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  • Direito ao Ponto com Francisco Pereira Coutinho: Ataque dos EUA à Venezuela

    Quais são os precedentes internacionais relevantes que podem ser invocados à luz da atual situação Venezuela–EUA e, tendo em conta a Carta das Nações Unidas e o princípio da proibição do uso da força entre Estados, como se avalia juridicamente uma intervenção militar como a recente ação norte-americana na Venezuela (captura de Maduro e ocupação transitória)? Os precedentes mais próximos são as intervenções soviética no Afeganistão (1979) e americana no Panamá (1989), ainda no tempo da Guerra Fria. No Afeganistão, forças especiais da URSS assaltaram o palácio presidencial em Cabul e mataram o presidente Hafizullah Amin, instalando de seguida um governo fantoche. A URSS justificou a intervenção como assistência militar prestada a pedido das autoridades afegãs. Foi o início do “Vietname soviético”. No Panamá, em 1989, os EUA intervieram militarmente, depuseram Manuel Noriega e levaram-no para julgamento nos Estados Unidos; tal como hoje se invoca quanto a Maduro, Noriega era alvo de acusações e de um mandado de detenção por crimes de narcotráfico. A Administração Bush invocou, além disso, legítima defesa, a proteção de nacionais, a defesa da democracia/direitos humanos, e a violação dos tratados bilaterais sobre o Canal do Panamá. No caso venezuelano, a justificação avançada pelos americanos baseia-se no cumprimento de um mandado de detenção emitido por um tribunal federal americano e no acesso aos recursos naturais da Venezuela.  Em todos estes casos, porém, estamos perante violações da regra imperativa da proibição do uso da força. Tratam-se de atos de agressão e de uma ingerência ilícita nos assuntos internos de outros Estados. Extraordinariamente, no caso venezuelano, não houve sequer uma preocupação em invocar, de forma fundada, uma exceção à regra com base no direito internacional. Quais são as condições estritas e reconhecidas pelo direito internacional que poderiam justificar o uso da força em território estrangeiro – e em que medida alguma delas se aplica ou não ao caso venezuelano, incluindo o recurso a pretextos como “narco-terrorismo”, “ameaça à segurança” ou “restauração da democracia”? O direito internacional apenas admite o uso da força mediante autorização explícita do Conselho de Segurança das Nações Unidas, consentimento do Estado territorial (por autoridades competentes e sem coação) e no exercício do direito de legítima defesa individual ou coletiva, em resposta a um ataque armado. Nenhuma destas hipóteses foi sequer articulada no caso venezuelano.  A captura de um chefe de Estado fora do seu país por forças estrangeiras pode ser qualificada como um ato de crime de agressão à luz do Estatuto de Roma e de outras normas internacionais, e em que circunstâncias uma ação militar ou bloqueio económico podem gerar responsabilidade internacional e obrigação de reparação por danos materiais e humanos, bem como responsabilidades políticas e jurídicas do Estado interventor, como os EUA, especialmente quando a operação tem severas consequências humanitárias? À luz do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, a qualificação penal de uma operação militar como a ocorrida na Venezuela como crime de agressão é, em tese, possível quando há um ato de agressão que constitua uma violação manifesta da Carta das Nações Unidas. Mas a jurisdição do Tribunal Penal Internacional para o crime de agressão é particularmente limitada, dependendo, em situações deste tipo, de um pedido do Conselho de Segurança. É precisamente por isso que, no caso da Ucrânia, apesar de existir mandado contra Putin, ele respeita a crimes de guerra (e não ao crime de agressão). A responsabilidade internacional do Estado opera num plano distinto: se houver violação do direito internacional, o Estado responsável tem o dever de reparação integral. Se a operação militar gerar consequências humanitárias graves, podem somar-se violações do direito internacional humanitário. Até que ponto a estratégia de sanções económicas e bloqueios navais, incluindo a interceção de petroleiros venezuelanos, se encontra em conformidade com o direito internacional, em particular com as normas sobre bloqueios e liberdade de navegação, e pode um Estado impor sanções unilaterais com efeitos extraterritoriais sem violar princípios fundamentais como a soberania e a não intervenção? O direito internacional do mar assenta no princípio da liberdade de navegação. Fora de um contexto de conflito armado, a interceção de navios é, em regra, ilícita, salvo quando haja suspeita de pirataria ou quando o navio esteja sem pavilhão.  Já o bloqueio naval é uma figura típica do direito dos conflitos armados, sujeita a condições muito estritas, que pressupõem um quadro de beligerância que não existe. A definição de agressão da Assembleia Geral qualifica, inclusivamente, como ato de agressão o bloqueio dos portos ou costas de um Estado pelas forças armadas de outro Estado. Quanto às sanções unilaterais com efeitos extraterritoriais, a sua compatibilidade com o direito internacional é problemática quando visam coagir escolhas políticas internas, salvo se cumprirem o regime das contramedidas. ⁠Como se analisa, sob a ótica do direito internacional, a questão do reconhecimento de governos quando um Estado terceiro tenta impor uma transição de poder ou administrar temporariamente um país, e qual é o efeito jurídico internacional de reconhecer um governo interino sem consenso interno ou sem resolução internacional legítima – podendo a designação, por um país estrangeiro, de líderes alternativos ou de uma transição política (por exemplo, substituição de Maduro por outros representantes) ter alguma base legal internacional ou tratar-se de interferência inaceitável na autodeterminação dos povos? O reconhecimento é um ato político. É livre salvo quando surge associado à violação de normas imperativas ( jus cogens ). No caso em apreço, os Estados Unidos terão condicionado o reconhecimento à adoção de políticas que lhes sejam favoráveis, sob ameaça de uso de meios militares projetados a partir do mar das Caraíbas. Isso configura uma violação da proibição da ameaça do uso da força e uma ingerência ilícita nos assuntos internos venezuelanos. Acresce que práticas predatórias sobre recursos naturais colidem com o princípio da autodeterminação e com a soberania permanente sobre os recursos naturais, que deve ser exercida no interesse exclusivo do povo venezuelano.

  • Devaneio

    No dia 6 de novembro de 2025, o Jur.nal esteve na Casa do Comum com os Devaneio, uma das bandas emergentes mais singulares da música alternativa portuguesa. Entre memórias, processos e inquietações, o trio revisitou a sua origem, a construção estética que tem vindo a definir a sua identidade musical e a forma como convertem tensão em criação. Quem são os Devaneio? Formados em outubro de 2023, os Devaneio nasceram na Margem Sul e juntam "Joe" - voz, composição e bateria -, Margarida “Manga” - guitarra e voz - e Petko - baixo e fotógrafo profissional. "Joe" e Petko já partilhavam terreno no cenário musical de Setúbal quando se cruzaram com Margarida, então integrante de aboiband, a sua primeira banda. O encontro deu-se no ambiente cruzado das bandas locais e, a partir daí, a formação tornou-se inevitável: primeiro jams soltas, depois demos trocadas entre quartos e salas de ensaio, até que as primeiras canções começaram a ganhar forma. O primeiro nome, “Alucinação Coletiva", acabou por ser substituído por Devaneio - termo sugerido pelo guitarrista Rodrigo Lopes, antigo membro da banda. Assim, o que começou como uma palavra solta profetizou um diagnóstico e manifesto, descrevendo a forma como o trio cria, vive e observa o seu próprio lugar no mundo artístico: entre impulsos, deriva e imaginação. Influências artísticas Durante a fase inicial - sobretudo nos dois primeiros EPs - os Devaneio descrevem o seu som como “bossa nova punk”, um ponto de partida que continua presente na sua música, mesmo depois de explorarem outros géneros e estilos no álbum Sublime . As influências que reconhecem mais abertamente - Manel Cruz e Boogarins - ajudam a situar o seu território estético, entre introspeção poética e psicadelismo desconstruído. Ainda assim, a banda insiste que o essencial está na mutabilidade: “Estás sempre a mudar um bocado as influências; todos os sons estão sempre um bocado diferentes uns dos outros”, disse "Joe". É nessa polivalência que constroem um universo onde a bossa nova convive com o punk , a eletrónica se enlaça ao rock e a poesia íntima se cruza com um sarcasmo feroz. Ouvir Devaneio é mergulhar numa paisagem emocional mais do que num género musical específico. O som oscila entre melancolia e agressividade, groove e beleza, quase sempre marcado por uma dramaticidade que é fruto tanto da introspeção como de uma sensibilidade claramente cinematográfica. Ao longo das faixas, fazem-se notar tensões prolongadas, contrastes bruscos, silêncios densos e explosões emocionantes. Essa estética estende-se também ao material gráfico. A capa do álbum Sublime , construída a partir de nove edições da capa dos singles “Nuvem” e "No Final"- fotografia captada por Petko - funciona como um rolo de filme fragmentado, evidenciando a influência do cinema no processo criativo da banda. EPs O primeiro EP, Terapia Alternativa , expõe a banda no seu estado mais cru. O trio afirma que este projeto funcionou como um exercício expurgador, tal como o nome sugere: muitas das letras surgiram num fluxo quase automático, sem grande edição, transformando em matéria sonora a sua turbulência interior - produto de um frenesim de emoções, conflitos interiores, estados e hábitos decadentes. Entre faixas como “Arte é uma necessidade”, “Justificação” ou “Aziado” (videoclipe disponível no YouTube ), Terapia Alternativa abre uma janela onde a sensação de desperdício, o medo de “passar a vida a anhar”, o delírio e e ansiedade entram e saem sem filtros. Seguiu-se Todo o Meu Tempo , um EP que explora o desgaste da repetição e a impressão de que, por mais que se tente aprender e sair do ponto estagnante, a vida insiste em regressar ao mesmo lugar - num loop profundamente paradoxal entre “ter vontade e ficar sempre a moer”. Desta forma, músicas como “Rotina do Passa” ou “Na Merda” espelham esse labirinto emocional, enquanto o EP mistura bossa nova punk , eletrónica distorcida e impulsos psicadélicos. Adicionalmente, o título deste projeto liga-se diretamente à canção homónima, que explora simultaneamente paixão e ausência numa envolvência de urgência. Álbum - Sublime Publicado a 24 de outubro do ano passado, Sublime , representa a fase mais expansiva dos Devaneio - o lugar onde tudo o que tinham experimentado até então se consolida e se multiplica. O disco reúne inquietações, frustrações, crítica social e vulnerabilidade, moldando-as numa convivência improvável entre suavidade, alucinação, apatia e ruído. Sublime assume também um certo carácter cronológico: parte das faixas são composições antigas, resgatadas e reinventadas, que a banda não queria deixar estagnar. Tal gesto acabou por ampliar o espectro sonoro do álbum, explicando o seu carácter heterogéneo - um laboratório onde convivem punk , bossa nova desconstruída, funk-rock abrasivo, eletrónica experimental e grooves hipnóticos. O experimentalismo instrumental ganha destaque em faixas como “Psicose Teknológica” - atravessada por uma energia eletrónica quase maquinal - e em “606” - uma paisagem densa e totalmente instrumental nascida, segundo a banda, de uma fase “marada” onde comunicavam mais a tocar do que a falar. Entre as músicas há ainda espaço para algumas mensagens subtis e quase ocultas, que reforçam o carácter multifacetado do disco, como em “Songa-monga (Mango Song)” - a primeira composição de Margarida “Manga” para a banda - ou em “0202”, que traduz os acordes usados na sua conceção. Quando questionados sobre o título do disco, riem: “Era isso ou Suculento” - uma referência a um billboard de um restaurante de buffet em Palmela que encontravam repetidamente durante o processo de criação, um fragmento de realidade tão absurdo quanto o seu humor. Sublime ficou, desta forma, pelo seu sentido poético, como puro devaneio sublime. Uma geração à deriva Ainda que a banda tenha músicas e estilos para todas as idades, os temas que atravessam Sublime retratam um sentimento coletivo de deriva - um diagnóstico de uma geração que tenta existir num tempo sem mapas nem instruções. Assim, os Devaneio dão voz a uma juventude adulta presa entre saturação digital (“Fdz o Insta”); ausência de rumo (“À Deriva”); ansiedade existencial (“Meio Frango na Grelha Só Leva um Alho”); decisões acumuladas entre inércia (“0202”), e a procura incessante de sentido (“O Caminho do Ser”, “Pedir Muito”), entre outras temáticas. A condição de artistas emergentes em Portugal Questionados sobre o cenário artístico nacional, não hesitam: “Falta apoio, faltam espaços, falta abertura para quem está a começar. Muitas vezes pedem para tocar baixinho, ou preferem que faças covers. Não há lugar para experimentação”. Ainda assim, em vez de cederem a este desencanto, respondem criativamente. Um exemplo da transmutação da sua frustração em música é a faixa “Não Vales um Cu”, incluída no álbum, onde a banda confronta diretamente o desinteresse institucional e social pela arte. Neste sentido, o próprio grupo reconhece que, para eles, criar é igualmente um gesto de resistência num cenário em que a arte é frequentemente tratada como ruído suplementar. É neste território que surge a intenção dos Devaneio perante o público: provocar consciência, inquietação e até um certo desconforto. “Devaneio é tipo... baza experimentar estilo que choca as pessoas”, afirmam. Palco e futuro Com mais de quinze concertos ao vivo desde a sua formação, os Devaneio afirmam-se no panorama independente com performances  cruas e imprevisíveis. A força da banda reside na forma como articulam mistura, risco e intenção, sendo cada faixa um exercício de experimentação consciente, e cada atuação uma extensão física da sua inquietação criativa. Quanto ao futuro, não traçam planos rígidos, mas revelam ambicionar criar mais músicas em que experimentam ao máximo diversos estilos e géneros, entrando ainda mais a fundo no contexto pluridimensional artístico. Para quem quiser acompanhar de perto este percurso - e testemunhar ao vivo a imprevisibilidade que tanto os define - a banda atua dia 18 de janeiro na Fábrica de Alternativas (Algés), com entrada livre. As restantes atualizações estão disponíveis no Instagram  e no Spotify .  Fotografias: Devaneio

  • Eleições Presidenciais

    A partir de quando é que deixámos de ter critérios na escolha de um candidato para Presidente da República? Mais um mandato completo, mais uma eleição. No próximo dia 18 de janeiro, os portugueses enfrentam um desafio não tão simples quanto aparenta ser. Os eleitores não só têm a oportunidade de eleger o Presidente da República, como podem decidir um novo rumo e uma nova “cultura política “no nosso país. Portugal, país do Fado e de típicas praias. País de arte, de cultura, de desporto e de grandes navegadores. A nossa pátria habita, sim, na madrugada “inteira e limpa”, emergida e resplandecida na democracia que coloriu um silêncio que assombrava há muito uma sociedade. Esta ausência de cor não está presa aos livros de História. Verifica-se na disseminação de fake news , nos discursos populistas e na população, que amedrontada, deixa de se expressar. É neste perigo que nos ameaça, que sabemos que  “o que faz falta é avisar a malta”  sobre as eleições de 2026. Estas eleições assemelham-se particularmente às presidenciais de 1986. Uma grande polarização entre a esquerda (encabeçada pelo Dr. Mário Soares) e a direita (protagonizada por Diogo Freitas do Amaral). Um medo absurdo de voltar ao passado sombrio, que requer a união de todos os democratas. Contudo, nenhum candidato à esquerda é Mário Soares do século XXI, e nenhum candidato à direita apresenta a transparência de Freitas do Amaral. Nos dias de hoje, da esquerda à direita, o catálogo de opções, ainda que vasto, não agrada à maioria, na medida em que as facções políticas tradicionais têm vindo a perder a sua identidade ao longo dos anos. Para o eleitorado de direita são várias as opções, desde ao líder do CHEGA, André Ventura, ao cabeça de lista das passadas europeias pela IL, João Cotrim de Figueiredo, ao candidato mais tradicional apoiado pelo Partido Social Democrata e pelo CDS-PP, Luís Marques Mendes. Para além disso, encontramos um candidato que se situa “ao centro”: “entre a social-democracia e o socialismo”, o Almirante Gouveia e Melo. Embora a esquerda tenha perdido força nas últimas legislativas, não tardou em fazer a sua habitual divisão, como fizera também em 86 entre Zenha e Soares. Nestas presidenciais encontramos, essencialmente, quatro candidatos que se situam à esquerda no espectro político: desde António José Seguro, ex-secretário-geral do Partido socialista; António Filipe, ex-presidente de mesa da Assembleia da República; Catarina Martins ex-líder do Bloco de esquerda e Jorge Pinto, deputado pelo Livre. Quando me deparei com a lista de dez candidatos à Presidência da República, tive de decidir não o melhor candidato, mas o que tem menos falhas, o que me leva a questionar “A partir de que momento é que deixou de haver critérios, definidos socialmente, para a candidatura a Presidente da República?” Inicialmente, apercebi-me que uma das características que mais se tem vindo a perder na esfera política é o espírito de  “sentido de estado” . Um Presidente zela por todos, independentemente de serem ricos, pobres, mulheres, homens, do litoral ou do interior. Ao Presidente acresce-lhe a responsabilidade de representar diplomaticamente o nosso país, chefiando as forças armadas, mediando as guerras políticas e a  “cultura de trincheiras” , que se instaurou no país. Por essa razão, excluo automaticamente André Ventura, pelas suas posições intransigentes perante o Presidente angolano e o Presidente brasileiro; Catarina Martins e António Filipe por se afastarem do modelo de valores europeus que residem na nossa Constituição da República e Jorge Pinto, por ainda não ter experiência mediadora suficiente para um cargo de tamanha importância. Deste modo sobram de maneira geral quatro candidatos que se vão aproximando do centro democrático: Almirante Gouveia e Melo, João Cotrim de Figueiredo, Luís Marques Mendes e, por fim, António José Seguro. No último debate realizado, entre Luís Marques Mendes e Almirante Gouveia e Melo, apercebi-me exatamente dos dois modelos de presidente que Portugal não deve eleger para assegurar a estabilidade. Por um lado, o candidato da continuidade : que ainda que experiente, viveu toda a sua vida na política ou no lobbying  e que admite proceder de forma semelhante a Marcelo Rebelo de Sousa em casos futuros (Luís Marques Mendes) e por outro, o candidato da rutura , que com o seu espírito colérico e intempestivo acredita que a mudança em Portugal se faz fora do sistema e não com o melhor que o sistema tem. Com isto, da esquerda à direita existem dois candidatos que se destacam pela sua singularidade. Em primeiro lugar, João Cotrim de Figueiredo que embora muito ideológico, é um candidato prático e terra-a-terra, crescendo imenso através do seu marketing  brilhante que conquista os mais jovens nas redes sociais. Porém, a Cotrim falta-lhe a empatia e a defesa do elevador social que carecem no seu discurso ainda muito liberal. O ex-líder da IL é certamente ambicioso e trabalhador, mas ainda é preciso mais para se ser Presidente. E é por isto que António José Seguro, ainda que seja conotado por muitos como “mais um herdeiro do Partido socialista” , é exatamente o meu modelo de político . Pautado pelo humanismo, pela seriedade e pela transparência, Seguro é figura humilde, que não tem medo de defender convictamente a justiça social, mas de forma coerente e acima de tudo responsável . Realço, então, o seu “sentido de estado” , principalmente na Troika, onde sacrificou os interesses do eleitorado do Partido socialista, para garantir a credibilidade do nosso país. Deste modo, Seguro é verdadeiramente um candidato abrangente, apoiado pelo partido que o formou, por figuras mais à esquerda e por alguns eleitores de centro-direita, onde me enquadro. E por essa razão, é necessária a união de todos os democratas, da esquerda à direita, em torno desta candidatura. Isto é fulcral porque o passado conta-nos que a hegemonia de um partido em todos os órgãos de soberania origina ausências no escrutínio e no progresso social. Por isso, na dúvida prefiro jogar pelo seguro a arriscar e dar um tiro no escuro e ter o azar de votar num fator de instabilidade, num compassivo com radicalismos ou num candidato que serve um partido e não os portugueses.  Desta forma, não devemos meter os ovos todos no mesmo cesto, já que quem sofrerá não será o cesto, mas quem lá colocou os ovos.

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  • Jur.nal | Uma voz pela cultura

    O Jur.nal é um núcleo de estudantes autónomo da NOVA School of Law, investido na missão de valorizar e dignificar tudo aquilo que nos valoriza e nos dignifica a nós enquanto humanos: a cultura, a arte, a literatura e a poesia. A R T. 7 3 .º / 1 Constituição da República Portuguesa Todos têm direito à educação e à cultura. Dizem os passarinhos... Aqui estão as novidades que voam por aí É com muito gosto que a Direção apresenta “Fora do Cartaz”, uma rubrica de foro cultural onde se procura iluminar aquilo que, tantas vezes, vive nas margens - o que acontece longe dos palcos principais, onde a arte respira sem pressa, ainda pulsando em estado bruto. Estes acabaram de sair do forno... Ata de Eleição da Direção de 2025/2026 Jurpontonal Nova Law Lisboa 3 days ago 2 min read 10 factos curiosos sobre a ilha da Madeira Sísifo Martins 3 days ago 1 min read Rendez-vous Anónimo Dec 4, 2025 2 min read A poesia é toda igual Geraldo sem Pavor Dec 3, 2025 1 min read ... Sobre nós Ora, vejamos, reza a lenda que no Jur.nal nunca foi avistado um único jurista e dos que entravam pelas portas jur.nalescas a dentro (até gritando em alto e bom som “abre-te sésamo”) nunca mais se ouviu falar deles. Aqui não há juristas. Banimos os juristas do Jur.nal. Ler mais... Rubricas Lembro-me que... Era uma vez um lugar chamado "Lembro-me que..." , onde as memórias não precisavam de ser iguais para serem verdade. Um mesmo momento podia ser lembrado de mil formas diferentes, guardado em detalhes pequenos, em sensações, em coisas que só quem lá esteve consegue explicar. Aqui, cada versão acrescenta um novo capítulo à história, como um conto que se vai desenrolando aos poucos, e que só se descobre lendo até ao fim. Espreita aqui... Carta Aberta Algures entre o desabafo e o manifesto estas cartas aparecem. Não pedem licença não batem à porta. No "Carta Aberta" encontrarás cartas largadas à comunidade estudantil, como quem cola um aviso na parede, para quem quiser ler ou para quem precisar de ouvir. Espreita aqui... Melopeia A ideia é escolher um álbum e reinventá-lo – produzir uma “melopeia” por cada track - escrevemos uma frase/um parágrafo inspirado na música, no seu significado em geral ou num verso que nos levou a uma sequência de pensamentos. Incentivamos ao enlace de mãos entre vários tipos de arte, ao fim ao cabo, somos apaixonados por muita coisa, com diferentes formas e feitios. Sabemos, também, que a música, por ser quase (ou ser mesmo) poesia cantada, adora grudar-se à escrita. Espreita aqui...

  • A Direção | Jur.nal

    A Direção Talvez tenha sido a partir de uma fusão entre o absurdo e a profecia jurnalesca que a nova direção surgiu. Por um encontro improvável de edições físicas antigas, estas que são nada mais nada menos que guardiãs de vozes, lutas e ecos; estas que são os pilares vivos da história deste núcleo. Era, de facto, uma mera questão de tempo até que nós, como Direção 2025/2026, as erguêssemos como relíquias indissolúveis, reafirmando o compromisso coletivo de carregá-las e ao seu legado para sempre, como sempre. Diretora Lara Cândido É hora. Num encruzilhar de tempos inexorável, onde os segundos se dilatam como galáxias e os instantes colapsam em singularidades, habito este agora suspenso. Entre buracos de minhoca que costuram o que foi ao que ainda será, entre eclipses de sentido e explosões semânticas e entre condensações de linguagens, metáforas, estilos e intenções. E é neste cosmos que me situo - agora enquanto diretora. Avanço pela relatividade do tempo redacional, onde o que já foi continua a acontecer - a acontecer em acontecimentos que não cessam de acontecer, e nunca deixam de o ser (complexos) - em ecos gravitacionais - e que ecos tão bonitos, que inspiraram tantas pessoas, como a mim - e o que virá começa a insinuar-se no presente como poeira estelar que ainda arde. Nesta travessia, orientamo-nos por mapas instáveis, guiadas por constelações de sentido no lugar de coordenadas fixas. Porque o Jur.nal move-se como um corpo celeste vivo: expande-se, contrai-se, sem nunca perder o seu eixo - dar voz à comunidade académica. E é em torno dessa voz que eu e as minhas colegas seguimos em órbita. Assim, neste agora que não é início nem fim nem fim nem início nem meio sem freio - e onde a linguagem tropeça porque também tem a sua compressão imensamente hermética e dispersa - permaneço consciente de que este núcleo não existe para arquivar o tempo, mas para o habitar e transformar. E enquanto houver palavra, haverá movimento; enquanto houver voz, haverá universo. Diretora-Adjunta Maria Leonor Lopes A nostalgia é intrínseca ao ser humano. Faz parte da nossa essência recordar e reviver o passado. Há quem diga que se romantiza demasiado aquilo que já foi, mas o que seria da vida se não o fizéssemos? Escrever é não só um refúgio, mas também uma forma de eternizar palavras. Recordemos, então, entre linhas, o bom e o mau, o feio e o bonito, e tudo aquilo que a inexorável passagem do tempo nos deu. Que este ano e este mandato vos marquem tanto como o Jur.nal me marcou a mim, e que se lembrem das palavras dos nossos redatores da mesma forma que nós nos lembramos daqueles que aqui estiveram antes de nós. Quase como o arquivo vivo desta faculdade, este núcleo surge e ressurge para ouvir os estudantes, desde os seus pensamentos mais íntimos às suas opiniões mais controversas. Escrevam connosco mais um bonito capítulo desta história. Um capítulo feito de vozes diferentes, de perspetivas que se cruzam e de palavras que, mesmo quando efémeras, deixam marca. Entre prazos apertados e ideias que surgem às três da manhã, é neste caos criativo que o Jur.nal encontra a sua identidade. O tempo passará, como sempre passa. Novos rostos ocuparão estas páginas, outras mãos escreverão estas linhas. Mas permanecerá aquilo que verdadeiramente importa: a memória coletiva. E, um dia, também nós seremos nostalgia nas palavras de alguém. Diretora- Adjunta Matilde Almeida Palavras não são fáceis de entender. A sua coreografia de letras e sons dança, por vezes descoordenamente, ao acelerado ritmo do sentimento. Tal como nós, as palavras nascem, crescem e eventualmente morrem. A sua vivência depende do cuidado com que as tratamos, do carinho que lhes damos e o amor com que as empregamos: pequenos instrumentos da alma, as palavras esvoaçam pela nossa vida como apressadas andorinhas que anseiam o calor do sul. Palavras que tomamos como certas. Palavras que queríamos ouvir. Palavras que não tivemos coragem de usar. Palavras são feitas para serem partilhadas e viverem – soltas e livres – entre nós, como entidades que preenchem o vazio e sombrio desta vida terrena…pequenos sussurros divinos. Vítimas de egoísta esquecimento, passamos mais tempo a tentar encontrar-nos nas palavras dos outros, do que a abraçar o aconchegante refúgio que está nas nossas próprias. Palavras são gritos da alma, prontos a romper a monotonia do tempo e a combater a inércia humana. Agarra nas tuas palavras, vai à luta com elas, usa-as como arma e como escudo…liberta-as da mente que as aprisiona e deixa que o seu voo te liberte a ti também. Diretora-Adjunta Matilde Aranha Uma pessoa ao telefone em estrangeiro, num estrangeiro às vezes conhecido, num quase crioulo que se faz compreensão e fluência desprevenida, pela curiosidade da beleza do próximo. Assim fiquei a falar a mesma língua que o Jur.nal. Com trocas de banco no transporte envisionando o aproximar para perceber, e desvios dos cabelos do tímpano mais habilidoso. Num entrosamento vagaroso e tímido, aprendi-me a sentar ao lado da voz que queria que me fosse interlocutora. Falo para dentro e pelos cotovelos, ouço as conversas dos outros e muitas vezes converso-as de mim para mim. Não costumo jantar à mesa ou acompanhada e por isso não me via regrada, penteada, a segurar bem nos garfos em ensemble que fosse. O medo do atrofiar da identidade atordoa mais do que salva as baratas vertiginosas que somos nós, quem como eu é, bicho assustado do buraco. Encostado o ouvido à chamada que me parecia tão jamais para mim ou passível de passar por mim com orelhas de entendedor, percebi que o jur.nal é um daqueles links mágicos perdidos entre o entulho de informação de grupos avulsos e repetitivos, de entrada liberada e cadeira e janta à espera dos que queiram aparecer, e que se pode jantar num desembrulho de gestos de louva-deus e levantar-se da mesa entre um engolir e o seguinte para se ir pedir um desejo debaixo dos pés de alguém e em seguida fazer uma trança no cabelo de uma dizedora recordista do saber de memória os textos das edições de 2004 para a frente, por exemplo. Como dizia Platão, o bicho só fica no buraco porque não sabe que o Jur.nal é muito fixe e que se pode literalmente mandar o que um Homem quiser para lá, ou coisa parecida.

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    Escrita Livre Aqui não há mapas nem regras fixas. As palavras aparecem como querem, seguem o ritmo do pensamento, do impulso ou do dia. É um território onde és convidade a experimentar, e onde a liberdade é a única exigência. Já dizia Fernando Pessoa, Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo. Read More Poesia Há composições que não caminham linearmente, ganhando asas e flutuando no universo sem fim. A poesia nasce entre poeiras nesse cosmos, onde as palavras respiram, tropeçam e se abraçam. É onde o silêncio também escreve, onde uma frase miúda contém todo um mundo, e onde cada verso é um convite para olhar mais devagar. Read More Apreciação Crítica Muita atenção! Nesta rubrica observa-se tudo com a devida cautela, escuta-se o que está nas entrelinhas e tenta-se compreender o que está por dizer. Sejam bem-vindos ao encontro entre quem cria e quem interpreta. Read More Texto de Opinião Eis um espaço onde as ideias ganham voz própria; onde se pensa em voz alta e se questiona o que parece certo e dar forma ao que se sente. Cada texto é um ponto de vista lançado ao mundo, aberto ao diálogo, à discordância e à reflexão que continua mesmo depois da última linha. Efetivamente, a doutrina diverge… Read More Carta Aberta Algures entre o desabafo e o manifesto estas cartas aparecem. Não pedem licença, não batem à porta. No "Carta Aberta" encontrarás cartas largadas à comunidade estudantil, como quem cola um aviso na parede, para quem quiser ler ou para quem precisar de ouvir. Read More Lembro-me que... Era uma vez um lugar chamado "Lembro-me que..." , onde as memórias não precisavam de ser iguais para serem verdade. Um mesmo momento podia ser lembrado de mil formas diferentes, guardado em detalhes pequenos, em sensações, em coisas que só quem lá esteve consegue explicar. Aqui, cada versão acrescenta um novo capítulo à história, como um conto que se vai desenrolando aos poucos, e que só se descobre lendo até ao fim. Read More Melopeias A ideia é escolher um álbum e reinventá-lo – produzir uma “melopeia” por cada track - escrevemos uma frase/um parágrafo inspirado na música, no seu significado em geral ou num verso que nos levou a uma sequência de pensamentos.Incentivamos ao enlace de mãos entre vários tipos de arte, ao fim ao cabo, somos apaixonados por muita coisa, com diferentes formas e feitios. Sabemos, também, que a música, por ser quase (ou ser mesmo) poesia cantada, adora grudar-se à escrita. Read More Entrevistas Não se procuram meramente perguntas e respostas; procura-se perceber, sentir e descobrir. Aqui as vozes revelam-se e as histórias pequenas ou grandes encontram lugar para respirar, cada entrevista sendo um mapa de curiosidades e um convite para olhar o mundo pelos olhos de quem o vive. Read More Sem Direito Com a intenção de criar uma ponte transparente entre os estudantes, docentes e não docentes da NOVA SOL, a antiga coordenação de entrevistas composta pela Maria Leonor Baptista e pela Maria Castro Ribeiro deram luz a esta rubrica (inspirada no estilo do Guilherme Geirinhas), que te transporta, entre ironias, até aos mais ínfimos segredos e contos dos entrevistados - sem inibições, tabus, ou direito. Read More Trocado por Miúdos O Trocado por Miúdos é uma ode à brevidade. O reconhecimento de que, por vezes, dizer pouco é dizer o suficiente, e que algumas escassas palavras podem percorrer em nós um longo caminho. Criada pela Maria Leonor Simão, esta é a rubrica para todas as linhas rascunhadas nas notas do telemóvel ou num caderno, deixadas ao esquecimento. O espaço para todas as frases que se ouvem de raspão na rua e que ficam connosco. A casa para toda a expressão literária que, não exigindo um romance, ainda assim merece ser lida. Tudo é bem-vindo! Read More Dicionário Antes de serem som, as palavras foram desenho; traços gravados para fixar o mundo; símbolos inventados para dar forma ao invisível. Neste nosso dicionário idiossincrático, regressamos a essa origem: cada palavra é um sinal aberto, reinterpretado por quem o lê e por quem o escreve. Aqui, desenhar é definir; definir é redesenhar; definir é imaginar. Read More Fora do Cartaz Shhhh, é segredo. Esta rubrica, dedicada à cultura, serve para refletir a luz incidente que por vezes não é captada. Encontramos vozes que começam, projetos que crescem e ideias que ainda não pediram licença para existir. Na verdade, não é um segredo - é precisamente o contrário, um espaço de descoberta e partilha, que almeja que a cultura independente ganhe visibilidade sem precisar de gritar. Ou talvez precise. É bom gritar. Read More

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