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Quero morrer no mar

Quero morrer no mar. Espero uma morte sufocada por cada onda, a sétima que me leve de vez. Quero ser enrolada na sua espuma, serpenteada pelas suas correntes e no fim ser pousada na sua areia para um sono profundo. Não vim da terra, mas sim do mar - e para lá pretendo voltar. 

Voltarei ao fundo do mar, de onde nasci numa noite para vir preencher a lua. Salgada, fria e agitada… como ele é, foi como ele me fez. Guiada pela sua corrente, fui saltando de maré em maré até, por fim, ser pelas ondas docemente embalada até à praia, onde fui entregue a este mundo. Para trás deixei o resto de mim: as conchas, os peixes, as pedrinhas, as algas, as medusas, … todas elas aguardam o fim dos meus dias nesta vida terrena para poderem voltar a integrar e, enfim, ser eu a casa em que sempre vivi.

O mar chama-me. Eu quero entrar. Eu chamo-me a mim mesma, o meu canto enfeitiça-me. Quando dou por mim já estou submersa numa outra dimensão. A minha pele rosada das mordidas do sol e temperada pelo sal e os meus cabelos que tentam imitar cada onda que os penteia…toda eu estou pronta.

Mergulho. Silêncio. Ao fundo, oiço a sua onda no seu rebentar final. Enfim, em casa.


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