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Autocondenação

Mesmo no fundo da terra serei ossos e arrependimento, para sempre fadado a perdoar, mas sem alguma vez conseguir aceitar o meu próprio perdão.

O ser humano é destinado a errar, erros estes por vezes desmedidamente qualificáveis e, por outras, tão ínfimos que nem se deveriam lamentar.

Uma pessoa intrinsecamente má não busca o perdão, aliás, nem padece de remorso. Limita-se a oscilar entre a justificação e a omissão.

Mas se isto é verdade, porque me acho um ser desprezível?

Não me consigo perdoar, e no leito da minha morte ouvir-se-ão as minhas lamentações, a mágoa de quem magoou outro.

Não mereço perdão, nem o mínimo de compaixão pelo peso que carrego. A minha consciência pertence-me e sou eu quem a deve carregar, penosamente.

Talvez um dia sofra tanto quanto o sofrimento que dispensei com as minhas ações.

Magoar alguém que amamos é o maior crime e não merece absolvição.

Trair a minha própria ética é desprezar tudo aquilo que eu julgava ser a minha essência.

Obrigado pelo perdão, mas eu jamais me vou perdoar. 

Condeno-me perpetuamente. 

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