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Junto à melodia dos pássaros

De maneira que agora as minhas mãos tremem, divagando pelo ar cedendo a ventos imaginários. De maneira que agora os dias compridíssimos cheios de horas medievais, as noites pior. Tudo isto enquanto as palavras vão aumentando de som, que é o que as palavras fazem (mexes tão bem com as palavras) Indecentemente feliz, engolindo fantasias e tu não hás-de me compreender (não me interrompas) por muitas dúzias de anos que dures, não entendes porque isto são palavras e só as palavras

As minhas raízes

Filho do diabo, no Tartarus nasci. Educado por Satanás, na sua doutrina cresci. O veneno que é o teu sangue adoece-me o corpo. Quando vejo os seus olhos desejo estar morto. Sou o estranho fruto de um maldito sobreiro, o seu nome é matrimónio, entre um anjo e um carneiro. Quis o seu herdeiro, Bael, agora aqui estou, mas que os meus pulsos alimentem as papoilas antes de me tornar naquilo que ao Inferno o pai rezou.

Pode Deus entrar em Campolide?

Ligar Deus a uma faculdade pública nunca pareceu tão errado. Ligar o presente e futuro da Humanidade, lugar do saber e do constante progresso, a faculdade, e uma ideia tão antiquada como ultrapassada, desligada da razão, a Fé. Mas, afinal, a faculdade é o quê? Ou, melhor, estes anos passados a estudar servem para quê? Certamente vêm-nos à memória os altos princípios que nos motivaram a entrar neste curso. Poderíamos pensar na justiça à defesa dos mais vulneráveis, por exemplo

Navegador

Talvez do meu sangue faz parte navegar rumo a nenhum lado. Sozinho, vento é música, sal é arte. Procuro um paraíso onde seja amado. As nuvens escurecem e questiono se não é tudo uma caça aos gambuzinos. Se a mítica Ilha dos Amores existe, ou se imaginei no sono. Se nada mais é, sereias que cantam artificiais hinos. Sentado na proa o corpo ensopado, o trovão estronda, anuncia o naufrágio. E do fundo do mar Adamastor malvado sussurra na minha mente um falso presságio. A tempes

Meio croquete para o caminho

Ele tem a boca entre parêntesis cada vez mais retos, as orelhas notavelmente à procura de uma boca que as fale, descoladas, livres, — Senhor Jorge, era uma dose de Lampreia para levar. e eu a querer ser ele, numa daquelas manhãs matinais em que o teu queixo caído e pintado me cochichasse a mim e só a mim mistérios que agora são de fé e sonho apenas, e depois andando de mãos dadas aos encontrões num caminho torto e um pequeno que nos farte de vergonha quando nos perguntar em

Autocondenação

Mesmo no fundo da terra serei ossos e arrependimento, para sempre fadado a perdoar, mas sem alguma vez conseguir aceitar o meu próprio perdão. O ser humano é destinado a errar, erros estes por vezes desmedidamente qualificáveis e, por outras, tão ínfimos que nem se deveriam lamentar. Uma pessoa intrinsecamente má não busca o perdão, aliás, nem padece de remorso. Limita-se a oscilar entre a justificação e a omissão. Mas se isto é verdade, porque me acho um ser desprezível? Não

Concurso de Escrita e de Fotografia 2026 - textos e fotografias a concurso

Aprecia os textos e fotografias a concurso e vota no teu texto e na tua fotografia favoritos, respetivamente, através dos links: Para votar no texto: https://strawpoll.com/NoZrz8obBZ3 Para votar na fotografia: https://strawpoll.com/GPgVYv7p4na Texto 1: Picada Sinto-me melhor, ainda não curada desta doença que me assola o coração e me enche a mente, mas livre daquele sentimento prisioneiro de angústia que pica e insiste em dizer que não é e nunca vai ser. Sinto-me esperançosa

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