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28 de Janeiro de 1976

Uma força nunca vista antes. Lembro-me de olhar para a sua figura e sentir-me o ser mais pequeno do universo. Diante dela, o mundo encolhia, e eu também. Pergunto-me se sabe que, todos os dias, eu escolheria não estar aqui se isso significasse o seu triunfo.


Passam anos e anos, um atrás do outro. Cresço e já não sou assim tão pequena. Já sei caminhar, já sei manter a calma, mas ainda é ela a primeira que me vem à cabeça quando tropeço ou quando o ar dispara para tudo quanto é canto, menos para os pulmões.


Às vezes, pego-me a pensar, em meio a tarefas muito importantes do dia, quando estava na cozinha, sentada no chão, a apreciar as tuas mãos cheias de farinha e muita história a fazer aquele bolo simples, mas que era capaz de trazer alguém de volta à vida.


Preciso de uma fatia desse bolo agora. Quero voltar à vida. Eu quero aquele chão de novo; caminhar sem ele é muito mais difícil do que eu pensava.


Eu quero uma fatia do bolo, mas hoje ele é teu.


Feliz aniversário, mãe.

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