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  • A realidade de ser só mais uma

    A eterna pergunta: quantos sapos tens de beijar antes de chegar ao teu príncipe? Será que os homens pensam nisto? Será que têm de pensar? Será que interessa? A vida académica oferece-nos dos momentos mais bonitos que podemos viver, oferece-nos paixão e mistério, chama e felicidade (a uns até oferece amor), mas também oferece muita desilusão e angústia. Entramos todos no mesmo sítio e saímos todos juntos, mas será que passamos todos pela mesma experiência? Uma grande parte da vida de qualquer estudante é ir sair à noite, viver a loucura dos anos de universidade e cometer erros… e sejamos honestos, todos os cometemos, mas nem todos os sofremos da mesma forma. Eu vejo raparigas incríveis, bondosas, inteligentes, acima de tudo, ambiciosas, a perderem-se em rapazes que se tornaram semideuses pela lei da oferta e da procura. Amigos, não se iludam, é simples, a oferta é escassa e a procura é elevada, aumentando assim o valor dos produtos. Não é isso que o mercado livre nos ensina há anos? Vemos isto no nosso dia a dia, lutamos contra a sua concretização, lutamos para que as pessoas sejam apenas pessoas e não tenham um qualquer valor inflacionado associado, que sejam quem são pela sua personalidade e não pelo seu órgão sexual. Pelo menos, é isto que tentamos fazer com as mulheres, que sejam todas iguais, que tenham todas o mesmo valor, que possam todas viver livremente e abertamente e, depois, vemo-nos confrontadas com o sexismo sistémico que torna os escassos rapazes da nossa faculdade numa espécie de panteão sexual, em que podem dizer e fazer o que lhes bem apetecer, sem apreço por quem magoam no caminho ou pelas inseguranças que criam; tudo isto por serem apenas isso, escassos. Devo dizer que são um caso de estudo fascinante, uma minoria não discriminada… Por muito que apelemos ao amor próprio e à independência, não confundam as coisas, pois elas não são mutuamente exclusivas, ser feminista e querer sexo/amor é uma realidade, poupem-me o discurso. Ninguém quer estar sozinho numa quinta à noite, ninguém quer ser a pessoa ignorada, renegada para um canto, no fundo, ninguém quer ser invisível – queremos todas tentar a nossa sorte e que, os poucos que existem, reparem em nós. Queremos divertir-nos e viver a nossa vida de jovens adultas, como todos querem, e acabamos objetificadas (não há nada de novo aí) e gozadas, como se não estivéssemos a fazer exatamente o mesmo que todos os rapazes também fazem (honestamente, nós não nos beijamos a nós próprios, ok? Tem de haver uma contraparte) e, no dia seguinte, ainda temos de nos levantar e ouvir a faculdade falar sobre as nossas vidas pessoais e em como fomos só mais uma… só mais uma gota no oceano… aquela que ele comeu ontem. Posso andar desatenta, mas não me lembro de ter ouvido a história ao contrário ainda, ou, se a ouvi, não foi bem com o tom glorioso com que os rapazes a partilham, foi com um tom de pesar e nojo que ascende nas vozes nestes momentos. Que grande double standard! E tudo numa faculdade em que as raparigas estão em maioria. Poupem-me! Se nós somos só mais uma, eles também o são, no entanto, não tendemos a ouvi-lo assim, as mulheres são eternamente umas românticas desesperadas (pelo menos, é o que tenho entendido da representatividade feminina nos filmes…) à procura do rapaz perfeito que lhes pegue ao colo e leve a passear de cavalo. Que visão maravilhosa! Acho que me vou emocionar. Por favor! É quinta à noite, não é o teu cavalo que nós queremos ver. As mulheres não são só uma coisa, nem só um momento, nós queremos divertir-nos e queremos o nosso respeito. Queremos escolher ter dias em que vocês são só mais um e outros em que procuramos o um que vai interessar no fim das contas. Queremos ter dias em que não queremos nenhum e dias em que queremos todos. Queremos ter dias em que duvidamos do que queremos e dias cheios de certezas. Queremos ter todos os sentimentos a que temos direito, lágrimas no fim de um filme romântico, alegria após um beijo doce, paixão numa noite ardente e raiva quando somos SÓ MAIS UMA. Somos pessoas, não bonecas para brincar e mandar para a reciclagem. Vocês também não querem ser só mais um, porque é que acham que nós queremos? Somos todos jovens adultos e queremos todos divertir-nos e encontrar o nosso caminho, só peço que, no entretanto, sejamos todos tratados da mesma forma pelas mesmas ações. (Peço, desde já, desculpa a todas as masculinidades frágeis atingidas no processo)

  • UM RIO QUE NÃO VAI PARAR

    Já alguma vez ouviram estas afirmações ou similares? “Os portugueses estão sempre a falar mal de si e de Portugal, mas se algum estrangeiro fala mal de Portugal ou dos portugueses até trepamos as paredes” “Os estrangeiros ainda não perceberam que os únicos que podem falar mal de Portugal são os Portugueses.” Ora, a mesma lógica pode ser usada quanto ao partido político mais português de Portugal, o Partido Social Democrata - o PPD. Este partido, que também é o meu, é uma alegria. Paz, Pão, Povo e Liberdade! Nascido a 6 de maio do ano da revolução, tem, 49 anos passados, 77 mandatos na Assembleia da República, conquistados com 1.618.343 votos nos nossos concidadãos. 6 dos 21 eurodeputados portugueses são laranjas, 114 dos 308 presidentes de Câmara Municipal também o são. Lidera o Governo Regional da Madeira desde 1979 e o Governo Regional dos Açores desde 2020. É definitivamente um grande partido desta segunda República. O PSD é um partido composto por milhares de pessoas ideologicamente não alinhadas, desde umas dezenas de verdadeiros social-democratas a outras centenas de grandes neoliberais, pelo meio não perdendo alguns agrobetos toureiros filhos do CDS e meus companheiros da JSD, a sua grande casa. Sendo do Norte (a melhor região do país), devo notar que acima do Mondego a existência do espécime agrobeto é, felizmente, exígua. Aquela indumentária e as corridas de touros são coisas que, realmente, não fazem grande falta. O partido que se diz não-socialista mas que se chama Social Democrata é uma fonte inesgotável de conteúdo para os OCS. É um partido que vai a eleições internamente com mais energia do que externamente. As disputas presidenciais no PSD são as únicas verdadeiramente competitivas e interessantes em Portugal. Não se pense, no entanto, que o PPD vai dividido a eleições nacionais. Invariavelmente vai unido em torno do líder, que se as vencer, será corado imperador, e que se as perder, será apunhalado imediatamente a seguir. Chega a ser de “partir o caco” ver personagens juntas em arruadas, sorridentes saltitantes, que se odeiam abertamente. O PSD é mágico, o partido do amor. Somos também o partido de Belém. Desde 2001 que o Partido Socialista não disputa as eleições presidenciais e, por isso, conseguiu o PSD eleger Aníbal Cavaco Silva (Doutor em Portugal) e Marcelo Rebelo de Sousa (Doutor em Portugal) em 2006, 2011, 2016 e 2021. Não gosto de nenhum deles. O primeiro acabou a presidência impopular e o segundo para lá caminha, com a agravante de estar a vulgarizar a Presidência da República diariamente. Somos o Partido que reverteu a índole comunista da Constituição, que implementou o Serviço Nacional de Saúde, que multiplicou quase 4 vezes o produto no seu grande período de governação (85-95), que dotou Portugal de uma rede de infraestruturas rodoviárias que revolucionou o país, nunca se aproximou tanto a nação. Somos o partido que tirou Portugal da assistência financeira pedida pelo Sócrates (Engenheiro em Portugal). São motivos de orgulho. O Líder da Oposição, Luís Montenegro (Doutor em Portugal), foi eleito em maio deste ano, com mais de 19 mil votos de companheiros laranjas. Apoiei na altura o Jorge Moreira da Silva (Doutor em Portugal), que perdeu redondamente, mas ganhou o meu coração. O Presidente Montenegro não me inspira grande amor, mas acho-lhe graça, ainda há de ser primeiro-ministro, mais cedo que tarde visto que o António Costa (doutor em Portugal) está a encarregar-se pessoalmente de desintegrar com estrondo o seu Gabinete, o que me deixa feliz. 2023 pode ser um bom ano. Espero que este meu partido saiba construir uma boa alternativa a este desgoverno, que alheado da realidade dos dias iguais, mantém uma narrativa mentirosa, amorfa, suportada pela classe geriátrica, que condiciona e mata o futuro de todos nós. Se continuar a haver governo, demito-me do jur.nal, não vá ser convidado para Secretário de Estado da Educação. Termino esta pequena reflexão com uma citação do Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo Grã-Cruz da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito Grã-Cruz da Ordem da Liberdade Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, Senhor Francisco Sá Carneiro, minha maior inspiração “Medimos os desafios a enfrentar e sentimos a impaciência acumulada nos anos passados que sobre nós pode desabar. Mas não tememos os riscos, nem receamos a esperança. A força forja-se na luta, a firmeza no combate pelos princípios, a coragem no enfrentar da crise." Saibamos não recear a esperança e não fugir ao combate.

  • A Burocracia de Estar Vivo, ou, R=01010010

    O teu corpo é bomba-relógio. Tique. A máquina que te deram para navegar. Taque. Rachada. Não estás zangado, apenas cansado. Tens de respirar. Respirar custa. Poluição e drogas e venenos anónimos porque ɆⱠɆ₴ ₥₳QɄłⱠⱧ₳V₳₥-₴Ɇ ₵Ø₥ ₵ⱧɄ₥฿Ø Ø QɄɆ É QɄɆ ₦Ø₴ V₳ł ₥₳₮₳Ɽ ₴Ɇ₥ ₴₳฿ɆⱤ₥Ø₴. O teu estômago é bomba-relógio, tique fome, taque cheio. Tens de comer. Conta os dinheiros. Tens apenas XXX na conta. Conta. Coma. Calorias. ₵Ø₦₮₳ ₳₴ ₵₳ⱠØⱤł₳₴. Vais engordar hoje. Barriga cheia. Como enfias os dedos mesmo? Nojo. Garganta nojo; estômago nojo. Amanhã vais emagrecer. Tu não gostas de comida, porque o fizeste? Porquê? PorquÊ? Porquê porquê porquê – porque a máquina é fraca. Amanhã vais, amanhã vais, amanhã vais Não sais da cama. Até repousar não para o. Tique. Taique. O teu quarto vai explodir se não saíres da cama. O teu quarto é a tua cama. Roupa canto inferior esquerdo. Computador telemóvel canto superior direito. O resto tu. Estás feliz ⱧÁ 18 ₴₳₵Ø₴ ĐɆ ⱠłӾØ ₵ⱧɆłØ₴ Ɇ₴₱₳ⱠⱧ₳ĐØ₴ ₦Ø ₵ⱧÃØ ₱₳ⱤłĐØ₴ Đ₳₴ 18 VɆⱫɆ₴ QɄɆ ₥₳₦Đ₳₴₮Ɇ VłⱤ ₱łⱫ₳ ₱ØⱤQɄɆ ₦ÃØ ₵Ø₦₴Ɇ₲Ʉł₳₴ łⱤ À ₵ØⱫł₦Ⱨ₳ Ø ₵ⱧÃØ Ɇ₴₮Á ₱ØⱤ ₳₴₱łⱤ₳Ɽ ⱧÁ 100 Đł₳₴ Ⱡ₳V₳Ɽ 3006. Se bem que… há alguns pratos por lavar. Ao fim de…? Quanto tempo mesmo? Caíste da cama, foste lavar os pratos. Atiraste dois contra a parede. Mas não. Não o farias, não, não fazes mal a uma mosca genocida. Não estás zangado. A burocracia de estar vivo. Ela cansa-te. Sem estas tarefas, o teu mundinho Ḙ̮̭̫̞͕̍̈̕X̺̘͉̜̮ͮ͡P̶̼̯̹͚̝̺͎͊̀L̴͈̫̣̩̼̲̄̌̄̚Oͪͥ҉͕͔͙̟̣D̝̭̭̐̓̋́E̢͚͓̜̪̱ͭ Mas não estiveste mesmo tanto tempo na cama, pois não? Não, tu não dormes uma noite seguida há milénios duas noites. Porque o mundo lá fora também não espera por ti. Tiquetaquetiquetaque. Também a Terra é uma bomba-relógio. Tens escola/trabalho/mendigagem/que fazes na vida mesmo. Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Parabéns, chegaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! Sai da cama, tens de estar lá às 9. Oops, não saíste da cama, falhaste! ØØ₱₴, ₦ãØ ₴₳í₴₮Ɇ ₵₳₥₳, ₣₳ⱠⱧ₳₴₮Ɇ! ₴₳ł Đ₳ ₵₳₥₳, ₮Ɇ₦₴ ĐɆ Ɇ₴₮₳Ɽ Ⱡá à₴ 9. ØØ₱₴, ₦ãØ ₴₳í₴₮Ɇ ₵₳₥₳, ₣₳ⱠⱧ₳₴₮Ɇ! ₴₳ł Đ₳ ₵₳₥₳, ₮Ɇ₦₴ ĐɆ Ɇ₴₮₳Ɽ Ⱡá à₴ 9. ØØ₱₴, ₦ãØ ₴₳í₴₮Ɇ ₵₳₥₳, ₣₳ⱠⱧ₳₴₮Ɇ! ₴₳ł Đ₳ ₵₳₥₳, ₮Ɇ₦₴ ĐɆ Ɇ₴₮₳Ɽ Ⱡá à₴ 9. ØØ₱₴, ₦ãØ ₴₳í₴₮Ɇ ₵₳₥₳, ₣₳ⱠⱧ₳₴₮Ɇ! ₴₳ł Đ₳ ₵₳₥₳, ₮Ɇ₦₴ ĐɆ Ɇ₴₮₳Ɽ Ⱡá à₴ 9. ØØ₱₴, ₦ãØ ₴₳í₴₮Ɇ ₵₳₥₳, ₣₳ⱠⱧ₳₴₮Ɇ! ₴₳ł Đ₳ ₵₳₥₳, ₮Ɇ₦₴ ĐɆ Ɇ₴₮₳Ɽ Ⱡá à₴ 9. ØØ₱₴, ₦ãØ ₴₳í₴₮Ɇ ₵₳₥₳, ₣₳ⱠⱧ₳₴₮Ɇ! ł₴₮Ø ₦ÃØ É VłVɆⱤ Ɇ₥ ₴Ø₵łɆĐ₳ĐɆ 01100110 01110010 01100001 01100011 01101111 Para resolver isso, não podes ficar na cama, seu tontinho. Não podes simplesmente ir para o parque, e repousar. O céu claro virando escuro, ruídos de paranoia balada gentil do vento, o sabor a metal gosto a terra. Tu fundindo-te com as raízes das árvores. Sabias. Até as árvores apodrecem, e queimam. A natureza em si é uma bomba-relógio. Seu. Incrivelmente. 01100110 01110010 01100001 01100011 01101111. 01101110 01100001 01110011 01100011 01101001 00100000 01101110 01110101 01101101 01100001 00100000 01100011 01100001 01110011 01100001 00100000 01110011 01100101 01101101 00100000 01100001 01101101 01101111 01110010 00001101 00001010 01100101 01110101 00100000 01101110 11000011 10100011 01101111 00100000 01101101 01100101 00100000 01110011 01100101 01101001 00100000 01100001 01101101 01100001 01110010 Os que te rodeiam amam-te. até eles são uma obrigação, um compromisso. bomba. não podes esperar retorno sem investimento. ₴Ɇ ɆɄ ₣₳Ⱡ₳Ɽ ₵Ø₥ ₥₳ł₴ ₳Ⱡ₲ɄÉ₥ ₱ØⱤ Ʉ₥ ₴Ɇ₲Ʉ₦ĐØ ɆɄ ₴Ɇ ₦ÃØ ₣₳Ⱡ₳Ɽ ₵Ø₥ ₦ł₦₲ɄÉ₥ ₱ØⱤ Ʉ₥ ₴Ɇ₲Ʉ₦ĐØ ɆɄ amo-os, só estou cansado. ✞✌♓⬧ 🔾□❒❒♏❒ 🡪 ⧫◆♋ 🔾🡬□ ⬧♏ □ ♍♋■♍❒□ ♎♋⬧ ⧫◆♋⬧ ♎❒□♑♋⬧ ■🡬□ ⧫♏ ♋🞐♋■♒♋❒ 🞐❒♓🔾♏♓❒□ O mundo. Formas. É tudo o que é, no final de tudo, não é? Palavras são só formas, para se brincarem e desrespeitar à vontade. ռÃօ É?NÃOÉNÃOÉ☠⮱🏳⮷ 01101110 11000011 10100011 01101111 00100000 11000011 10101001? Tu percebes na mesma. Ou talvez não percebas, não acho que importe. Tu não percebes porque somos bombas vivendo em bombas fazendo bombas, atirando bombas para canto e escapando o inevitável. Não estou a falar da morte, seu imbecil. Estou a falar de estar vivo. É isto que é estar vivo. Ciclos de tarefas formularias. Formas. Sair da cama, conseguir chegar à porta de casa com esforço maquinal, enquanto as entranhas se partem. face a isso tens duas opções tu sabes quais Olá mundo :] EU sou só uma máquina TU também O que vais fazer com essa informação? Nós estamos exaustos. Quando não estamos, queremos fazer o mundo A̡͖̹̼͖͔̦̗͋ͮͭ ̷̞̩͇͉̑͆̍̓R̢̰̱̱̊͗ ̧͔̺̂̇̾ͥD̙̙̘̽͂͑͜ ̡̲̥̻͚͚̤͂̐̅̚E̲͕̹̟͔̒ͤ͞ ͍͎̉ͮ͛̚͡R̡͍̼̖͚̒ͥͅ ₵Ø₥Ø V₳ł₴ VłVɆⱤ Ø₴ ₮ɆɄ₴ ₱ⱤɆ₵łØ₴Ø₴ ₴Ɇ₲Ʉ₦ĐØ₴ ₦Ɇ₴₮₳ ₮ɆⱤⱤ₳ ₮₳₥ ₥Ʉł Ⱡł₦Đ₳ QɄ₳₦ĐØ ₮Ɇ₦₴ ₳ ฿ɄⱤØ₵Ɽ₳₵ł₳ Đ₳ VłĐ₳ ₥₳₮₳₦ĐØ Ø₴ Ú₦ł₵Ø₴ ₴Ɇ₲Ʉ₦ĐØ₴ QɄɆ V₳ł₴ ₮ɆⱤ eu… gostava muito que existisse algo para além disto, magias que me conectassem a ALGO MAIOR QUE OS CICLOS DA BUROCRACIA DE ESTAR VIVO mas não tenho motivos para acreditar nisso quando morrer a máquina para eu quero chorarRRRRRRR̳̖̼͈̼͂̑ͫ͘R̭̭̲̖̒͐͋͑͡R͙̘͑ͫ͜Ŕ̶̦̯̭̱̳̭͋̆R̴̻̘̮̩̅̒ͅR̺̼͚̓͞R̢̘̯̥͍͕͊̐Ȓ̼̠̜̜̑̀̐͘R͚̻͙̟̘ͮ͌͟R̵̪̱̤̭̰͔͔͕̀̎̐͂ 01010010 01010010 01010010 01010010 01010010 01010010

  • Agosto

    Lembras-te do Verão em que tudo começou? Eu convidei-vos, a ti, ao João, e ao António, ao nosso grupo, para virem passar comigo o mês de agosto, na quinta dos meus avós, no Ribatejo. Era a primeira vez que ia para lá sem eles: o avô Alexandre morreu em fins de setembro, fulminado por um ataque de coração, enquanto colhia morangos; a avó Madalena morreu pouco depois, na primeira quinzena de outubro, “de desgosto”, como diz o meu pai. Sempre é verdade o que dizem: na velhice, a tristeza mata. Vocês aceitaram o convite. Confesso que, por mim, só te tinha convidado a ti. Os outros eram dispensáveis. Não que não gostasse deles. Gostava, ainda gosto, muito; mas era contigo que eu queria estar. Era contigo que queria passar aquele Verão, e concretizar os mil planos que tinha na minha cabeça para nós. Chegámos ao fim de uma tarde de inícios de agosto. O céu tinha apenas umas camadas de nuvens desfiadas aqui e ali, e estava pintado de um tom roxo alaranjado que só a natureza consegue criar. Enquanto eu, o João e o António ficámos a tirar as malas da bagageira, tu sentaste-te no capô do carro, com olhar sonhador, a ver uma nuvem ser levada pelo vento. Recordo-me de olhar para ti e de ficar com borboletas na barriga, enquanto contemplava o teu perfil distante, inalcançável, de uma Beatriz, de Dante. Se tivesse dúvidas, naquele momento, sabia exatamente o que estava a sentir, e o que sempre senti desde o primeiro momento em que te vi: amor. Nessa noite, jantámos todos no alpendre, ao som do coaxar distante das rãs. O João fez uma sessão de stand-up, daquelas que só ele sabe fazer, e ficámos a rir-nos até de madrugada. Foi já na penumbra da noite que fomos todos dormir e que te levei, já meio tocada pelo álcool, até ao teu quarto, no rés-do-chão. Foste abraçada a mim, como se fosses uma náufraga agarrada a um pedaço de madeira que te vai levar a terra-firme. Antes de te deitar, e não sei se te recordas disto, deste-me um beijo muito ao leve nos lábios, e sussurraste-me um obrigado quase inaudível, acompanhado de um sorriso que guardo até hoje. Nessa noite, adormeci de coração quente, a olhar as estrelas. * Os primeiros dias custaram. Acordava todas as manhãs, com a janela aberta, e esperava ouvir o assobio do avô Alexandre, como ele fazia sempre, para me despertar. Estranhava essa ausência, esse silêncio. Quando ia à janela e não via ninguém, apenas um extenso terreno semicultivado, percebia que não havia assobio porque já não podia haver. É por isso que me apanhavas sempre cabisbaixo, ao pequeno-almoço, e me perguntavas, nessa tua voz afinada numa nota perfeita, se estava tudo bem. Eu fazia figura de forte, de que estava tudo bem. Mas a verdade é que estava a começar a perceber algo que pude confirmar vezes e vezes sem conta ao longo da vida: há ausências que têm o peso do mundo. Havia dias em que cismava muito com os meus avós. Em que fazia um esforço por imaginar que eles continuavam lá: que o avô Alexandre me ia chamar, de manhãzinha, para o ajudar a arrancar maçãs; que a avó Madalena, perto do meio-dia, ia gritar a plenos pulmões da janela da cozinha, a chamar-nos para almoçar; que depois do almoço íamos os três à vila, para a avó ficar a ver as montras enquanto eu e o avô íamos jogar à bola para o parque; e que, depois do jantar, eu me iria fingir adormecido mais uma vez, no regaço da minha avó, só para ela me poder tapar com uma manta, e me dar um último beijinho de boa noite, juntamente com o avô, antes de apagarem a luz. O esforço de imaginar tudo isto era sincero, mas era em vão. Esses tempos eram memória, e isso era o que me custava aceitar. Mas tu estavas lá. Todas as manhãs, todos os dias, tinha-te junto de mim. Cada manhã que passávamos juntos, no pomar, cada tarde em que íamos passear ao longo do ribeiro, cada noite em que ficávamos até de madrugada a falar um com o outro, a ler, a ouvir música, ou pura e simplesmente com a cabeça encostada uma na outra, a observar as estrelas, era um sinal, uma esperança de que o futuro albergava tantas memórias como o passado, à espera de serem criadas e colhidas. Foi num dos nossos passeios que percebi que também me amavas. Estávamos a caminhar há uma boa hora, debaixo de um sol inclemente, junto ao ribeiro que corre perto da quinta dos meus avós e que segue até ao Tejo. A certo momento avistámos a velha guarita de betão, permanentemente abandonada desde a morte do Sr. Zé, que marca o início da vila. Como se tinha tornado nosso hábito, parámos lá para descansar, sentando-nos nas velhas cadeiras de couro gasto. Para minha surpresa, no entanto, não ficaste a admirar a paisagem, como das outras vezes; ficaste a olhar para mim. Disfarçavas bem, admito. Sempre que eu desviava o olhar para ti, tu desviavas o olhar para a extensa planície que tínhamos à nossa frente. Fingias ver os patos a levantar voo do ribeiro, o gado a pastar nas forragens queimadas pelo sol, um avião a deixar rasto no céu azul límpido. Mas eu sabia que era só a mim que vias. Tanto sabia que, assim que me voltava para fingir, eu mesmo, que me concentrava na paisagem, via-te pelo canto do olho a olhar para mim novamente. Tive a confirmação deste nosso pequeno jogo de gato e rato no momento em que comecei a sorrir para mim, e te vi, novamente pelo canto do olho, a retribuir o sorriso, como que a dizeres: “Pronto, apanhaste-me! Fazes-me feliz por te fazer feliz!”. Nessa noite não falámos. Não precisávamos. Os olhos, os gestos, as expressões falavam por nós. O António foi buscar a viola acústica que guardava no meu quarto, e pôs-se a fazer um pequeno concerto privado. Lembro-me que não tocava mal, bem pelo contrário. O João ficou sentando num banco, junto às escadas do alpendre, a fumar um cigarro e a abanar a cabeça ao ritmo da música, olhando a escuridão. Tu levantaste-te das almofadas e começaste a dançar, meneando lentamente o teu corpo de jovem Afrodite, ao som da música. Enquanto o fazias, ias-me lançando olhares provocadores, flamejantes, bem como sorrisos ténues, cheios de promessas. Eu fiquei onde estava, retribuindo os olhares e os sorrisos, enquanto fumava, despreocupado e feliz, o meu cigarro Camel. Naquele momento, tu eras senhora do universo, e eu era o privilegiado que tinha o teu coração. Nesse noite não consegui dormir. Fiquei deitado, a observar a lua, a imaginar que já eramos um do outro. * Foi no penúltimo dia. A manhã chegou nublada, a ameaçar chuva. Depois do pequeno-almoço, o António e o João meteram-se no carro, e foram à vila visitar um antiquário que por lá havia. Tu e eu fomos para a casa onde os meus avós recebiam, em tempos, as visitas. Essa casinha, metida entre os pessegueiros, a horta dos morangos, e o jardim, foi o meu forte apache, o meu castelo, quando era miúdo. Foi lá que o avô Alexandre me ensinou a descascar pêssegos. Foi lá que o avô Alexandre me ensinou a gostar de música, rodando os seus LP’s num velho gira-discos comprado em segunda mão, em Lourenço Marques, e que para mim era a máquina mais extraordinária que o ser humano tinha criado. Foi lá que o avô Alexandre me ensinou a carregar e a disparar uma pressão de ar, desenhando numa folha de papel um tiro ao alvo que pendurava no tronco de um pessegueiro que ficava à vista da janela. Foi lá, igualmente, que a avó Madalena me vinha servir o chá de limão e mel, e contar histórias de fantasia e dos “antigos”, quando eu apanhava uma gripe de Verão. No interior da casinha, pairava um ligeiro cheiro a mofo. Os móveis estavam exatamente como os havia deixado, no Verão anterior: o sofá encostado à parede do fundo; a mesa de jantar para quinze pessoas a ocupar o centro da divisão; a ampla janela francesa, de estrutura em madeira e vista para o jardim principal, à esquerda da mesa; o minibar onde o avô colecionava licores, à direita da mesa; e o velho gira-discos encostado a um canto, a acumular poeira. Entrámos os dois, tu com o fascínio da descoberta, eu com a vertigem da nostalgia. Pegaste numa velha fotografia que estava em cima da bancada do bar: - És tu? Olhei para a moldura, e vi a foto, ligeiramente amarelecida pela humidade. - Sim, quando era puto. Foi num dia em que os meus avós me levaram à praia de Carcavelos. Como podes ver, o meu avô estava apostado em ensinar-me a construir castelos na areia. Sorris-te, um dos sorrisos mais bonitos que já vi em ti, e disseste: - Eras tão giro… E nisto olhaste para mim. Por momentos, senti que o mundo, de alguma forma, parou. Lembro-me de ouvir os primeiros pingos de chuva a cair do lado de fora, a irem contra o vidro. De repente tornaste-te magnética: senti-me puxado pelos teus olhos, pela tua voz, pelo teu calor. O meu cérebro como que se desligou da razão. Beijei-te. Foi um beijo lento. Enquanto ele acontecia, fui retomando consciência da realidade, e o meu coração disparou. Comecei a recuar devagarinho, à espera de uma reação tua. Estavas ligeiramente ofegante, lembras-te? Estavas ofegante, corada, e os teus olhos não se descolavam dos meus. Pela tua expressão, não percebi se tinha cometido um pecado, ou passado uma bênção. De repente, duvidei de todos os teus olhares que dava como certos, de todos os gestos que tinhas feito. Foi o momento mais aterrador e mais maravilhoso da minha vida, o momento em que, ou estava tudo irremediavelmente perdido, ou tudo ganho. Quando ia começar a falar, não me lembro se para pedir desculpa se para dizer que te amava, devolveste-me o beijo. Devolveste-mo da forma mais intensa e apaixonada possível. Seguraste-me o rosto com ambas as mãos, enlaçaste os braços ao redor do meu pescoço, e assim ficámos um longo momento, que poderia estender-se pela eternidade. Do lado de fora a chuva começou a cair torrencialmente, batendo com força nos vidros. Enquanto o céu desabava sobre a terra, guiaste-me até ao sofá, e nele fizemos amor pela primeira vez. Ao fim da tarde, a chuva passou. Um tímido sol de Verão apareceu de entre as nuvens, e iluminou a divisão que tão bem conhecia desde criança. Observei distraidamente o lustre de cristais falsos dependurado do teto, e lembrei-me de todas as ocasiões e momentos em que tinha sido feliz ali. Dos jantares em família ou com convidados, das horas que ali passei com os meus avós. E agora, meu amor, olhava também para ti, que dormitavas enroscada no meu colo, e que eras um novo motivo de felicidade, um novo capítulo numa história que temi, durante algum tempo, que tivesse chegado ao fim.

  • 00:54

    chamas por mim e o murmúrio da tua felicidade trespassa-me, provoca-me, entra por um ouvido e para onde quer que tenha ido, não sai. bate e rebate contra mim ecoa no meu ser em mim viveu e comigo há de morrer. permanente no espaço e no tempo, torna-se uma das mais vívidas memórias da minha vida. recorrentemente a ela recorro, para em ti voltar a viver. regressar ao teu riso e ao momento em que o enjaulei, acarinhei e cuidei, para que não desabrochasse e da flor, um jardim criasse. ficas tão bem feliz que me fazes em ti questionar o que mais fazes para a paixão suscitar. se quando o meu nome a tua voz diz, quando em ti me posso aconchegar, ou quando te ris sem poder parar. guardo cada momento no meu ser para um dia, ao morrer, ao que fomos poder recorrer, e voltar a reviver aquilo que me leva a escrever. deixar a memória me mover e nela nos rever. ficar apenas a ti a dever o agradecimento de aprender o que muitos ficam pelo querer. já que não há como manter o que uma vida faz crescer e além morte transcender, que seja agora que eu dê a entender o que ando a conter. com muitas palavras a encher chegou a altura de te dizer que só pode este poema corromper o verso que quero enaltecer. nada é tão bonito como te ter, nada é tão bonito como te amar.

  • Escalada Hipodérmica

    Grita por baixo da pele que repercute as tuas ondas vocais. Em ricochete voltam a ti os teus rugidos do alto da montanha em que te encontras. Saberás qual é. Olha para baixo e cai na vertigem em que tropeças por descuido inocente. Sente o volume de ar que ampara e intensifica essa queda correr-te entre os dedos. Aterra no palco em que te imaginaste a solo, desbravando a crueldade de quem te adivinha as fraquezas. Olha para o alto, só para veres de onde vieste e não encontres nada do que conheces, tudo te pareça diferente. Sente a tontura de não te saberes dentro do couro que te cobre o esqueleto. Nada disso é teu Perde o rasto de ti. Procura, não pode estar longe. Afinal, só te deslocaste entre aquilo que eras no cimo daquela montanha e a sombra disso que se estendeu cá em baixo. Sossega por um momento, trazes os ecos do que procuras algures aí dentro. Sossega e acabarás por escutá-los. O silêncio traz-te a folia que tentaste calar, entre gritos, lá em cima. Gritas novamente para que tudo silencie e regressas à montanha que tão bem conheces. Em ricochete voltam a ti os teus uivos do alto desse espaço percorrido. Olhas para baixo e

  • Whole New Mess - Melopeias

    Track 1 - Whole New Mess Melopeia: Estico os meus ossos no chão e o que há de bonito no mundo transpira de mim e abandona-me. "Won't be long now Before it's really showing It's every season where it is I'm going I stretch my bones out on the floor I think I'll really do the change Oh, I'll really do the change Really do the change Back home Gettin' back on track Gettin' back on track When it all fades to black I'll be gettin' back on track Back to my own head Cleared out, 'til the time comes Make a whole new mess again Make a whole new mess again Make a whole new mess Make a whole new mess Make a whole new mess again Make a whole new mess Celebrate the best Take a photo for the press again It won't be long Before it's really showing It's every season where it is I'm going I stretch my bones out on the floor I think I'll really do the change Oh, I'll really do the change Really do the change Back home" Track 2 - Too Easy (Bigger Than Us) Melopeia: Quando olhei para trás, percebi que o Amor não era só meu, usurpá-lo para mim era e sempre será incogitável. O Amor é maior que o meu corpo, maior do que a minha existência, maior que os meus caprichos e desejos, maior que qualquer coisa que possa criar com a minha mente. Colocá-lo numa garrafa e lançá-lo ao mar é mais que inútil, é impossível. Até o Amor tem o seu próprio sistema operante, é um mecanismo biológico antigo, que incorpora um papel social moderno. "Anyway you want to, honey Take me, show me how you want me I believe all that you say I can see it in the way We are walkin' through together It's too easy, almost never One could make me laugh forever I'd do anything for you Oh, I'd do anything for you Some things happen for a reason Cancel all these plans I'm dreaming Living for something that's real You walked in and now I feel I'm not alone, I'm not The real truth of it all is that we haven't lost After the wait, come down I looked around and found something else Something that was I'm not alone, I'm not The real truth of it all is that I haven't lost After the wait, come down I looked around and found something else Something that was Bigger than us Bigger than us" Track 3 - (New Love) Cassette Melopeia: Abraçarei as tuas mentiras, deliciando-me por saber que quando as dizes rodas os anéis de uma mão com a outra. "I'm gonna help you see when you're hard to find Gonna give you strength, give you all my mind Wanna show you my love all the time Wanna hold you close and let you lie Gonna love you True you When you're out of touch and you don't know how Gonna give you my hands, gonna show you now Gonna show you love all of the time Gonna be your breath when you're out of life Love free Take me [Instrumental Break] Love free Take me Love free Take me" Track 4 - (We Are All Mirrors) Melopeia: Quando a música parar, quando já nada dançar em mim, restarei eu e os comigos de mim. Vão deixar de conseguir ler as letras do pacote de açúcar que vem com o café; vão visitar os hotéis lisboetas, onde cada um está instalado; vão dizer olá ao Adamastor e discutir uns com os outros se, de facto, Fernando Pessoa era o S upra-Camões. "I've been watchin' all of my past repeatin' There's no endin', and when I stop pretendin' See you standin', a million moments landin' On your smile, buried alive, I could have Died to stay there, never have to leave there All this trouble tryin' to catch right up with me I keep movin', knowin' someday that I will be Standin', facin', all mirrors are erasin' Losin' beauty, at least at times it knew me At least at times it knew me At least at times it knew me" Track 5 - (Summer Song) Melopeia: Criei um método novo para lidar com a confusão da minha casa, vi na net. Tudo o que desarrumei passei a fechar num armário. Um dia foi uma cadeira, noutro dia uma pestana, a semana passada foi um verniz, na segunda foram os colares, na terça uma caneca com chá, na quarta os discos todos, na quinta a “ Insustentável leveza do ser ”, na sexta atirei para lá o coração e fiz fisgas o fim-de-semana inteiro. "Took a while, but I made it through If I could show you the hell I'd been to Kept climbing 'til one day I looked back Was so high, I couldn't think to land And then one moment I was blown away And there was nothing left that I could say or do Took a while, but I made it through If I could show you the hell I'd been to Lost the light, but then the sun was shining Couldn't hide it and I wasn't trying And all those people I thought knew me well After all that time, they couldn't tell I lost my soul, was just a shell Just a fragment of myself There was nothing left that I could lose Took a while, but I made it through If I could show you the hell I'd been to Was I becoming what I had to be? Was that the truth I was supposed to see? I may have never found my way to you And all those things that I was made to feel It doesn't matter if they're right or real My heart is still splitting in two And all those summer days were like a dream Woke me from a restless sleep Made me quiet, had me weak And all the weight and all the love of all the world Came rushing through" Track 6 - Waving, Smiling Melopeia : “Já encontraste o caminho ou não? O teu sentido de orientação é execrável!” “Ainda não, sê mais paciente, por favor!” “Não tens o Google Maps?” “O Google quê?” “Eu quero desnascer!” “Desnasces quando chegarmos, eu vou buscar o meu mapa!” “Ah sim, claro, vais buscar o mapa físico, chegamos lá em 2025!” “Olha, acho que é para a direita!” “Fantástico, vou pela esquerda!” O Coração, confiante com o seu modelo arcaico de orientação, anda a passos largos pelo caminho da direita, olha para trás e já não avista o Cérebro. "Found me down and, honey, you left me down Turned right around, now baby, I'm rising How could you know wherever a heart should go? You're on your own when you are arriving I've made my bed I've laid out all those tears I've made my bed Made up of all my fears All my fears cried out of those years Cried out of those years Now baby, I'm lying, laid out and smilin' Look out my window, the sun is shining The sun is shining I'm waving, smiling At love forever, alive and dying I'm waving, smiling I'm waving, smiling At love forever, alive and dying The sun is shining The sun is shining" Track 7 - Tonight (Without You) Melopeia : A história da literatura está cheia de poetas tolos, que fizeram odes à beleza das amadas e quase nunca as souberam ler. Nunca as souberam sentir. Nunca souberam fundir-se com elas. Prová-las. A maior parte de nós, não quer ser musa, não quer ser manequim de um artista. Quer ser O artista. I like the air that I breathe I like the thoughts that I think I like the life that I live Without you Without you Without you Without you Like how it's all coming clear All the words that I hear Like how I'm not in fear Without you Without you Without you Without you And it's not because I don't love Just don't have time to explain All the things you think you've come to understand About me About me About me About me" Track 8 - Lark Song Melopeia : “Podemos jogar às escondidas?” “Tu começas a rir quando percebes que estou quase a encontrar o teu esconderijo.” “E tu finges que não ouves o meu riso quando eu percebo que estás quase a encontrar o meu esconderijo” “1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, AQUI VOU EU!” "To forget you is to hide, there's still so much left to recover If only we could start again, pretending we don't know each other I could not come back the same, this city's changed It's not what it was back when you loved me Walking down that path we made when we thought What we had was such a good thing Hiding out inside my head, it's me again, it's no surprise I'm on my own now Every time I turn to you, I see the past It's all that lasts and all I know how Learn to look me in the eyes Yet I still don't feel it's me you're facing Say your heart is always mine, what about old times, you can't erase them Wishing we could only find one another All we've done here is blind one another Hate can't live in this heart here forever Have to learn how to make it together The way you scream like something else as a man The way you scream like something else as a man The way you scream like something else as a man Baby, I was there and I held him, I was there and he put it all on me Baby, I was there and I held him, right there where no one else could see Took me into his arms, told me that I was the reason Told me that I was the woman he'd always be losing, always be dreaming Dream on, dream on, dream on, dream on Dream on, dream on Dream on, dream on, dream on, dream on Dream on, dream on Dream on You say you love every single part What about my dreams? What about the heart? Trouble from the start Trouble with the heart Ah, trouble with the heart" Track 9 - Impasse (Workin’ for the Name) Melopeia : Vivo na minha cabeça e, mesmo assim, tenho problemas com a vizinhança. "Go on, on ahead, tell your friends I was wrong Take it all out on me, I'm too caught up to see Everyone will believe, will believe, will believe Say what you want, what you need, break it down Take what's left, and get out, tell them what it's about You know best, don't you now Don't you now, don't you now Don't you now, don't you now Don't you now, don't you now You think this is what I wanted when I said I'm just livin' in my head I'm just livin' in my I'm just workin' for the name I never lost anyone I never lost anyone I never lost anyone I'm just livin' in my head I'm just livin' in my head I'm just workin' for the name I never lost anyone I never lost anyone" Track 10 - Chance (Forever Love) Melopeia : As eternidades não me exaltam, não me fazem transbordar de sentimento, não te prometo uma, nem quero que me fiques a dever outra. Se tudo isto te extenuar, não continues a dormir no fundo da minha piscina. A água pode começar a transbordar e causamos uma cheia. (Lisboa não está pronta para isto). Abandona-o. Fá-lo suavemente. Como se o estivesses a fazer num dos meus sonhos. E, depois para de correr. Anda. "What is it you think I need? Maybe it's too hard to see I don't want it all I've had enough I don't want it all I've had a love Worst feeling I've ever had is gone It's gone I know how it all comes back, I know too well Now I'm done I'm leaving once again Making my own plans I'm not looking for the answer Or anything that lasts I just want to see some beauty Try and understand If we got to know each other How rare is that? All that space in between where we stand Could be our chance Could be our chance I'm walking through the scenes I'm saying all the lines I wish I could un-see some things that gave me life I wish I could un-know some things that told me so I wish I could believe all that's been promised me It's hard to say forever love Forever's just so far It's hard to say forever love Forever's just so far It's hard to say forever love Forever's just so far Why don't you say you're with me now With all of your heart? With all of your heart? With all of your heart? With all of your heart? With all of your heart?" Track 11 - What It Is (What It Is) Melopeia : “É possível amar sem querer bordar coração com coração, sem querer virar a pele de alguém, sem querer ver cores que nunca vi com os olhos que me deram?” “Claro que sim, Luísa, consegues amar sem estar apaixonada.” "It's easy when you're passionate It's easy when you know your way around It's easy when you love something It's easy if you know exactly how It's easy to openly say Oh, that you could never change your mind That feeling coming over you It would never dare leave you behind It's easy if you tell the truth But knowing what it is, it's not enough Knowing that you love someone Doesn't mean you ever were in love It's never easy to admit That maybe you just want Just to feel something again You just wanted to forget That your heart was full of shit You just wanted to forget You just wanted to forget It's easy when you're passionate It's easy when you know your way around It's easy when you love something It's easy if you know exactly how It's easy if you tell the truth But knowing what it is, it's not enough And knowing that you love someone Doesn't mean you ever were in love"

  • Ser tudo o que quero ser (monólogo)

    Vivo no medo constante de não ser tudo aquilo que devia ser, de não ir onde devia ir, de perder o que não sabia que tinha, de deixar a minha sombra cobrir a face brilhante da lua no meu céu. Diz-me, e tu? Sonhas todos os sonhos do mundo? Ris como se não houvesse nada melhor para rir do que este preciso momento? Diz-me, vives tudo o que tens para viver? Tudo o que alguma vez serei é apenas metade do que sou. Tudo o que te mostro não é tudo o que tenho, mas vai ficar para ti como tal. Tudo o que digo não consegue ter tudo o que penso, mas penso na mesma. Penso por inteiro, sou por metade. Sou, mesmo? Não sei. Meias respostas são tudo o que te dou, porque são metade daquilo que sou. Não me lembro de quem fui. Quem fui hoje, ontem e amanhã. Lembro-me do que tu foste. Lembro me de tudo o que vais ser, da tua luz e do que ficou na sombra de quem eu sou. O dia é teu, mas a noite é para mim. Tu sorris, ris, entras e falas. Eu olho para ti, vejo-te na minha memória e sei que em alguma perspetiva paralela não sou menos do que quem tu dizes ser. Mas esse eu que te falta nunca vai ver o dia nem a luz que tu lhe dás. O dia és tu. És felicidade, alegria contagiante e palavras de ânimo para quem tiver a maior sorte do mundo. A noite sou eu. Os pensamentos que ficaram por ser ditos, os olhos que se encheram de lágrimas sem tu veres, a tristeza de saber que tu podias ser mais do que alguma vez serás e não és, por causa de mim. Para cada face da lua que brilha no céu, há outra que a escuridão ofusca. Diz-me, qual vale mais? Os raios brilhantes da felicidade aparentemente genuína que esquece tudo o resto, esses valem tudo? Não, porque mesmo assim não conseguem ser tudo o que deviam ser. As noites de lua nova dão-me as respostas que tu não és capaz de dar. Dão-me as palavras duras, as certezas que para ti são infelizes probabilidades algures no futuro, a realização constante do quão incompletas somos. Tu por causa de mim e eu por ti. Diz-me, quem é que vale mais? Hipócrita da minha parte pedir-te para responderes ao que não tem resposta. Ou tem? Algures entre as duas faces da lua, perdido talvez na madrugada, no pequeno espaço de tempo em que a escuridão e a luz coexistem, quando tu abandonas sonhos e eu vejo uma luz a escapar do meu coração, quando eu e tu não existimos sozinhas, quando eu te vejo e tu me vês, quando existimos por completo sim, temos resposta. Nada vale mais do que um raio de luz na escuridão ou uma sombra num dia de sol. Às vezes, tudo o que precisamos é de uma luzinha para podermos aproveitar o escuro e as suas maravilhas assustadoras. Outras vezes, num momento de calma e paz, procuramos uma sombra no caos de positividade radiante do sol. Agora que somos só eu e tu, agora que somos nós no mais perfeito equilíbrio, diz-me, porque é que não somos sempre assim? Porque é que temos medo de perder o que não sabíamos que tínhamos quando temos em nós “todos os sonhos do mundo”? Não me deixes arrastar-te para baixo. Promete que dizes o que eu penso também. Promete, por favor, que vamos ser tudo o que queremos ser.

  • (Ser) homem, (estar) Mulher

    Estou cansado de ser homem. Estou farto de não ter pés para esta dança. Nós homens somos filistinos – enchemos salas de estar para ser, e não entendemos as Mulheres que se comprazem e se ficam pelo estar. Nós homens queremos a feminilidade, sonhamos com ela, verdadeiramente. Mas estas mãos estultificadas nunca aprenderam senão a dominar e a esmagar, e por isso queremos a feminilidade – mas para a dominar; para a subjugar. Não suportamos a fatuidade de um espírito livre – mãos ensinadas para agarrar nunca poderão mexer apenas. As Mulheres querem-nos para serem mais; para se divertirem tanto quanto se divertem consigo mesmas – as Mulheres são seres autossuficientes; em bom rigor, não precisam de nós para nada. As Mulheres (e)s(t)ão imperfeitas, (e)s(t)ão detestáveis, (e)s(t)ão teimosas, as Mulheres (e)s(t)ão o (onde) que quiserem, mas (e)s(t)ão. Os homens são apenas homens. O homem é vil. O homem não pode chorar, nem pode sentir, nem pode tocar, nem pode brincar, nem pode ser (estar) como a Mulher. Mas em vez de tentar ser Mulher, o homem tentou com que a Mulher fosse homem. O homem é invejoso. O homem sabe que toda a essência do mundo está contida no ventre de uma Mulher; o homem sabe que ninguém alguma vez poderá definir tão bem o mundo como a silhueta das palavras de uma Mulher. E por isso tentou criar um mundo à sua própria imagem. E dele só pariram esperanças estéreis, guerras fecundas e a constante tentativa de reduzir ao apreensível a incerteza irrepreensível da vida. O grosseiro do homem nunca alguma vez poderá permitir a forma como a Mulher (se) reinventa e (se) reinterpreta ao longo da sua existência; o indelicado do homem nunca alguma vez poderá tolerar a forma como a Mulher se acoita na ambiguidade das palavras e se saracoteia feliz com as entrelinhas e as frases deixadas a meio. O amedrontado do homem nunca alguma vez poderá deixar a Mulher caminhar intrépida nas fronteiras vertiginosas das taxonomias e das classificações estanques e toscamente seguras que ele criou, pois sabe que cada passo dado é um pilar que cai na sua conceção ridiculamente simples do mundo. O impaciente do homem nunca alguma vez poderá aguentar a forma como a mulher não se apressa no fruir do seu porvir; o inoportuno do homem nunca alguma vez compreenderá a mulher que não força nada, por saber que forçar algo é transplantar a semente da (im)possibilidade para o solo árido da previsibilidade. Mas o homem até a ser homem é mau – e em cada peito quente de Mulher ecoa e adormece um murmúrio mavioso da feminilidade. Reverbera um irrecuperável canto. Um incalcinável sussurro, que se eleva e se agiganta; que um dia se tornará irreversível, e que nos seduz – que nos promete um mundo onde é a Mulher a norma, e que por isso não há mais norma. Que nos promete um mundo onde não se trata mais de ser mulher nem homem, mas sim de se ser humano. Um mundo que não vira a cara ao jogo e à dança. Um mundo que se recusou estar submisso à autoridade inquestionável e objetiva das palavras, e que fez delas o que quis. Um mundo feminino – um mundo real (aparente). Para a Mulher nunca será uma questão de ser, mas de estar. E eu estou cansado de ser (homem).

  • Entre portas do jardim secreto

    Em vezes, me pego flutuando e acordo sem ar; meu medo é que o espírito saia do corpo, enquanto pulo em nuvens e mar. Parece-me nítido a vida, ouvindo as mesmas canções, contudo quando espio sorrateiramente, só vejo, em preto e branco, uma chuva de borrões. Creio que vivo dormindo ou morro acordada, não decidi-me ainda, entre uma apneia e outra as coisas ficam muito embaçadas. Se um dia pudesse dirigir, atuar e produzir, invés de nadar em baldes de pipoca, quadrada no sofá, talvez surgiriam mais cores, múltiplas pedras com valores, e não só, com os meus fósseis, em pedras de âmbar. Em vezes, culpo a desassociação, em outras os fazendeiros; me afogo e transbordo na taça da imensidão, e de lá corro vazia, seca e em exaustão. Será que há campos frescos e pés molhados? Quem sabe cheiro limpo amadeirado e um ar gelado? Sou Emília mas quero ser Narizinho, sou Alice mas admiro o Chapeleiro, vivo correndo atrás do coelho e nunca há de chegar; quando uma boneca ganha autoria,como irá se comportar? Por fim, a liberdade assemelha-se com a Maldição, gotinhas de um caldeirão, servida em meia taça, que não nutre a pança escassa. Devo comer o bolo e ganhar altura, devo voltar à casa que me parece tão maçante, devo amar os alarmes, alheia às fugacidades, devo rasgar o passado e perder a ousadia. Riscando a lista de afazeres, o dormir e acordar torna-se fatal, o peito corre sem direção, o campo não passa de fotografias, e resta aqui, somente, Canção de Exílio a o que aqui, residia.

  • é preciso lixar as palavras/como os sapatos gastos.

    é preciso lixar as palavras como os sapatos gastos. há palavras por todo o lado. na carruagem do metro há um grupo a conversar palavras a assombrarem-me coisas que alguém já disse coisas que alguém dirá até coisas que alguém está a pensar palavras palavras palavras que apesar de gastas não findam não têm um ponto final ninguém sabe onde terminaram nem sequer por onde começaram alguém algures algum dia decidiu palavras usar e desde então não se tem parado palavras empregadas por qualquer língua por qualquer parte deste pequeno mundo nas mais diversas ocasiões sobre os mais diversos temas mas há que admitir que todas elas estão cansadas cansadas do mesmo a existência humana não deixa de ser engraçada por nos dar experiências iguais, por nos fazer resentir o que o outro já sentiu por nos dar a sensação falaciosa de que somos únicos de que as nossas sensações são tão somente nossas quando a própria temática de partilhar um mundo admite desde logo que nunca se estará a solo o ser humano não consegue ficar a solo por isso é que as palavras também não conseguem ficar a solo quantas palavras acompanhadas pelas suas parceiras afinal cada tacho tem a sua tampa torna-se impossível pensar num dicionário sem uso com palavras escondidas por entre as suas páginas por entre as suas entrelinhas palavras que nunca tenham sido usadas mas não vou prolongar mais esta urdidura ou continuar a tergiversar afinal talvez vos esteja a admoestar há palavras cansadas de trabalhar vamos respeitar o seu descanso e dar as merecidas férias ao amor, à coisa, ao ok, às emoções e a todas as suas parceiras procuremos palavras novas procuremos temas novos mecanismos novos para expressar o que nos passa e o que nos fica ainda que por mais uso dado há aquelas que nunca perdem a sua beleza mas isso já depende da ótica de cada qual cada um com a sua palavra favorita e cada um com algo novo para adicionar à conversa que ainda se faz ouvir pelo grupo na mesma carruagem que nós vem, participa nela. nenhum ponto final te impede de acrescentar um parágrafo.

  • Isto não foi almoço, foi assalto

    Eu e a minha amiga decidimos ir a este restaurante após uma semana cheia de azares, pensando que, pelo hype todo que havia na internet, a comida seria beijada por Deus. Saí do estabelecimento com vontade de fazer chover fogo na terra. Se querem uma review honesta e sincera é esta...não percam o vosso tempo nem dinheiro...que saí de lá tão pobre que comecei a ponderar vender fotos dos pés, para conseguir recuperar do tiro que este restaurante deu à minha conta bancária. Primeiro, fizemos o nosso pedido todas contentes, a achar que íamos comer bem e não gastar muito porque íamos dividir o prato, só para nos depararmos com a triste noticia que eram vinte pounds por cabeça, no mínimo. Contudo, o homem deu esta informação de forma tão condescendente e seca que eu preferia que me tivesse cuspido na cara e me chamado de burra, já que isso ter-me-ia feito sair daquele sitio do cacete, em vez de ficar a ver a minha carteira emagrecer mais do que eu teria emagrecido, se tivesse feito a receita da Dona diva para cagar 20 kg. O homem nem nos deu tempo para fazer contas à vida, estava a respirar no meu pescoço de um jeito que eu acabei a pedir uma coca-cola...eu nem gosto de coca-cola, cacete. Enquanto esperávamos pelo prato fazíamos rezas para que fosse a melhor comida desta vida e arredores. Quando finalmente chegou...eu quase chorei...na realidade, ri tanto de desespero que pensei que ia rebentar uma veia. A comida não era má, era okay e vinha bem servida, mas não valia o preço que pagámos - um total de 64 euros. Comi melhor comida indiana na esquina da minha casa, se era para ser desiludida preferia ser desiludida no conforto da minha terra natal. Querem um bom restaurante indiano vão a Cascais, Portugal. O Naan é muito melhor e vem com molhos, a butter chiken e a chican tikka masala são as melhores que eu já comi e a menos de metade do preço deste restaurante. Eu paguei 6 euros por arroz branco... na próxima vez, trago-o de casa. Quando a conta chegou, eu nem quis ver...até tentei ir à casa de banho e deixar uma boa cacada de vingança, mas nem isso consegui...saí triste e pobre a repensar nas minhas escolhas da vida. Passei pelas cinco fases de luto naquele restaurante. Não admira a invenção do kamasutra, porque realmente o restaurante fodeu-me de forma criativa. Concluindo, o ambiente é bem agradável, o atendimento é apressado e seco, já fui assaltada com mais simpatia, por fim, a comida deixa muito a desejar. É que eu perdoava tudo...o preço e até o atendimento se a comida fosse o céu que me foi prometido. Se têm respeito pelo dinheiro que vos custa a ganhar não vão e se tem ansiedade social não vão mesmo. Se desejam repensar a vossa vida toda e chorar após a refeição, aconselho, top xuxa. Não vale a pena, nem vale o hype. Isto não foi almoço, foi assalto.

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