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A minha miséria não gosta de companhia

Digo isto sendo uma pessoa que carrega uma mala muito pesada e nunca sabe onde a largar, ou quando...

Existem teorias, palpites e talvez até diagnósticos; não sei, não lembro.

Tudo para mim é casa, nunca foi essa a questão. Moldo-me sempre na esperança de saber quem sou, quando sou, como sou...

Em busca de respostas, ora me desfaço, ora me reinvento, sempre mantendo fragmentos de tudo e de todos que por mim trespassaram. 

Porém, com um cérebro desventurado e incapaz sequer de acompanhar o quotidiano do coração, e uma alma que anseia por diligência mas se recusa a despir a carcaça miserável de ferro, torna-se fisicamente impossível e pungente ressumar esse trautear, pois transbordo fervor da mesma forma que carrego dormência e lacunas na memória.


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