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Gato

Os minutos passam, os passos aceleram e a indiferença torna-se um hábito. Afinal, os compromissos diários que não saem do sítio, que não sentirão a indiferença e a falta de afeto, não podem esperar mais dois minutos. Gastam palavras a anunciar ações sem qualquer perspectiva de concretização, afirmam que mostrar um pouco de afeto àqueles que nunca o sentiram antes, devia ser uma obrigação, talvez porque fique bem vestir a pele de alguém que se preocupa com tudo e todos, mas na rua todos olham e ninguém para. E ele, ali fica, parado, no seu canto habitual, a ver todos os movimentos, à espera que uma mão se estenda e deslize pelo seu pelo fora, tudo o que os seus olhos pedem é a empatia de alguém, uma mão quente que pouse sobre o seu pequeno corpo nas manhãs gélidas que se têm feito sentir.

Ali fica ele, numa longa e talvez interminável espera, o gato laranja da Avenida Ressano Garcia.

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