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  • Sem Direito: João Francisco Diogo (JFD)

    A Sofia Neves (SN) e o Tiago Sousa (TS), coordenadores de entrevistas do Jur.nal apresentam o quinto episódio do segmento de entrevistas Sem Direito. Desta vez, convidámos o professor (mas também aluno) João Francisco Diogo (JFD). SN: Vindo das grandes montanhas transmontanas, o professor João Francisco Diogo desde pequeno que é um atleta excecional, tendo já completado diversos Iron Man e nunca faltando ao seu religioso jogo de padel aos domingos. Quando era pequeno, foi apanhado pelo vizinho a gritar apavorado, pois tinha sonhado que perdera a sua densa coleção de Funko Pops e as suas tão preciosas cassetes dos Looney Tunes. Nos seus tempos livres, nada lhe sabe melhor que devorar uma temporada inteira de Too Hot To Handle, terminando sempre essa maratona com um episódio de Big Brother, não fosse a sua maior inspiração o Cláudio Ramos. Diz-se ainda, por aí, que o professor foi um dos responsáveis pela queda do Estado Novo: foi o próprio que roubou a caneta azul porque precisava dela para acabar de corrigir exames. Foi uma jogada arriscada, mas como genuíno millennial que é, só pensou: YOLO. Nas noites mais escuras, o professor agarra no seu sabre de luz e sob o seu nome secreto (McLovin), combate os criminosos no campus da faculdade, ou mais conhecidos como os devassos paiventos. Por mais corajoso que este professor seja, não o ponham num crop top: o professor tem onfalofobia - medo de umbigos. Fontes piramísticas afirmam que o Professor João Francisco Diogo era na verdade o Zé do Pipo, tendo o mesmo apenas desaparecido para trabalhar no seu novo single “Pimba à Universitária” um remix do seu famoso single “Pimba à Japonesa”. Professor, o que daqui pode ser verdade? JFD: Epá, há uma coisa que é quase verdade (…) eu tenho um fraquinho por reality tv. De vez em quando, enquanto estou a fazer outras coisas, ponho como barulho de fundo. Tenho um amigo que quando o Big Brother Brasil está a dar, manda-nos resumos para um grupo do WhatsApp para irmos acompanhando, porque não temos muito tempo para ver tudo. Ele vê e faz quase que relatos… Epá, essa é a única que acho que é quase, quase verdade. Enganaram-se no programa, mas sim essa é quase verdade. TS: E no caso do sabre de luz, é assim um apreciador de Star Wars? JFD: Isso sem dúvida! Por acaso tenho um sabre de luz em casa. Não o uso, é mais para decoração… mas sim, sou um grande fã de Star Wars. Aliás, uma das coisas que fiz com o Jur.nal foi irmos todos juntos ver Force Awakens, um grupo de malta do Jur.nal, para depois fazermos uma review. TS: E no que cabe ao desporto? JFD: Iron Man não, apesar de ir ao ginásio. Devia ir mais mas não é algo que aprecie muito fazer. O jogo de padel, houve uma altura em que religiosamente tinha um jogo à quarta-feira e não ao domingo, portanto essa também pode ser quase verdade, mas entretanto deixou de acontecer. Fiz esgrima no secundário, acho que esta é a minha única claim de desportista, tendo sido atleta federado na Federação Portuguesa de Esgrima durante alguns anos. TS: E foi à praxe? Conhece os Devassos? JFD: Sim, fui praxado. Não era tão estruturado como é agora, agora os grupos são muito fixos, transitam de uns anos para os outros, há uma certa linhagem. No meu tempo era tudo muito ad hoc, as pessoas eram diferentes, os grupos eram diferentes e portanto aquilo era um bocadinho aleatório. Não praxei tanto, por não achar tanta graça à dinâmica de praxar, acho que praxei apenas um ano… Mas adorei ser praxado, foi muito giro! Não sei se ainda fazem mas havia umas atividades muito engraçadas da polícia ou do jardim de infância, mas gostei imenso desta experiência! Na altura, a praxe não era uma semana inteira sequer, era de segunda a quinta e está feito. Por acaso não me lembro do nome do meu grupo de praxe, lembro-me mais dos doutores que faziam parte do meu grupo de praxe do que dos caloiros. Introduzimos, então, o segmento que nos dá a explorar a parte mais cor-de rosa da vida. TS: Como era como aluno? Mais estudioso, mais baldas? JFD: Era muito estudioso… estudioso, no sentido em que a minha vida durante a maior parte da licenciatura era casa-faculdade, faculdade-casa. Não tinha uma vida social super ativa, só mais tarde, no 4.ºano quando comecei a fazer parte da Associação de Estudantes é que comecei a ficar na faculdade depois das aulas, que era algo que era impensável para mim (risos). No mestrado já passava muito tempo na faculdade, apesar de não ter feito o mestrado nesta faculdade mas sim na FCSH, passava aqui o dia todo até ir para as aulas. Mas nesse campo do “mais baldas ou mais estudioso” encaixava-me claramente mais no campo do estudioso. TS: Se não estivesse na área do Direito e Relações Internacionais, em qual estaria? JFD: Até ao 9.º ano, eu queria ir para Engenharia Naval, porque sempre tive um fascínio com navios e navegação porque o meu pai trabalhou com historiadores da expansão portuguesa e ele trabalhava especificamente com cartografia portuguesa dos sécs. XV e XVI, portanto eu cresci com essas referências. Até ter de escolher no secundário se queria ir para Humanidades ou Ciências, a minha vontade era efetivamente a Engenharia Naval, mas depois apercebi-me que tinha que abdicar de continuar a estudar História se fosse para Ciências e portanto decidi abandonar. Claramente era a alternativa, se não fosse o Direito era isso! SN: Onde é que o professor vai sair em Lisboa? JFD: Eu não sou muito de ir para um bar e ficar lá a beber, eu gosto de ir para um bar, sentar-me e ficar lá idealmente a noite toda. Gosto muito de bares tipo Foxtrot e Procópio. Tenho um grupo de amigos em que saímos para jogar jogos de tabuleiro e íamos a um sítio ótimo que era o Games of the West, ao pé da FCSH, que entretanto fechou… passávamos lá muitas noites. Mas gosto de sítios tranquilos, em que se possa sentar e conversar, acima de tudo. Detesto um sítio em que não dê para conversar ou só dê para conversar aos berros. De resto, não sou grande fã de outro tipo de saídas, face a quando tem de ser, como quando a minha mulher quer ter essas saídas, eu vou — e vou com gosto —, mas a minha preferência é claramente por outras. SN: Porque é que escolheu a Universidade Nova para fazer todo o seu percurso académico? JFD: Quando uma pessoa está no Secundário as coisas são um pouco aleatórias. Normalmente é sempre por causa da média e tive a sorte de entrar na Nova. Mas o que eu posso dizer sobre o que valorizo sobre o curso que tirei na Nova são coisas que não foram as razões que me levaram a escolhê-la: a interdisciplinaridade, o método de ensino, o facto de ser uma faculdade mais pequena… de não existir a divisão entre professor regente e professor da prática. Na altura foi a escolha de um miúdo do Secundário que não sabia muito bem, tanto que quando me candidatei pus Nova, Clássica e Coimbra — por esta ordem —, mas não havia aqui qualquer critério que eu tinha ouvido falar. No Mestrado e no Doutoramento já foi uma escolha mais consciente. Eu, no Mestrado, sabia que queria fazer uma pausa do Direito — também um bocadinho influenciado pelo método interdisciplinar da nossa faculdade e tendo em conta os meus interesses —, a área óbvia seria Relações Internacionais ou Ciências Políticas e, portanto, fiz esse mestrado na FCSH com especialização em Ciência Política — e foi um período extraordinário! Depois, o Doutoramento foi a regressar a casa. Para concluir este processo faria sentido voltar a casa, onde sabia que podia fechar um ciclo. Sair da Licenciatura em Direito, fazer um Mestrado numa área lateral e complementar ao mesmo e depois voltar à Nova com essa bagagem de outra ciência: é tentar criar um produto interdisciplinar que acho que cabe bem com a filosofia desta casa. TS: Foi difícil ou não, um “bom agrobeto” vindo de Sá da Bandeira, segundo o seu colega Guilherme Oliveira Costa, sair da cidade pequena para a grande metrópole? JFD: Tenho de fazer vários disclaimers! Em primeiro lugar, eu nasci em Santarém quase por acidente, porque a minha mãe é de Lisboa e o meu pai é de uma aldeia perto do Fundão. Um trabalhava em Coimbra, outro dava aulas em Abrantes então escolheram esse sítio porque ficava assim a metade e era um sítio a que ambos tinham ligação. Portanto, “agrobeto”, só se for por adoção, não pela raiz! Depois, em relação à Sá da Bandeira, uma das duas secundárias em Santarém, existe uma acusação que é feita quanto a ser a escola dos “agrobetos”. Que a maioria dos agrobetos estão lá, não vou negar… mas é um sistema mais diverso, e portanto também uma defesa da honra nesse aspeto. Ter vindo para Lisboa foi algo natural, sempre foi um espaço familiar. Os meus avós do lado da minha mãe, apesar de terem nascido numa aldeia em Santarém, trabalharam toda a vida em Lisboa, e portanto a capital sempre foi um espaço muito familiar. Quando fui para a faculdade vim viver para a casa dos meus avós, que já era algo que fazia todos os verões. TS: Tem alguma história que — usando terminologia millennial — é crazy? JFD: Posso vos contar uma história do meu Doutoramento. Eu estive em Florença duas vezes a fazer parte do meu Doutoramento, a primeira vez que estive lá cheguei dia 28 de fevereiro de 2020, ou seja uma semana antes de começar o primeiro confinamento em Itália. Foi talvez um dos momentos mais crazy da minha vida, porque ninguém sabia o que era aquilo. Acabei por ficar lá um mês, fechado no meu apartamento que lá tinha arrendado — ingenuamente a pensar que apenas me seria útil para dormir, visto que ia passar a maior parte do tempo no instituto a investigar - mas que, curiosamente não tinha janelas, só tinha uma claraboia. Então estive 3 semanas fechado num apartamento de 25 m2 com uma claraboia apenas. Foi angustiante de várias formas, mas deu para ver os 25 filmes do James Bond! No primeiro domingo do confinamento lembro-me de sair de casa para dar uma volta e a polícia mandou-me imediatamente para casa e eu aí percebi que era mesmo sério. Não havia máscaras à venda, não havia luvas, não havia nada… a única coisa que existia eram máscaras cirúrgicas que um tipo vendia à porta do supermercado a 10 euros cada uma, portanto só tentava respirar o menos possível. Se quiserem alguma da história da faculdade, terão de me pagar algum copo um dia destes, pode ser que saiam mais! SN: Para finalizar este segmento, ver o Professor Martim Farinha a dar aulas relembra-o dos tempos da faculdade? Alguma vez se tinham imaginado a dar aulas juntos? JFD: O Martim Farinha, que é um grande amigo para além de colega, aqui na faculdade, conheci-o acabadinho de chegar à faculdade, fresquinho, caloirinho; e eu estava, se não me engano, no meu 1.º ano do Mestrado. Foi uma amizade que desenvolvemos logo desde muito cedo e continuamos muito amigos. Para responder à vossa pergunta, de facto é estranho, mas não é surpreendente: conheço o Martim e vi-o crescer na faculdade, e rapidamente reconheci as competências e as capacidades que ele tinha, por isso faria todo o sentido a vida seguir este caminho. Quando penso nisso é estranho e divertido, e agora fazemos parte desse caminho mais ou menos juntos, porque ele está no Doutoramento e eu estou a acabar. Já há muitos anos que estou a tentar acabar e ele ainda está na fase inicial e está a dar aulas aqui, por isso de vez em quando falamos sobre os alunos e como estão a correr as várias impressões das turmas que vamos apanhando. Vamos trocando algumas impressões e é sempre divertido, mas acima de tudo o Martim é um grande amigo e, por isso, normalmente quando estou com ele é porque vamos jogar jogos de tabuleiro à noite ou quando vamos jantar juntos para celebrar alguma coisa. Portanto são mais interessantes essas conversas que temos sobre “esta turma tem estes hábitos, eles fazem isto assim e assim, é esquisito” ou “nem acreditas, apanhei este miúdo a fazer-me esta pergunta” ou também dizemos bem, não são só as coisas aleatórias e estranhas que de vez em quando nos aparecem. O TS introduz o segmento onde pede ao professor JFD que associe acontecimentos marcantes da História a figuras da nossa faculdade. TS: Como um bichinho nos veio dizer que é um fanático por eventos históricos, não fosse uma das suas grandes paixões quadros de navios de guerra, pedimos agora para associar figuras da faculdade aos seguintes acontecimentos históricos: Revolução Industrial JFD: O que a Revolução Industrial tem de particular é que basicamente foi uma revolução nos meios de produção, um desbloqueador de produtividade brutal. Se estamos a falar da Revolução Industrial, estamos a falar de produtividade. Portanto, eu diria que associo produtividade e Revolução Industrial ao Professor Jorge Morais Carvalho, pela atividade e produção que ele tem. Chegada do Homem à Lua JFD: Há um grande amigo meu que é especialista nestas coisas e que também é Doutorando aqui nesta casa, que é o João Marques de Azevedo. Ele está a fazer o doutoramento em Direito do Espaço, por isso acho que não há outra opção se não esse meu grande amigo. Descoberta do caminho marítimo para a Índia JFD: Eu sei que o Professor Jorge Bacelar Gouveia gosta muito de citar a música do “Já fui ao Brasil, Goa e Timor” [referência à canção “Conquistador”, dos Da Vinci], portanto acho que vai para ele a descoberta do caminho marítimo para a Índia. Império Romano JFD: O professor João Caupers — que acho que vocês já não devem ter conhecido — foi meu professor de Teoria da Norma Jurídica e, de vez em quando, dava uns exemplos do Direito Romano que eram sempre interessantes e engraçados. Aliás, as aulas dele eram fantásticas: uma vez, ele começou uma aula sobre a interpretação da norma jurídica com uma passagem d’“A Correspondência de Fradique Mendes”, a explicar o que era o exercício de interpretação jurídica. Não sei se conhecem o livro de Eça de Queirós, mas Fradique Mendes era uma personagem excêntrica. Fictícia, naturalmente, mas era uma pessoa muito excêntrica, muito avant-garde. Ele tinha importado uma múmia do Egito e a múmia estava retida na alfândega porque não sabiam como qualificá-la em termos alfandegários, não sabiam em que tipo de produto ou bem é que punham a múmia. E o Fradique Mendes, muito originalmente, sugeriu pôr no arenque fumado. E o professor João Caupers começou a aula sobre interpretação jurídica com esta passagem para explicar como é que era a atividade de interpretação jurídica, e também usava exemplos do Direito Romano que eram muito interessantes. Portanto, vai para o professor João Caupers, o meu professor favorito nesta faculdade, sem dúvida nenhuma. Tratado de Tordesilhas JFD: Este aqui tem de ir para o nosso fundador Diogo Freitas do Amaral que, ao fundar esta faculdade, claramente definiu uma brilhante separação com a Clássica, portanto não há dúvida de que Diogo Freitas do Amaral claramente é o Tratado de Tordesilhas ao dividir as faculdades públicas de Direito em Lisboa. Batalha de Aljubarrota : Lenda da Padeira JFD: Esta é difícil porque corremos o risco de insultar alguém, apesar de não ser insulto nenhum porque é uma figura bastante estimável da nossa História/Mitologia nacional. SN: Pode pensar num salvador… JFD: Estou a pensar numa pessoa que deteste castelhanos, mas não me estou a lembrar de ninguém. TS: Pode ser alguém que defenda esta casa. JFD: É verdade, também pode ser uma grande embaixadora desta casa que a defende com unhas e dentes. Mas se formos por aí isto corre o risco de ser um bocado graxismo. Vou trocar o género e dizer que a Padeira de Aljubarrota desta Faculdade é o Senhor Vítor. Ele é aquele que se fosse preciso defender a faculdade de qualquer castelhano ele dava conta, porque ele de facto é uma figura imponente. Seguem-se as perguntas de rapid fire. TS: Game of Thrones ou Lord of the Rings? JFD: Lord of the Rings. TS: Pampilho ou cigarrilha? JFD: Pampilho. Não quero repensar. Vocês não sabem o que é um pampilho. Aqui em Lisboa parece que passaram no reator 4 de Chernobyl. São horríveis, têm péssimo aspeto, é muito mau. O pampilho como deve ser é da Bijou, em Santarém, não há nada melhor do que isso. TS: Mas o Professor não tem nenhum artigo como tem para as cigarrilhas a densificar o quão bom é um pampilho… JFD: Fica então o desafio de mandar um texto para o Jur.nal a elogiar o pampilho. SN: Numa sociedade cada vez mais woke, seria possível identificá-lo como agrobeto? JFD: Por adoção, só. TS: Como é um fã acirrado de Star Wars, gostávamos de lhe perguntar se seria possível fazer a melhor imitação possível do Chewbacca. JFD: Eu não sou muito bom… tenho pena, eu tenho um amigo que era perfeito para esta pergunta, que eu sei que ele faz imitações maravilhosas. Mas seria algo do género: SN: Bem, não sei como vamos transcrever isto para texto. JFD: Digam só que eu fiz bastante bem. TS: Perder um jogo de xadrez para o cão ou parar de publicar flores para as “divas digitais”? JFD: Essa foto do cão foi muito boa porque era o cão de um amigo e foi uma noite muito engraçada em que tiramos essa foto. Portanto acho que vou escolher essa opção, apesar de eu gostar muito de botânica. Por acaso na semana passada fiz pela primeira vez um terrário: é uma atividade super relaxante e é engraçada, portanto não tenho problemas nenhuns com a minha paixão por botânica. SN: Como aguerrido defensor da fantasia, podemos dizer que foi o primeiro professor a tentar dar direitos à Sininho? JFD: Não, mas uma vez houve um caso de Moot Court com base na aplicação do Direito da Concorrência da União Europeia a um mercado de varinhas do Harry Potter. SN: Qual é a figura pública que mais o irrita? JFD: É muito difícil… eu tenho um ódio de estimação com tudo o que são comentadores políticos. Há provavelmente um que mais me irrita de todos… é o Pedro Marques Lopes. TS: Se estivesse num date, seguiria o conselho de António Basto? “Pega um touro em Alcochete / Vai cantar a Vila Franca / Monta um baio em Salvaterra de calção e meia branca / Vai à feira em Santarém / Há fandango em Almeirim / Nas adegas do Cartaxo bebe um sonho até ao fim.” JFD: Sim, isso são tudo atividades maravilhosas que eu já fiz, inclusivamente — não em dates, mas perfeitamente plausíveis para tal. Aliás, em Santarém, a Feira da Agricultura, que é uma das referidas nessa canção, é provavelmente o sítio onde começaram e acabaram mais namoros naquela cidade. Portanto, é um hotspot ideal para esse tipo de atividades, claramente. TS: É capaz de deixar aqui prometido que entregará ao jornal um artigo a densificar a qualidade dos vinhos da adega do Cartaxo? JFD: Posso fazer. Regra geral, e isto é um conselho que eu vos dou para a vida: do Ribatejo, brancos sim tintos não. Se forem brancos, em princípio são bons, tintos normalmente são péssimos. Mas posso fazer esse esforço, dar o meu corpo à ciência e dar esse contributo ao Jur.nal, experimentar os vários vinhos… já experimentei vários, mas era só para completar o catálogo e refrescar a memória. TS: Então eu agora reformulo uma pergunta: pampilho, cigarrilha ou um bom copo de vinho? JFD: Continua pampilho, sem dúvida. TS: Agora gostava que nos desse contexto sobre esta foto: Fonte: Facebook JFD: Isso foi no meu 1.º ano de Mestrado, uma altura em que eu passava os meus dias basicamente à porta da AE a conversar com a malta, a passar tempo e a beber cafés. Provavelmente estava meio aborrecido e achei que era boa ideia... claramente não. Mas pronto, foi no contexto dessas tardes longuíssimas que eram passadas à porta da AE com amigos a conversar e aqui, à falta de melhor, põe-se uns óculos de sol de forma esquisita na cabeça. TS: É tão estranho o facto de a Associação de Estudantes estar igual. JFD: Sim, é verdade. Vocês agora fecham aquela coisa... não consigo ver tão bem quem é que está lá para dentro. TS: Reconhece o evento em que esta foto foi tirada? Fonte: Facebook JFD: Sim, foi um moot court. Eu tinha tanto cabelo... isso foi um dos moot courts do 2.º ano. Na altura, acho que ainda era em Direito Internacional, porque o famoso moot court de 2.º ano inicialmente era de Direito Internacional, a cadeira que o Professor Francisco Pereira Coutinho dava na altura e depois quando ele passou a dar Direito da União Europeia é que o moot court passou a ser sobre Direito da União Europeia. Acho que este ano ainda era Direito Internacional. TS: Agora a última, que também é definitivamente a mais engraçada. Pedimos que desse algum contexto sobre... Fonte: Facebook JFD: Repara... eu entrei para a faculdade na altura em que estas em que o 9GAG era uma cena — era a berra na altura. Hoje uma pessoa olha para trás e cringes all over de pensar sobre isso, mas na altura era o que havia em termos de memes era 9GAG e afins. Este... eu achei maravilhoso, publiquei e não me arrependo! E continua excelente, ainda assim. Isto porque na altura eu sempre fui muito (erradamente) associado a ser de esquerda, e isto era um bocado também para gozar com essa perceção que as pessoas tinham de mim. TS: O Professor importa-se que publiquemos estas fotos na entrevista? JFD: Está tudo bem, eu não tenho problemas com os meus problemas.

  • Lesma

    No dia 20 de março, o Jur.nal esteve com as Lesma na Fundação Gulbenkian, num encontro que se desenrolou como um plano-sequência de luz difusa e fumo estético. Entre odes ao tédio e colheres existenciais, o trio refletiu sobre a amizade como motor criativo e sobre uma linguagem musical construída a partir da espontaneidade e recusa em estabilizar. O sótão perpétuo e a estética do desalento radiante A identidade das Lesma não é algo que se possa curar ou fabricar num estúdio de marketing — é um organismo vivo que nasceu, quase por acidente, entre conversas de corredor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH), uma coluna da Barbie e a mística de um sótão que se tornou o seu útero criativo. Formadas em setembro de 2023, as Lesma juntam Beatriz Sobralinho (bateria e ocasionalmente voz gritante), Leonor Casimiro (voz, guitarra e letra) e Rita Mira (baixo), cuja “química efervescente” fez com que a banda materializasse “um sítio” onde já habitavam. “Estamos perpetuamente no sótão”, dizem deste espaço tornado febre imorredoura. Recusam-se, por instinto, a sair desta redoma para abraçar algo "pretensioso", acreditando que a sua verdade reside exatamente nesse isolamento genuíno: “o sótão é genuíno. Eu sou o sótão”. É também nesse recreio criativo que nasce a sua girlhood sonora, alimentada por uma “felicidade tão difícil de conter que tem de sair e ser partilhada” — uma vontade de simplesmente "brincar" com a música após as aulas, sem o peso da expectativa. O nome surgiu sem grandes aparatos simbólicos — “era só um nome”, esclarecem — escolhido impulsivamente pela estranheza viscosa e graça absurda que lhes provocava. Ainda assim, à medida que a banda se expandiu para outros andares da casa, “Lesma” deixou de ser mera aleatoriedade nominativa e tornou-se numa criatura elástica, capaz de absorver e devolver a identidade mutável do grupo e as múltiplas leituras do público — afinal, e como frisaram, “a arte também é quem a interpreta”, tornando este conjunto de cinco letras num corpo revestido por camadas sucessivas de sentido. Se alguém quiser um guia de sobrevivência para este universo, as instruções são crípticas: “cotonete e escadote” no rider técnico e garantir que “70% do cérebro está fora”. Tudo isto sob a influência da “lesma pill”, uma entrega total à “droga chamada amizade”. Das personagens cambaleantes à folha dobrada Ser Lesma é habitar “personagens cambaleantes na noite”, observando o mundo com uma curiosidade devoradora e “gozona”. Tudo parece atravessar o imaginário do trio antes de regressar desconfigurado: bandas, vozes, gestos, posturas ou pequenas fixações passageiras transformam-se em personas temporárias que as próprias incorporam e ocupam, invocando o espírito de outros artistas com uma facilidade quase mística — “Mano, bora ser a Mafalda [dos Marquise]” — até se desdobrarem numa espécie de matrioska capaz de “invocar nove membros”. O som que emana deste refúgio é uma “tela em branco” contaminada por hiperfixações, piadas recorrentes e backgrounds díspares. Entre breakbeats obsessivos que moldaram o pulso do hino “Barreiro”, metal ouvido em espiral, os ritmos de funk improvisados na cantina durante os tempos de Magurados band ou o ruído húmido dos concertos underground, o ecossistema sonoro das Lesma aglomera fragmentos fluorescentes num líquido em permanente ebulição. As próprias recusam organizar-se sob uma genealogia musical linear: “Nós queremos fazer todas as músicas de todos os tipos que existem”, afirmam. Descrevem a sua composição como “um desenho que uma criança fez”, baseada num jogo surrealista onde a folha é dobrada e cada uma pinta a sua parte sem ver o que veio antes. Deste modo, cada elemento surge como interferência espontânea sobre o caos precedente — linhas melódicas herdadas de escutas frenéticas, explosões rítmicas moldadas pelo instinto ou frases que aparecem “do nada” e permanecem tempo suficiente para serem embebidas no seu arquivo. Até o grafismo das Lesma parece nascer da mesma matéria instável que concebe as músicas. Entre “rabiscos espontâneos”, sketches improvisados e cartazes construídos quase em fluxo de consciência, a dimensão visual do projeto preserva a sensação de que algo permanece pendente. Assim, as Lesma permitem que as imagens brotem lentamente da convivência entre as três, como fungos luminosos nascidos do mesmo solo afetivo onde também germinam as suas canções. Existo, logo minto Lançado a 11 de abril de 2025 e gravado entre o Estúdio 105, em Santarém, e a Cave Sala de Ensaios, no Pinhal Novo, É Mentira surge como diagnóstico de uma mitomania coletiva — “todos os tracks têm um bocadinho de mentira”, confessam. Ainda que o título tenha emergido inicialmente a partir de “Barreiro” — faixa-charneira do disco —, essa patologia alastra-se por todo o álbum, quer seja através de geografias inventadas, personificações culinárias, personagens habitadas “entre o ter e o querer” ou pequenas observações quotidianas passeadas até ao estatuto de mantras. A própria capa, desenvolvida com Tomás Santos — artista cujo trabalho anterior com Dinossauro Abril já fascinava o trio —, foi imediatamente reconhecida pelas Lesma como mais uma dobra desta ilusão contínua — “foi amor à primeira vista”, recordam. Dentro deste conceptual, cada faixa desencadeia um novo surto do mesmo embuste. “Dominante Cona” abre o álbum num estado de acumulação de pressão, onde os pratos e as cordas se empurram até ao colapso. Mais à frente, “Breakdown” pega nesse mesmo estado e arrasta-o para riffs espessos e saturados. E mesmo quando abranda, o disco nunca estabiliza totalmente: “Heroína” dissolve o excesso num fluxo coloquial onde o azul hipnótico do telemóvel surge como sintoma de uma geração em torpor e fumar apresenta-se como convite de alguém com o hábito — “eu não fumo, não posso largar o telemóvel e fumar um cigarro”, admite Rita. É também dessa deriva que nasce “Eu sou uma (colher)”, talvez o exemplo mais manifesto da lógica interna das Lesma. Inspirada pela visão quase surreal de estudantes da praxe a circularem com colheres penduradas, a música parte de uma pergunta absurda — “para que é que servem as colheres?” — até que a insistência corrói qualquer resposta concreta e transforma a colher, enquanto objeto utilitário, em identidade provisória: um delírio circular onde a piada reencontra a sua própria razão de ser. “Maria” prolonga essa alucinação mutante através de vozes gritadas, mudanças bruscas de pele e personagens improvisadas que surgem e desaparecem. Já “Homem” — um dos singles lançados antes do álbum — surge como o joker emocional do projeto: em vez de explodir em teatralidade, paira num registo mais suspenso e espectral, deixando versos como “Estou sozinho mas estou contigo” circularem em aberto, presos entre névoa mental e física. Mas é em “Barreiro” que É Mentira encontra a sua mentira mais eficaz. Apesar de nenhuma das integrantes ser do Barreiro, a cidade transforma-se num território imaginário onde tudo pode coexistir: periferia, ponte, parque industrial e circo — é o “Eu poder realmente ser o que eu quero”, segundo Leonor. Deste modo, cantar sobre colheres ou sobre cidades que lhes são simultaneamente íntimas e estrangeiras deixa de ser nonsense privado e torna-se numa forma de fabulação absoluta, onde a mentira ganha densidade suficiente para substituir a própria realidade. E, algures entre sonho e memória, permanece a história de uma bateria que fugia sempre que a Beatriz se preparava para lhe tocar. O "Ganda Step-Up": Do Teaser à Ordem do Banjo O que ouvimos até agora é apenas um “teaser”; elas garantem com o sorriso de quem já tem dados do futuro, que “ainda nem saiu o trailer”. Esse está a ser cozinhado num behind the scenes oximórico onde a anarquia do sótão tenta conviver com a estrutura de um Google Calendar e tabelas de Excel. Este processo, que descrevem como o “ganda step-up”, promete ser uma metamorfose de Pokémon onde a experimentação não terá teto. Com a mente aberta, estão prontas para entregar o que o instinto ditar: seja cool jazz, rock psicadélico ou até uma sonoridade pimba, com a introdução planeada de sintetizadores e, surpreendentemente, de um banjo. No palco, a barreira entre o ídolo e o fã dissolve-se numa postura puramente riot: “Nós não estamos no palco. Estamos lá com o público, no público”. É também nesse espaço que a mentira continua a expandir-se: em “Heroína”, por exemplo, a conversa semi-improvisada da versão de estúdio nunca regressa da mesma forma, desviando-se em novas frases ou interrupções, como se cada concerto redistribuísse novamente as cartas do disco. Talvez por isso tocar, para elas, seja um ato de levitação e força animal: “Eu sinto-me como um pássaro e eu estou a voar… é andar a cavalo, galopar”. Este circo itinerante de amizade e espontaneidade já tem o seu roteiro de galope traçado para arrebentar com tudo. A próxima paragem passa por Leiria, a 6 de junho no festival A Porta, pela Glória do Ribatejo, a 19 de junho no festival Glória ao Rock, e por Lisboa, com dois DJ sets durante o mês de julho. Instagram, Bandcamp, Spotify e YouTube permanecem como pequenas portas de entrada para este circuito de "verdades mentirosas" — três amigas prontas para fazer a roda no meio do mosh ou tocar com uma mão só, enquanto ignoram as expectativas alheias. Porque se há coisa que é verdade para as Lesma, é: “a música é nossa, nós fazemos o que quisermos”. Fotografias: Lesma

  • Quero morrer no mar

    Quero morrer no mar. Espero uma morte sufocada por cada onda, a sétima que me leve de vez. Quero ser enrolada na sua espuma, serpenteada pelas suas correntes e no fim ser pousada na sua areia para um sono profundo. Não vim da terra, mas sim do mar - e para lá pretendo voltar. Voltarei ao fundo do mar, de onde nasci numa noite para vir preencher a lua. Salgada, fria e agitada… como ele é, foi como ele me fez. Guiada pela sua corrente, fui saltando de maré em maré até, por fim, ser pelas ondas docemente embalada até à praia, onde fui entregue a este mundo. Para trás deixei o resto de mim: as conchas, os peixes, as pedrinhas, as algas, as medusas, … todas elas aguardam o fim dos meus dias nesta vida terrena para poderem voltar a integrar e, enfim, ser eu a casa em que sempre vivi. O mar chama-me. Eu quero entrar. Eu chamo-me a mim mesma, o meu canto enfeitiça-me. Quando dou por mim já estou submersa numa outra dimensão. A minha pele rosada das mordidas do sol e temperada pelo sal e os meus cabelos que tentam imitar cada onda que os penteia…toda eu estou pronta. Mergulho. Silêncio. Ao fundo, oiço a sua onda no seu rebentar final. Enfim, em casa.

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  • Arquivo | Jur.nal

    Arquivo Digital Professora Vera Eiró Caros Leitores, Sejam bem-vindos ao Arquivo Digital Professora Vera Eiró. Em 1997, Vera Eiró, Bárbara Churro e Luís Ricardo decidem criar um núcleo de escrita, enquanto via de escape aos Estudantes da FDUNL. Esse núcleo, o Jur.nal, foi dando voz aos Estudantes de Direito nos últimos 25 anos. Agora, no seu 25.º Aniversário, a Direção 2024/2024 homenageia as três pessoas que o fizeram acontecer, com uma menção especial à Professora que por aqui ficou, acompanhando o crescimento da planta cuja semente plantou. Obrigado, obrigado, obrigado. – Direção 24/24 17 de maio de 2024, Anfiteatro A da NOVA School of Law Vera Eiró Bárbara Churro Luís Ricardo Clica aqui para aceder Nov 1998 Mar 2001 Mai 2004 Dez 2012 Nov 2015 Abr 2017 Dez 2018 Abr 2023 Fev 2024 Mar 2025 Fev 1999 Mai 2001 2007/08 Mar 2013 2015 Jun 2017 Abr 2019 Abr 2023 25ANOS Out 1999 Mar 2002 Out 2009 Mai 2013 Mar 2016 Out 2017 Dez 2019 Abr 2023 Dez 2024 Mar 2000 Dez 2002 Mar 2012 Nov 2013 Mai 2016 Dez 2017 Fev 2021 Abr 2023 Dez 2024 Mai 2000 Abr 2003 Abr 2012 Abr 2014 Out 2016 Abr 2018 Mai 2021 Abr 2023 Jun 2025 Dez 2000 Dez 2003 Mai 2012 Nov 2014 Dez 2016 Mai 2018 Mai 2022 Fev 2024 Mar 2025

  • Jur.nal | Uma voz pela cultura

    O Jur.nal é um núcleo de estudantes autónomo da NOVA School of Law, investido na missão de valorizar e dignificar tudo aquilo que nos valoriza e nos dignifica a nós enquanto humanos: a cultura, a arte, a literatura e a poesia. A R T. 7 3 .º / 1 Constituição da República Portuguesa Todos têm direito à educação e à cultura. "Entre nós e as palavras, os emparedados e entre nós e as palavras, o nosso dever falar" Mário Cesariny Dizem os passarinhos... Aqui estão as novidades que voam por aí É com muito gosto que a Direção apresenta “Fora do Cartaz”, uma rubrica de foro cultural onde se procura iluminar aquilo que, tantas vezes, vive nas margens - o que acontece longe dos palcos principais, onde a arte respira sem pressa, ainda pulsando em estado bruto. Estes acabaram de sair do forno... Maternidade e os Atuais Desafios da Mulher no Direito, uma conversa com Leonor Caldeira Matilde Almeida 3 days ago 8 min read Uma Luta Armada entre Quem Amava e Quem é Hoje a minha Amada Anónimo 5 days ago 4 min read Direito ao Ponto com Cátia Moreira de Carvalho e João Athayde Valera: O que é afinal o grupo neonazi português 1143? Jur.nal e CLSS 6 days ago 13 min read J.K. Rowling: a fantasia por detrás da livraria Sísifo Martins 7 days ago 1 min read ... Sobre nós Ora, vejamos, reza a lenda que no Jur.nal nunca foi avistado um único jurista e dos que entravam pelas portas jur.nalescas a dentro (até gritando em alto e bom som “abre-te sésamo”) nunca mais se ouviu falar deles. Aqui não há juristas. Banimos os juristas do Jur.nal. Ler mais... Rubricas Lembro-me que... Era uma vez um lugar chamado "Lembro-me que..." , onde as memórias não precisavam de ser iguais para serem verdade. Um mesmo momento podia ser lembrado de mil formas diferentes, guardado em detalhes pequenos, em sensações, em coisas que só quem lá esteve consegue explicar. Aqui, cada versão acrescenta um novo capítulo à história, como um conto que se vai desenrolando aos poucos, e que só se descobre lendo até ao fim. Espreita aqui... Carta Aberta Algures entre o desabafo e o manifesto estas cartas aparecem. Não pedem licença não batem à porta. No "Carta Aberta" encontrarás cartas largadas à comunidade estudantil, como quem cola um aviso na parede, para quem quiser ler ou para quem precisar de ouvir. Espreita aqui... Melopeia A ideia é escolher um álbum e reinventá-lo – produzir uma “melopeia” por cada track - escrevemos uma frase/um parágrafo inspirado na música, no seu significado em geral ou num verso que nos levou a uma sequência de pensamentos. Incentivamos ao enlace de mãos entre vários tipos de arte, ao fim ao cabo, somos apaixonados por muita coisa, com diferentes formas e feitios. Sabemos, também, que a música, por ser quase (ou ser mesmo) poesia cantada, adora grudar-se à escrita. Espreita aqui... "Ergue-te, pois, soldado do Futuro, E dos raios de luz do sonho puro, Sonhador, faze espada de combate!" Antero de Quental

  • Rubricas | Jur.nal

    Escrita Livre Aqui não há mapas nem regras fixas. As palavras aparecem como querem, seguem o ritmo do pensamento, do impulso ou do dia. É um território onde és convidade a experimentar, e onde a liberdade é a única exigência. Já dizia Fernando Pessoa, Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo. Read More Poesia Há composições que não caminham linearmente, ganhando asas e flutuando no universo sem fim. A poesia nasce entre poeiras nesse cosmos, onde as palavras respiram, tropeçam e se abraçam. É onde o silêncio também escreve, onde uma frase miúda contém todo um mundo, e onde cada verso é um convite para olhar mais devagar. Read More Crónicas Pequenos fragmentos do dia a dia tornam-se matéria de escrita. A crónica observa, interpreta e transforma o comum em algo que merece ser lembrado. Deixa que o teu olhar recolha o que o tempo quase apaga e converte instantes breves em palavras que permanecem. Read More Apreciação Crítica Muita atenção! Nesta rubrica observa-se tudo com a devida cautela, escuta-se o que está nas entrelinhas e tenta-se compreender o que está por dizer. Sejam bem-vindos ao encontro entre quem cria e quem interpreta. Read More Texto de Opinião Eis um espaço onde as ideias ganham voz própria; onde se pensa em voz alta e se questiona o que parece certo e dar forma ao que se sente. Cada texto é um ponto de vista lançado ao mundo, aberto ao diálogo, à discordância e à reflexão que continua mesmo depois da última linha. Efetivamente, a doutrina diverge… Read More Carta Aberta Algures entre o desabafo e o manifesto estas cartas aparecem. Não pedem licença, não batem à porta. No "Carta Aberta" encontrarás cartas largadas à comunidade estudantil, como quem cola um aviso na parede, para quem quiser ler ou para quem precisar de ouvir. Read More Lembro-me que... Era uma vez um lugar chamado "Lembro-me que..." , onde as memórias não precisavam de ser iguais para serem verdade. Um mesmo momento podia ser lembrado de mil formas diferentes, guardado em detalhes pequenos, em sensações, em coisas que só quem lá esteve consegue explicar. Aqui, cada versão acrescenta um novo capítulo à história, como um conto que se vai desenrolando aos poucos, e que só se descobre lendo até ao fim. Read More Melopeias A ideia é escolher um álbum e reinventá-lo – produzir uma “melopeia” por cada track - escrevemos uma frase/um parágrafo inspirado na música, no seu significado em geral ou num verso que nos levou a uma sequência de pensamentos.Incentivamos ao enlace de mãos entre vários tipos de arte, ao fim ao cabo, somos apaixonados por muita coisa, com diferentes formas e feitios. Sabemos, também, que a música, por ser quase (ou ser mesmo) poesia cantada, adora grudar-se à escrita. Read More Entrevistas Não se procuram meramente perguntas e respostas; procura-se perceber, sentir e descobrir. Aqui as vozes revelam-se e as histórias pequenas ou grandes encontram lugar para respirar, cada entrevista sendo um mapa de curiosidades e um convite para olhar o mundo pelos olhos de quem o vive. Read More Sem Direito Com a intenção de criar uma ponte transparente entre os estudantes, docentes e não docentes da NOVA SOL, a antiga coordenação de entrevistas composta pela Maria Leonor Baptista e pela Maria Castro Ribeiro deram luz a esta rubrica (inspirada no estilo do Guilherme Geirinhas), que te transporta, entre ironias, até aos mais ínfimos segredos e contos dos entrevistados - sem inibições, tabus, ou direito. Read More Trocado por Miúdos O Trocado por Miúdos é uma ode à brevidade. O reconhecimento de que, por vezes, dizer pouco é dizer o suficiente, e que algumas escassas palavras podem percorrer em nós um longo caminho. Criada pela Maria Leonor Simão, esta é a rubrica para todas as linhas rascunhadas nas notas do telemóvel ou num caderno, deixadas ao esquecimento. O espaço para todas as frases que se ouvem de raspão na rua e que ficam connosco. A casa para toda a expressão literária que, não exigindo um romance, ainda assim merece ser lida. Tudo é bem-vindo! Read More Dicionário Antes de serem som, as palavras foram desenho; traços gravados para fixar o mundo; símbolos inventados para dar forma ao invisível. Neste nosso dicionário idiossincrático, regressamos a essa origem: cada palavra é um sinal aberto, reinterpretado por quem o lê e por quem o escreve. Aqui, desenhar é definir; definir é redesenhar; definir é imaginar. Read More Fora do Cartaz Shhhh, é segredo. Esta rubrica, dedicada à cultura, serve para refletir a luz incidente que por vezes não é captada. Encontramos vozes que começam, projetos que crescem e ideias que ainda não pediram licença para existir. Na verdade, não é um segredo - é precisamente o contrário, um espaço de descoberta e partilha, que almeja que a cultura independente ganhe visibilidade sem precisar de gritar. Ou talvez precise. É bom gritar. Read More

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