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adeus

adeus que me vou embora


caros colegas, amigos, 

chegou a hora de partir, e não podia fazê-lo sem que vos dirigisse umas palavras. uso o jur.nal para o fazer, porque não só sempre foi casa, como sempre figurou porto seguro nesta faculdade, e dele também hoje me despeço. 


no mito de sísifo, camus conclui que sísifo é feliz ao aceitar a inutilidade do seu esforço, tornando-se superior ao seu destino e encontrando sentido no seu próprio caminho. é difícil resumir os últimos 4 anos num texto só, mas tentando, saio como sísifo, feliz, porque como ele, encontrei no meu caminho o seu sentido, e o meu propósito. 


ao longo deste meu percurso, fiz de tudo um pouco, ocupei-me ao máximo, entreguei-me na totalidade à missão de colocar um ou dois tijolos nesta casa que almejamos tornar nossa. gosto de acreditar que fui capaz de o fazer, mas independentemente disso, o processo transformou a pessoa que sou por completo, o que só mostra o sentido da missão, e a importância que ela teve na minha vida.


e agora que me vou embora, não só me resta dizer adeus, como me resta agradecer.


aos meus padrinhos, pelos conselhos infinitamente valiosos, que me permitiram sobreviver à licenciatura;

aos meus afilhados, pela confiança astronómica que depositaram em mim, e pelo prazer que me dão diariamente ao ver-vos crescer e a encontrarem também sentido na vossa missão;

aos boémios, que se tornaram casa dentro da faculdade e que confiaram em mim para os liderar;

aos meus amigos de antes e à minha família, por compreenderem a falta de tempo, os atrasos, por me apoiarem e me darem espaço para crescer;

aos amigos que fiz na faculdade, pelo companheirismo de todas as horas e pelo papel fundamental que tiveram na minha licenciatura;

aos finalistas e à comissão, que confiaram em mim a organização do tão especial dia de amanhã;

a todos aqueles com quem falei, com quem discuti, a quem abracei, a quem amei.


obrigado, obrigado, obrigado. a pessoa que sou hoje é um reflexo de cada um de vós. levo-vos comigo, vá para onde vá. é esse sentimento que me faz saber que valeu a pena. a ele, começa a aliar-se a dor de partir, e a dor da saudade. havendo inúmeras formas de descrever saudade, permitam-me que a descreva como o privilégio de quem teve sorte de ter algo tão incrível para dizer adeus. obrigado por terem tornado os últimos 4 anos os melhores da minha vida. obrigado por me fazerem sentir saudade.


é irónico que saia com o mesmo sentimento de falta de tempo que senti nos últimos anos, mas agora já não é falta de tempo para mim, para a família, ou para o que quer que seja. é falta de tempo para que o café no bar não seja o último, para que a cerveja do convívio não seja a última, para uma última ida ao são paio, para uma próxima praxe. o meu tempo acabou, e apercebo-me que ainda bem que escolhi não ter tido tempo, porque pude viver o curso todo, na sua plenitude (ainda que a assiduidade na sala de aula tenha deixado a desejar...).


mantenho o juramento que fiz há já quase 3 anos, e que em breve vou ver fazerem pela última vez,

juro despedir-me sempre com uma lágrima no canto do olho, uma lágrima no canto do olho.


e despedindo-me, 

juro nunca dizer adeus.

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