A poesia é toda igual
A poesia é toda igual Até quem diz não pensar Pensa em tal A poesia é toda igual Até se for peça fulcral E fizer o poeta voar Se for obra de jogral Ou tiver rima brutal Sobre as árvores do quintal Ou sobre o amor que quero cantar Mesmo tendo lição de moral A poesia é toda igual Sendo ela toda igual Que adianta rimar? É quase um ritual: Desenvolver o lobo frontal Talvez aumentar o capital Escrever algo para impressionar Brincar com a flexão verbal Ou venerar o que é sacral Se
Caminhada para a dor
presos tantos pensamentos e nenhuma solução. uma cabeça em fragmentos, para quê um coração? dois pólos não se formam, chegou-se a essa conclusão. palavras não se conformam, aceitou-se a deceção. deixado neste vazio, com os meus botões, matuto: a vida perdeu o sentido... aguentarei mais um minuto? ao mundo real regresso, esperança desvanece. já enlouqueço, confesso e o desespero fortalece. pessoas passam por mim, mas parece que estou só. alguém que coloque um fim. que alegria
Poemas de Fernando Ruivo
Desconclusão Se cá estivesses, eu não teria morrido Mas também, sei que agora, o quanto pedir, não o concedereis Eu tive a oportunidade de mudar, de alguém ser Eu pude, não noutra como pensava, mas nesta vida Tantas vezes, Tu me ofereceste renascimento Ser algo novo, mudado, de alma renascida Tantas vezes plantaste oliveiras Mas eu não as regava Tantas vezes me procuraste Mas eu escondia-me Tantas vezes me falaste E eu não escutava Mesmo eu sendo pá partida, faca bota, defeit
Debaixo de água
Quero gritar. Quero bracejar. A ansiedade asfixia-me. Os pulmões enchem-se-me de água. Olho em volta: escuridão. Além: um sol cada vez mais distante e distante.. Porque é que me sinto tranquila, se me estou a afogar? Sorvo a água, involuntariamente (ou voluntariamente?), Muda. Inábil. Inerte. Uma confusão de membros paralisados, intenções estáticas e pensamentos aflitos. De repente, os sentidos de uma vida real puxam-me de volta à superfície. Mas, não volto intacta, não. A
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