atas que ainda não saíram, portanto, nós só temos perceção do que é que o Conselho da Faculdade tem feito desde 2024, que é quando as sínteses de atas estão disponibilizadas.

Um problema que os nossos últimos representantes dos estudantes identificaram foi efetivamente a pouca representação estudantil, e também numa lógica informativa, estas são as primeiras eleições do Conselho da Faculdade que têm quatro pessoas (dois efetivos e dois suplentes em cada lista) porque era só um representante do estudante, portanto um efetivo e um suplente. Portanto é uma pergunta muito difícil de responder com as informações que temos. Não vos conseguindo responder sobre os problemas que nós conseguimos identificar no Conselho da Faculdade em si, obviamente que há problemas na faculdade que conseguimos identificar e acho que também fomos capazes de traduzir isso nas nossas propostas. Acho que os representantes dos estudantes no Conselho da Faculdade não podem estar separados ou não podem estar quase que isentos de responsabilidade perante a comunidade académica, portanto temos de aproximar os representantes da comunidade académica e efetivamente fazer com que este cargo de representante dos estudantes no Conselho da Faculdade exija auscultação, exija conversa com os estudantes Portanto, acho que possa ter sido um problema e que deva ser melhorado.

Nesse sentido também nos fez sentido, ao construir o plano eleitoral, propor as reuniões trimestrais alargadas, no sentido em que de três em três meses, no mínimo, temos conversas com toda a gente, quase numa lógica de senado, de representantes da associação de estudantes, representantes dos estudantes no conselho pedagógico, os representantes de turma, os representantes dos mestrados… portanto num sentido de garantir que as suas preocupações chegam até nós, porque só chegando até nós é que nós podemos efetivamente dar voz às preocupações dos estudantes e não só às nossas preocupações enquanto indivíduos.

Depois, lá está, acho que há uma pouca visibilidade do que são estes documentos que eu estava a falar que eram relevantes do Conselho da Faculdade. Há pouca importância e há pouca visibilidade nestes documentos, portanto trazê-los à Assembleia Geral acho que é algo fundamental. Obviamente que a Assembleia Geral da Nova Law SU não vai deliberar sobre o orçamento da Faculdade, não tem essa competência, mas quem vai às assembleias gerais deve poder estar informado: “Senhores, este foi o orçamento, estes foram os problemas que nós identificámos, este foi o nosso sentido de voto.” Isso, obviamente, quando o dever de sigilo nos permitir divulgar estes documentos.

Depois, com a faculdade identificamos problemas, claramente, que depois vão para o âmbito pedagógico. Por exemplo, a questão da revisão de prova, que é um problema que as listas à Associação de Estudantes têm vindo a discutir, e que os próprios estudantes discutem entre si, portanto, reconhecem como um problema, e nós estamos a tentar puxar para o Conselho da Faculdade esta discussão, tendo em conta a questão do anonimato. Ou, por exemplo, a questão dos examinadores, que foi algo que foi largamente discutido na última época de exames, e que nós vemos como um problema de estratégia, portanto um problema estrutural, e que deve ser discutido no Conselho da Faculdade, para depois os órgãos competentes executarem estas diretrizes claras. 

TS: Dando continuidade a esta pergunta, que aspetos positivos é que destacam e que gostariam de dar continuidade ou fomentar e de que maneira é que os planeariam fazer.

Mariana Resende: Em primeiro lugar, uma coisa que achamos que faz sentido ser mantida e continuar é o e-mail dos representantes dos estudantes. É importante que haja um canal direto de comunicação e de diálogo entre os representantes dos estudantes no Conselho da Faculdade e a nossa comunidade estudantil. É importante que os estudantes se sintam ouvidos e sintam que têm um espaço aberto e seguro para demonstrar as suas preocupações de forma direta àqueles que os representam.

Um outro aspeto que achamos que faz sentido manter, considerando algumas alterações é relativamente aos relatórios que são divulgados, porque nós temos uma transparência a nível orçamental e sabemos que as coisas nos relatórios estão bem discriminadas e não há propriamente dúvidas no sentido de onde é que vêm as receitas ou de onde é que estão a sair as despesas. No entanto, sabemos que à data da elaboração das propostas, neste mês de março, o relatório de gestão de 2025 ainda não foi publicado e, por norma, é publicado em fevereiro. Portanto sentimos que estes relatórios devem, efetivamente, continuar, mas é importante que a sua divulgação se mantenha recorrente. Estamos já no final de março a passar para abril e ainda não temos este relatório de gestão, e teria sido algo importante para nós podermos estar ainda mais a par daquilo que se passa no Conselho. 

Depois, relativamente aos relatórios de gestão, em 2023 este relatório estava condensado com o relatório de atividades, portanto tínhamos 188 páginas de relatório e em 2024 passamos a ter apenas 25 páginas, porque em 2024 houve apenas a publicação do relatório de gestão e não houve a publicação do relatório de atividades. Portanto, achamos que esta publicação deve ser mantida e, também, perceber o porquê de não termos tido um relatório de atividades a ser publicado, porque é importante que os estudantes e toda a comunidade estejam a par das atividades que foram efetivamente desenvolvidas. 

SN: De que forma pretendem promover a relação entre a comunidade estudantil e o Conselho?

Francisco de Jesus: Ora, pretendemos aproximar o cargo do representante dos estudantes no Conselho da Faculdade à própria comunidade estudantil. As ideias que surgiram nas nossas propostas, por exemplo, foi esta questão das reuniões tripartidas. Obviamente que estamos para descobrir e, se formos eleitos, temos todo o gosto em fazê-las e descobrir, se isto efetivamente é representação suficiente. Se não for, nós somos indivíduos e vamos comunicando com os estudantes no nosso dia a dia, e recebemos as suas preocupações. Mas não nos opomos, por exemplo, a reuniões quase como uma reunião aberta, em que toda a gente que quiser pode ir lá expressar as suas preocupações, discutir coisas da competência do Conselho da Faculdade e nós queremos ouvir as vossas reclamações. Em 4 anos que eu vivi nesta faculdade, sei que toda a gente tem reclamações e ainda bem que as têm porque significa que querem uma faculdade melhor e querem melhorar o ambiente onde vivem todos os dias e, portanto, passa por aproximarmo-nos dos estudantes e ouvirmos as suas preocupações, e depois ponderarmos como é que as vamos apresentar ao Conselho da Faculdade e como é que as vamos resolver. 

Também há a questão que a Mariana mencionou há pouca da manutenção do email, que foi criado no mandato passado e que sempre esteve disponível aos estudantes, portanto o nosso objetivo é mantê-lo e fomentar a participação e interesse dos estudantes na visão estratégica da faculdade. Acho que não há melhor forma de fomentar a relação com a comunidade académica.

TS: Que propostas apresentam que vos singularizam? Por que sentem que a Lista que apresentam é a mais acertada para representar os estudantes?

Mariana Resende: Esta pergunta dá para desenvolver bastante. Em primeiro lugar, a gestão de recursos financeiros da nossa faculdade, nomeadamente a nível de receitas. Se formos ver o plano de atividades e orçamento de 2025/2026 percebemos que houve uma estagnação daquilo que é o orçamento atribuído à nossa faculdade, e isto já tinha sido uma preocupação mostrada pela faculdade no seio da Universidade Nova relativamente a estas contribuições financeiras que estagnaram. Nós achamos que a forma de contrariar esta estagnação não pode ser nunca através dos estudantes. Não pode ser através das propinas que nós damos a volta a nível de estagnação daquilo que é o orçamento da faculdade.  Deve ser, de facto, feita pressão a nível da Universidade Nova, no sentido em que precisamos de mais orçamento do que aquilo que nos está a ser dado, e não podemos sobrecarregar os nossos estudantes, precisamos que seja feito um orçamento melhor a nível da Universidade. 

Francisco de Jesus: Gostava de acrescentar: concordo plenamente que a nossa candidatura se destaca por termos tido este cuidado extra de analisar documentos. orçamentos e posições orçamentais; e estas medidas que nós temos a nível orçamental não são medidas dos estudantes. Portanto, se nós analisarmos o relatório de contas de 2026 da faculdade podemos ler expressões como “subfinanciamento”, “a faculdade teve de adotar uma política de autogestão porque não pode confiar no financiamento que lhe dá”, “está subfinanciada”, e a própria faculdade no seu orçamento refere que precisa de reivindicar no seio da Universidade Nova de Lisboa uma maior dotação orçamental porque já não é compatível com a realidade da nossa faculdade. Se nós formos ver, temos cerca de 2,1 milhões de euros de dotação orçamental do Estado, ou seja, receita direta do Estado, e temos cerca de 2,9 milhões de propinas. Mas mesmo que não falemos de propina, temos apenas cerca de 2,1 milhões de 6,2 milhões (aproximadamente) de orçamento do Estado, portanto estamos a falar de mais ou menos 33% do orçamento da faculdade é atribuído pela Universidade Nova de Lisboa, e isto é claramente insuficiente e a própria faculdade sabe e reconhece isto. Só para deixar mesmo claro este ponto, isto não é uma reivindicação apenas dos estudantes, é uma reivindicação da faculdade e da comunidade académica como um coletivo (faculdade, docentes, não docentes). A verdade é que este problema do orçamento afeta-nos a nós, obviamente, com o pagamento das propinas, mas também afeta os docentes que estão sobrecarregados e precisavam de contratar mais colegas e não podem; afeta a faculdade que se calhar gostava de investir em infraestrutura e não pode; afeta tudo o que é gastos, e a própria faculdade no seu orçamento diz que teve de fazer uma contenção no que foi despesas de pessoal, se não estou em erro, porque pura e simplesmente não temos orçamento para isso. Quero deixar claro que é uma reivindicação da Lista, mas não é uma reivindicação completamente inovadora, é uma reivindicação da própria faculdade.

Na nossa opinião é um ponto que joga a nosso favor e nos singulariza, que é que nós queremos também fazer passar à faculdade que os estudantes estão com ela no que toca a esta reivindicação do orçamento.

Mariana Resende: Outro aspeto que sinto que também nos singulariza é a nossa vontade de ligar os estudantes à prática, numa perspetiva de juristas do futuro.  Nós queremos que os estudantes sintam que na faculdade têm uma oportunidade de enriquecer ainda mais o seu percurso académico. 

Portanto, para aproximar de facto os estudantes de uma prática jurídica de excelência temos alguns exemplos, nomeadamente a elaboração de protocolos para o estabelecimento de clínicas legais. Para quem possa não saber, as clínicas legais são programas académicos que permitem aos alunos realizar trabalho jurídico real sob supervisão docente, e isto promove claramente uma aprendizagem prática dos estudantes e seria muito benéfico. 

Outro exemplo é a maior colaboração com sociedades parceiras, por exemplo com a possibilidade de fazer estágios curriculares nestas entidades. Isto permite uma valorização curricular e profissional dos alunos que seria extremamente benéfica. Também mesmo a criação de programas de valorização do estudante e complementares ao plano curricular.  Isto seria através de, nomeadamente, desenvolvimento de competências transversais e extracurriculares, as chamadas “soft skills”.

SN: Quais são as vossas prioridades mais imediatas após a eleição?

Francisco de Jesus: A prioridade clara e imediata é termos a primeira das nossas reuniões alargadas, também para nos porém a par do que está a acontecer nos seus órgãos, isto obviamente dentro dos limites que o dever de sigilo os permite. 

Depois, será nitidamente auscultar a comunidade académica. Portanto tudo o que são propostas que nós temos que tenham a ver com comunicação com os estudantes, vão ser colocadas em posto se formos eleitos a partir do dia um.

Depois, tal como respondi na primeira pergunta, as nossas prioridades vão depender de quem encontrarmos, porque a informação é limitada e sabemos disso. Mas lá está, as nossas prioridades vão ser as reivindicações que existem desde que eu sou caloiro ou desde que a Mariana é caloira, desde sempre. Por exemplo, a questão da revisão de prova, toda a gente fala disto desde que eu cheguei à faculdade e que pede para que isto seja possível, isso tem de ser uma prioridade. Na questão dos pedidos de prova e do seu pagamento tem de ser prioridade procurarmos formas para que os estudantes consigam ver os seus exames. Lá está, isto vai depender do Conselho da Faculdade que encontrarmos. Também, e sendo honesto, não vai ser possível na primeira reunião do Conselho da Faculdade chegarmos e pedirmos para discutir isto tudo, quase de certeza. Até porque, e dando um contexto informativo, na primeira reunião do Conselho da Faculdade são eleitos o Presidente, Vice-Presidente e o Secretário do Conselho da Faculdade dentro dos eleitos, e são nomeadas as três pessoas que são chamadas nos estatutos e no regimento como as Individualidades de Reconhecido Mérito, portanto são nomeadas pelo Conselho da Faculdade.

Obviamente que vamos ter cuidado e o nosso objetivo vai ser tentar discutir logo na primeira reunião este tipo de coisas. Estamos sujeitos, obviamente, às imposições estatutárias que têm de acontecer na primeira reunião. Portanto não conseguimos garantir com certezas de que medidas e que tópicos é que podemos falar numa primeira reunião. Agora, prioridade imediata é, sem dúvida, auscultar a comunidade académica. 

TS: Em que consistiria mais concretamente o que vocês falam de “Programas de valorização do estudante”? 

Francisco de Jesus: Esta pergunta relaciona-se com algo que a Mariana já densificou um bocadinho, mas para deixar claro: o Conselho da Faculdade não vai instituir, e não é isso que nós propomos, clínicas legais numa reunião do Conselho da Faculdade. Isto porque o Conselho da Faculdade analisa a visão estratégica da faculdade e as questões de maneira muito macro. Esta medida, e isso que é preciso perceber, traduz-se em a faculdade ter de ter a prioridade de aproximar o jurista ao futuro profissional e de preparar os futuros licenciados para os desafios que vão receber no futuro. Esta é uma possível deliberação do Conselho da Faculdade, com esta densificação. Depois, cabe não ao Conselho da Faculdade, mas no caso da instituição de parcerias cabe à Direção; no caso de instituição de clínicas legais dentro da faculdade e dentro do que é a pedagogia cabe, por exemplo, ao Conselho Científico, que aprova unidades curriculares, cabe ao Conselho Pedagógico, que aprova tudo o que é pedagogia. Portanto, nós temos de ter a humildade, ao fazer esta candidatura, de saber que nós não podemos propor nem decidir tudo. As nossas propostas estão densificadas para mostrar, também, não só à faculdade mas como aos próprios estudantes que foram pensadas com cuidado, ou seja, não podemos simplesmente propor valorizar o estudante e depois não dizermos porquê, mas também é importante esclarecer que não é competência do Conselho da Faculdade decidir porquê, a competência é emanar esta orientação; e por outro lado, mostrar à faculdade, e esta é que é parte relevante, que é possível. Vou dar outro exemplo que se relaciona com isto: a questão da revisão de prova. Não é o Conselho da Faculdade que vai dizer, por exemplo, como nós propomos, que o estudante vai falar diretamente com os serviços académicos, e como não passa pelo docente garantimos o anonimato. Não é essa a competência do Conselho da Faculdade. A competência do Conselho da Faculdade é dizer que o anonimato, que foi uma vitória excelente da nossa faculdade, tem que ser compatível com o direito de ter uma avaliação justa e clara. Esta é a orientação. A partir daí, por exemplo, o Conselho Pedagógico decide e toma decisões neste sentido. 

Tendo em conta que o grande argumento sempre foi não ser possível por causa do anonimato, o que nós queremos mostrar desde já é que podemos emanar esta primeira orientação de que tem de ser compatível, porque temos uma sugestão de como é que isto é possível. Se não for como nós sugerimos e for de outra forma, tudo bem, o nosso foco é que seja possível fazer-se, e que deva fazer-se. Isto é tal como a valorização dos estudantes e a medida dos juristas do futuro, que é termos de aproximar o estudante da sociedade civil das sociedades profissionais no que toca à advocacia, magistratura; temos que aproximar o estudante das profissões com que ele se vai encontrar na vida profissional porque a própria conceção do mercado de trabalho atual o exige e é necessário que assim aconteça. 

Não podemos apresentar isto sem dizer que concretamente como é possível fazer as clínicas legais, a possibilidade de fazer estágios curriculares nas sociedades de advogados para a disciplina de Trabalho e Estudo Curricular, por exemplo. Mas isto são exemplos que não podem ser vinculativos do Conselho da Faculdade, porque isso tira a autonomia do órgão próprio para isso. É neste sentido e queria deixar isto claro, é através disto que nós propomos esta medida dos juristas do futuro.

SN: Na secção de “Gestão de Recursos – Receitas”, sugerem como possível solução para maior investimento na faculdade, para que esta não fique dependente dos próprios Estudantes, que se façam parcerias com outras entidades. Não vos preocupa que isso possa, de algum modo, condicionar a experiência dos Estudantes e sujeitá-los a um ambiente académico comercializado? De que forma julgam ser possível manter a integridade da faculdade através dessas parcerias?

Francisco de Jesus: Nitidamente isso é uma preocupação. Aliás, o meu percurso nesta faculdade foi em larga escala marcado com essa preocupação, marcado com críticas à forma como se faz essa comercialização, que eu acho que é absolutamente revelante. Não obstante, há duas coisas que têm de ser tidas me conta aqui, que são: nitidamente, temos um problema, que é falta de dotação orçamental. Pura e simplesmente, não há dinheiro. É insuficiente para a faculdade o orçamento com que se gere. Depois temos de ter uma solução. A solução que todos os estudantes adoravam ter e devem reivindicar é maior dotação estatal para as universidades públicas.

Mas a curto prazo, e nas nossas competências do Conselho da Faculdade, o que é que nós podemos fazer? Nesse sentido, podemos efetivamente estabelecer estas parcerias. Obviamente que estas parcerias têm de ter o cuidado de serem feitas de forma isenta ou imparcial, e têm de ter o cuidado de impedir esta comercialização e a “venda” do estudante às entidades que estão a financiá-la. 

O estabelecimento destas parcerias não é só benéfico para o estudante e para a faculdade a nível orçamental. É benéfico porque lá está, estas parcerias implicariam que estas entidades investissem na faculdade, e nós precisamos desse investimento, querendo ou não; mas é benéfico também para o estudante que se aproxima destas entidades. Esta medida está muito ligada com a medida dos juristas do futuro na medida em que aproximar as entidades da faculdade também é aproximar a faculdade e os estudantes destas entidades. Portanto, há aqui uma relação bilateral. Obviamente que não pode ser imposto ao estudante ser obrigado a ir para a sociedade X porque a sociedade X financiou a faculdade. Mas isso não acontece, e a faculdade já estabelece estas parcerias, e eu acho que isso também é relevante ser dito porque, por exemplo, temos dois centros de investigação na faculdade que são orçamentalmente e a nível de iniciativas e parcerias apoiados por entidades parceiras. Por exemplo, o Nova Business Human Rights and the Environment é apoiado pela PLMJ, isto está em orçamento, e o Nova Green Lab que é apoiado pela Abreu Advogados, portanto isto existe. Por outro lado, no âmbito curricular, na disciplina de Prática Jurídica Individual são os estudantes de último ano da Licenciatura que são separados em quatro turmas e cada uma é entregue a uma sociedade de advogados, portanto isto existe. Estamos a propor que isto se expanda porque funciona, e não criou até agora problemas de imparcialidade e de comercialização do estudante. 

Nitidamente que isto é uma solução de último recurso, quase um “Hail Mary”, pela falta de orçamento que se tem, e é uma solução que eu gostava de dizer que é de curto prazo. Mas nós temos de ter a humildade de saber que há coisas que nós não controlamos, e que enquanto estudantes podemos ter opinião sobre isto, enquanto candidatos a representantes dos estudantes no Conselho da Faculdade temos de nos cingir ao que nós podemos mudar e ao que podemos fazer. Obviamente que isto é uma preocupação, obviamente que têm o nosso compromisso enquanto Lista de que há linhas vermelhas que não se podem passar. Mas, aliás, acredito que a faculdade sabe que linhas vermelhas não passar. 

Obviamente que tenho de ter uma perspetiva otimista e tenho de acreditar nos colegas, docentes, colegas estudantes, colegas externos, se nós formos eleitos serão meus colegas no Conselho da Faculdade, confiando que eles vão ter essa preocupação. Se não, obviamente que se não interessa ao estudante, não nos interessará a nós, com certeza, como representantes dos estudantes no Conselho da Faculdade.

TS: Gostaria de terminar a entrevista a agradecer em nome do Jur.nal, desejamos um belíssimo período eleitoral.

Mariana Resende: Obrigada mais uma vez ao Jur.nal pela iniciativa. Reforçar que as eleições serão no dia 7 de abril, portanto mobilizem-se, façam-se ouvir, venham votar, vejam as propostas, tomem uma decisão ponderada. Qualquer dúvida podem sempre falar connosco. De facto nós queremos que a voz dos estudantes seja efetivamente ouvida, nós trabalhamos para isso, nós investigamos e sabemos aquilo que estamos a defender e a propor. Investigamos os números, quisemos ter mais mas houve coisas que ainda não foram publicas e, portanto, fizemos aquilo que estava ao nosso alcance com base nas informações que foram divulgadas. Fizemo-lo a pensar em vocês, fazemo-lo a pensar em vocês, e espero que possam confiar em nós e que no dia 7 escolham.

Francisco de Jesus: Acrescentando ao comentário sobre a eleição, não fazemos um apelo ao voto em nós, fazemos um apelo ao voto geral, e eu comecei por dizer isto e por isso acabo por dizer isto: esta eleição às vezes é um bocado invisível no contexto da comunidade académica. Portanto é mesmo importante que haja participação nestas eleições,

Se quiserem até dia 29 de março podem requerer o voto em mobilidade. Isto está disponível no site da própria faculdade, nos slides das fotos, uma delas diz “Representantes dos Estudantes no Conselho da Faculdade”, portanto isso está disponível. 

Dar uma última nota de agradecimento, não só ao Jur.nal, mas à Comissão Eleitoral, que tem sido excelente, e também à Lista A, seria muito injusto se não fizéssemos este agradecimento, a cooperação entre as duas Listas está a ser excelente e está a correr mesmo muito bem. Portanto fazer também este agradecimento, acho que é sempre muito mais proveitoso para toda a comunidade académica ter eleições colaborativas.

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