10 factos curiosos sobre a ilha da Madeira
- Sísifo Martins
- Dec 31, 2025
- 1 min read
Agora, cerrado neste terraço, contemplo as nuvens,
nuvens essas que não consigo alcançar. Não consigo ou não quero?
Resta-me olhar para o chão,
para o andar apressado dos caminhantes. Eu já fui assim, como eles, penso.
Mas depressa relembro a razão da minha condição.
Por isso, escrevo. Escrevo não para sentir, não para me entreter.
A verdade é que eu não sei porque escrevo. Apenas sei que sempre que escrevo me evado. Me evado para longe,
para as nuvens, pelo menos tento.
Frustrado fico,
e rapidamente torno a escrever, e de novo frustrado fico.
E é assim que passo os meus dias, frustrado,
a olhar para as nuvens, viajando nelas, perdido, desejando todas as vezes que seja eterna a viagem, mas nunca é.
Não é porque eu não consigo ou porque não quero?
Curioso que vem-me sempre esta pergunta à cabeça, mas a resposta é inexistente.
A resposta é inexistente...
Por isso é que escrevo.
Escrevo não para deixar de existir.
Não para me evadir, como achava.
Mas sim para existir,
existir neste mundo em que não consigo existir.
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