
A Direção
Talvez tenha sido a partir de uma fusão entre o absurdo e a profecia jurnalesca que a nova direção surgiu. Por um encontro improvável de edições físicas antigas, estas que são nada mais nada menos que guardiãs de vozes, lutas e ecos; estas que são os pilares vivos da história deste núcleo.
Era, de facto, uma mera questão de tempo até que nós, como Direção 2025/2026, as erguêssemos como relíquias indissolúveis, reafirmando o compromisso coletivo de carregá-las e ao seu legado para sempre, como sempre.
.png)
.png)
.png)
.png)
Diretora
Lara Cândido
É hora.
Num encruzilhar de tempos inexorável, onde os segundos se dilatam como galáxias e os instantes colapsam em singularidades, habito este agora suspenso. Entre buracos de minhoca que costuram o que foi ao que ainda será, entre eclipses de sentido e explosões semânticas e entre condensações de linguagens, metáforas, estilos e intenções. E é neste cosmos que me situo - agora enquanto diretora.
Avanço pela relatividade do tempo redacional, onde o que já foi continua a acontecer - a acontecer em acontecimentos que não cessam de acontecer, e nunca deixam de o ser (complexos) - em ecos gravitacionais - e que ecos tão bonitos, que inspiraram tantas pessoas, como a mim - e o que virá começa a insinuar-se no presente como poeira estelar que ainda arde.
Nesta travessia, orientamo-nos por mapas instáveis, guiadas por constelações de sentido no lugar de coordenadas fixas. Porque o Jur.nal move-se como um corpo celeste vivo: expande-se, contrai-se, sem nunca perder o seu eixo - dar voz à comunidade académica. E é em torno dessa voz que eu e as minhas colegas seguimos em órbita.
Assim, neste agora que não é início nem fim nem fim nem início nem meio sem freio - e onde a linguagem tropeça porque também tem a sua compressão imensamente hermética e dispersa - permaneço consciente de que este núcleo não existe para arquivar o tempo, mas para o habitar e transformar.
E enquanto houver palavra, haverá movimento; enquanto houver voz, haverá universo.
.png)
Diretora-Adjunta
Maria Leonor Lopes
A nostalgia é intrínseca ao ser humano.
Faz parte da nossa essência recordar e reviver o passado. Há quem diga que se romantiza demasiado aquilo que já foi, mas o que seria da vida se não o fizéssemos?
Escrever é não só um refúgio, mas também uma forma de eternizar palavras. Recordemos, então, entre linhas, o bom e o mau, o feio e o bonito, e tudo aquilo que a inexorável passagem do tempo nos deu. Que este ano e este mandato vos marquem tanto como o Jur.nal me marcou a mim, e que se lembrem das palavras dos nossos redatores da mesma forma que nós nos lembramos daqueles que aqui estiveram antes de nós.
Quase como o arquivo vivo desta faculdade, este núcleo surge e ressurge para ouvir os estudantes, desde os seus pensamentos mais íntimos às suas opiniões mais controversas.
Escrevam connosco mais um bonito capítulo desta história. Um capítulo feito de vozes diferentes, de perspetivas que se cruzam e de palavras que, mesmo quando efémeras, deixam marca. Entre prazos apertados e ideias que surgem às três da manhã, é neste caos criativo que o Jur.nal encontra a sua identidade.
O tempo passará, como sempre passa.
Novos rostos ocuparão estas páginas, outras mãos escreverão estas linhas. Mas permanecerá aquilo que verdadeiramente importa: a memória coletiva.
E, um dia, também nós seremos nostalgia nas palavras de alguém.
Diretora- Adjunta
Matilde Almeida
Palavras não são fáceis de entender. A sua coreografia de letras e sons dança, por vezes descoordenamente, ao acelerado ritmo do sentimento. Tal como nós, as palavras nascem, crescem e eventualmente morrem. A sua vivência depende do cuidado com que as tratamos, do carinho que lhes damos e o amor com que as empregamos: pequenos instrumentos da alma, as palavras esvoaçam pela nossa vida como apressadas andorinhas que anseiam o calor do sul.
Palavras que tomamos como certas. Palavras que queríamos ouvir. Palavras que não tivemos coragem de usar. Palavras são feitas para serem partilhadas e viverem – soltas e livres – entre nós, como entidades que preenchem o vazio e sombrio desta vida terrena…pequenos sussurros divinos. Vítimas de egoísta esquecimento, passamos mais tempo a tentar encontrar-nos nas palavras dos outros, do que a abraçar o aconchegante refúgio que está nas nossas próprias.
Palavras são gritos da alma, prontos a romper a monotonia do tempo e a combater a inércia humana. Agarra nas tuas palavras, vai à luta com elas, usa-as como arma e como escudo…liberta-as da mente que as aprisiona e deixa que o seu voo te liberte a ti também.
.png)
Diretora-Adjunta
Matilde Aranha
Uma pessoa ao telefone em estrangeiro, num estrangeiro às vezes conhecido, num quase crioulo que se faz compreensão e fluência desprevenida, pela curiosidade da beleza do próximo.
Assim fiquei a falar a mesma língua que o Jur.nal. Com trocas de banco no transporte envisionando o aproximar para perceber, e desvios dos cabelos do tímpano mais habilidoso. Num entrosamento vagaroso e tímido, aprendi-me a sentar ao lado da voz que queria que me fosse interlocutora. Falo para dentro e pelos cotovelos, ouço as conversas dos outros e muitas vezes converso-as de mim para mim. Não costumo jantar à mesa ou acompanhada e por isso não me via regrada, penteada, a segurar bem nos garfos em ensemble que fosse. O medo do atrofiar da identidade atordoa mais do que salva as baratas vertiginosas que somos nós, quem como eu é, bicho assustado do buraco. Encostado o ouvido à chamada que me parecia tão jamais para mim ou passível de passar por mim com orelhas de entendedor, percebi que o jur.nal é um daqueles links mágicos perdidos entre o entulho de informação de grupos avulsos e repetitivos, de entrada liberada e cadeira e janta à espera dos que queiram aparecer, e que se pode jantar num desembrulho de gestos de louva-deus e levantar-se da mesa entre um engolir e o seguinte para se ir pedir um desejo debaixo dos pés de alguém e em seguida fazer uma trança no cabelo de uma dizedora recordista do saber de memória os textos das edições de 2004 para a frente, por exemplo. Como dizia Platão, o bicho só fica no buraco porque não sabe que o Jur.nal é muito fixe e que se pode literalmente mandar o que um Homem quiser para lá, ou coisa parecida.
.png)
_edited.png)