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- Debaixo de água
Quero gritar. Quero bracejar. A ansiedade asfixia-me. Os pulmões enchem-se-me de água. Olho em volta: escuridão. Além: um sol cada vez mais distante e distante.. Porque é que me sinto tranquila, se me estou a afogar? Sorvo a água, involuntariamente (ou voluntariamente?), Muda. Inábil. Inerte. Uma confusão de membros paralisados, intenções estáticas e pensamentos aflitos. De repente, os sentidos de uma vida real puxam-me de volta à superfície. Mas, não volto intacta, não. A cada minuto passado no fundo deste oceano de aflição e angústia e mágoa, mais uma parte de mim pretende morrer afogada, procurando descanso e serenidade nas suas águas profundas e azuis.
- rascunho
estuda. tira boas notas. orgulha-nos. não sais da cama, levanta-te. atinge o máximo do teu potencial, procura melhorar-te todos os dias. queres? faz por isso. correu-te mal, estudaste o suficiente? estás focado em tudo menos no importante, nada de isso te traz um emprego. quando é que começas a levar as coisas mais a sério? parece que já não queres saber da faculdade fazes muitas coisas porque queres sentes-te exausto, mas com que legitimidade? precisas de dinheiro? vai trabalhar. estás cansado, ai eu com a tua idade... vá são só 4 horinhas, nada de mais, e não te esqueças das leituras, essas sim vão te ser úteis para o futuro no papel achas-te incrível mas na realidade não és mais que medíocre. porque é que te pensaste especial se não passas de uma pessoa normal? quando chega o dia em que enfrentas a realidade, quando paras de carregar o mundo às costas e ages como as pessoas da tua idade? não interessa o que faças, só não podes ser só mais um já te disse, só sendo o melhor, ou isso ou não és nenhum. já viste como estás, tens de fazer desporto. o treino é a quantos quilómetros? desculpa, que sítio fora de mão. não é normal tomares essa decisão. quando rebenta a bolha da expectativa? para de esperar, começa a viver. tens em ti toda a criatividade do mundo mas nem uma letra consegues escrever. pensas-te incapaz mas só não te permites. vives num mundo de impressões alheias e deixas que te imponham limites. permite-te viver. solta a corda que te prende, deixa-te levar, para de pensar no “que seria” e vê “o que será”. começa a aproveitar o dia e o que ele te traz. para de correr e aproveita a corrida à tua frente. vai a passo lento, de vez em quando, só aproveitando o ar fresco vais acalmar a tua mente. para de sobreviver e constrói a tua vida. não paras de pensar no que vão dizer, mas até lá já eles falaram e tu nada de escrever, até lá já te arderam e ainda não aprendeste a viver. deixa aquela cadeira para trás. trabalha menos horas. senta-te, finalmente, numa esplanada, de cigarro numa mão e livro na outra. quando a ordem perde a sua beleza e se torna rotineira, pesada, prometo que é okay ficar na cama. estamos tão focados na chuva forte e na trovoada feia e barulhenta, que nos esquecemos de agradecer à manta que nos envolve no conforto da tempestade.
- just a second
i don't think i’ve truly felt whole. there were times where the absence was just a echo in the back of my mind muffled by life and laughter and joy and brightness. but somewhere along the way, that piece, so singular and crucial i didn't even recall losing it, became jagged, a deep profound cut that never really closes. it’s just there. open. growing a bit each day, feeding of the darkness that has become a known companion. gnawing at this thing we call a soul. so each day, a tiny piece of me leaves, blowing with the wind to god knows where. and the hole deepens, gets darker, takes up just a little more space, and everyday i feel it growing stronger, feel it slowly expanding as if someday it will swallow me whole. so i swim. i'm always swimming. to stay afloat, to have a chance to live my own life, to survive my own mind. the doubts, the dark, the twisted bad feelings coil inside me, feeding that insatiable monster that consumes everything in me. every laugh, every memory touched by light, every pleasure. and day by day i loose myself. lose this battle i wage in the mirror. and everyday i think of surrending. of waving that white flag and just rest, just stop swimming. it would be so easy, peaceful, a reprieve from an existance of shouldering the world while also being crushed under the weight of it. with each day a new pebble is added to that mountain. and i honestly don't know how much more i can take until my knees buckle. but everyday i remind myself of every person that crosses and marks my life, every action of kindness, every moment i feel that joyful bright feeling, and i have to tell myself it’s worth it because it is. life is meant to be lived, not survived. i have to take a second and repeat that to myself, but it’s that second that saves me everyday.
- Carta de Divulgação do Peer2peer
Caras e caros colegas, É com grande orgulho que vos anunciamos que a próxima edição do Peer2Peer está a chegar e, com ela, uma nova oportunidade de fazer a diferença! O Peer2Peer é um programa de preparação para a entrada no mercado de trabalho, que tem como fim a sensibilização para a inclusão de pessoas portadoras de deficiência no mesmo. Como o fazemos? Através de palestras, workshops, da partilha de testemunhos e até de simulações de entrevistas, que visam capacitar os nossos peers a passarem por um processo de recrutamento de forma bem-sucedida... mas não ficamos por aí! Cada peer terá a ajuda próxima de um estudante universitário (como vocês) que o irá guiar e auxiliar nas tarefas propostas. Este é um projeto que traz benefícios para todos os envolvidos. Por um lado, os beneficiários têm acesso a uma ajuda próxima e mão amiga que os vai acolher e acompanhar nesta jornada e, por outro, os estudantes que participam serão presenteados com uma série de mais valias para o seu futuro, entre elas: Insights sobre o mercado de trabalho Aprender a fazer um CV e uma Carta de Motivação (com especialistas em recursos humanos) Ter contacto com recrutadores Fazer uma simulação de entrevista de trabalho (com acesso a feedback valioso, que poderão aplicar nas vossas entrevistas “a sério”) Desenvolver soft skills (como a empatia, comunicação interpessoal, adaptabilidade, etc.) Tudo isto num ambiente amigável e descontraído, onde podem conhecer pessoas novas e contactar com realidades diferentes. As inscrições abrem dia 10 de fevereiro em formato online, mas podem inscrever-se presencialmente dia 19 de fevereiro, à entrada da faculdade. Até lá, estamos disponíveis para esclarecer todas as vossas dúvidas quando nos encontrarmos aqui na faculdade e/ou através de mensagem privada. Estamos à vossa espera! As Project Managers, Sofia e Raquel Link de inscrição: https://forms.office.com/Pages/ResponsePage.aspx?id=DQSIkWdsW0yxEjajBLZtrQAAAAAAAAAAAAMAAYpWeLVUNzlNQ0dOTVBEQzVIQ1JCOENIUUpMNkQ5SS4u
- Imaginary friend - little silly conversations of a lonely child
-Are you real? Are you still there? I couldn't find him anywhere He used to talk to me when I was alone But lately he never came home -Are you mad? Tell me, what's wrong? I don't wanna stay here, all alone Although everything eventually goes away I've always believed that you would stay -Won't you come anymore? I'm staring at the closed door Wondering if that was all imagination Just a magical hallucination To have you, my only friend My guardian angel, at the end -You let me alone, how? I don't believe magic now At night when I can't fall asleep I feel like I miss you so deep I sit here and remember Our little silly conversations
- A perda do meu eu mais querido
Gostava de nunca te ter conhecido. Cada momento que passo ao teu lado leva um pouco de mim, no início era bonito esse ato de altruísmo que fazia sem pensar duas vezes, mas ao longo do tempo dei tanto de mim que já não me reconheço. Não consigo mais romantizar tudo, já não resta um pingo de ingenuidade. Nunca te consigo deixar por completo e tudo que era meu (ou que era eu) dei-te. Sempre pensei que todas as pessoas que passam na nossa vida deixam um bocadinho de si, mas contigo deixei-me por completo. Deixei aquela miúda que ouvia música aos altos berros todos os dias, a que tinha de ter sempre a última palavra, a que achava que sempre estava certa, a que era uma força tão grande que parecia um furacão e, acima de tudo, aquela que se entregava sem reservas, que se menosprezava para caber nesse espaço tão pequeno e injusto que é o teu coração. O que eu dava para a ter de volta... Para ter aquela certeza de quem era e do que queria ser. Não sei se a levaste contigo, se a mataste ou se ela ainda está aqui, à espera que a salve, que a resgate. Que lhe diga que, mesmo na sua imperfeição, era a minha melhor e mais verdadeira versão. Talvez me tenha entregado demasiado cedo. Talvez tudo que achava que eras e que de certa maneira que eu era, não passava de uma romantização minha. De qualquer modo, sou tua e sempre tua. Mesmo que na minha mente sejas outra pessoa.
- Bla bla bla
Às vezes dou por mim a achar que devia escrever mais. Que me devia debruçar sobre os grandes problemas da humanidade – a guerra, a fome, o amor ou as grandes filosofias que podem dar sentido às nações em decadência. No entanto, e talvez pelo egoísmo que marca toda a gente em maior ou menor medida, não consigo fazê-lo sem parecer que as palavras me saem vazias e que, embora com significâncias eruditas e um conteúdo mais ou menos alinhado ao pensamento da maioria, aquilo não me reflete. A reflexão nos textos não é, necessariamente, sobre a correspondência do seu conteúdo ao pensamento de quem o escreve. Há algo acima disso, uma forma de encadear as palavras, o som a que estas correspondem, a conjugação dos tempos e as ironias e metáforas usadas que os personalizam verdadeiramente. Fazem, então, com que um texto que poderia ter sido escrito por qualquer um, passe verdadeiramente a identificar o próprio autor como uma impressão digital analisada em laboratório. Temo não o conseguir fazer em tópicos tão genéricos. Poderia, eventualmente, escrever num tom artístico e misterioso ou indecifrável, quiçá, àqueles que inocentemente leem os textos e só conseguem interpretar deles uma salganhada de palavras digna de qualquer sopa de letras na página final de um jornal generalista. Mas isto também não me parece bem. Não tenho vocação para vanguardista, nem talento suficiente para fazer orgulhar o Luís de Camões pelo bom uso da língua portuguesa. Neste momento, prefiro falar dos temas inteiramente mundanos e sem importância maior do que o café que bebo a meio da manhã. Quero escrever sobre como é tentar entrar com um pezinho na competição que é o início da vida adulta. Sobre os autocarros infindáveis que têm pautado a minha vida nos últimos dois anos e sobre o facto de ainda não ter comprado mais detergente da loiça. Ou que o meu Código Civil está num estado lastimável e que ainda me faz confusão como é que as pessoas em Lisboa andam sempre com pressa. O típico bla bla bla que talvez me defina mais do que todas as filosofias e literaturas que se juntam amontoadas e a ganhar pó na estante ao meu lado. Quero regressar à escrita e aos textos – à forma como me fazem feliz por serem um escapismo e por me fazerem pensar mais, sem ter a pressão de estar sempre a produzir algo consistente e linear como uma resposta a um caso prático ou um post no LinkedIn . Tal como a própria vida em si mesma, os textos não deviam servir apenas para um propósito lucrativo ou currículo. A verdade é que as palavras salvam, seja a todos externamente ou a cada um internamente, e tentar reduzi-las a ideias banais e grandiosas, ao mais do mesmo; e não à banalidade do sentimento do dia-a-dia e às microquestões que percorrem a alma com intensidade durante cinco minutos faz com que se perca, inútil e fugazmente, um bocadinho o sentido da vida que nos une às letras que se escrevem. O ato de escrever é mais do que o ato comunicativo de passar uma mensagem, escrever é a libertação mais completa que o ser-humano pode ter. É a catarse, onde se grita a quem passa pela nossa impressão longínqua, quem somos verdadeiramente e, em reflexo, quem é quem nos lê. De outra forma não faz sentido. “ There is no other way. and there never was.” (obrigada, Bukowski)
- Adultisse crónica ("Síndrome de Wendy")
Um dos maiores flagelos que assombra a nossa atualidade é a pandemia de um fenómeno que se tem vindo a falar cada vez mais nos últimos séculos: a Adultisse Aguda (também conhecida como “síndrome de Wendy”). Esta "coisa" afeta 10 em cada 10 pessoas e começa a manifestar-se tendencialmente entre os 13 e os 18 anos. Infelizmente, trata-se de algo crónico e o seu tratamento desconhecido! Não, ok… agora a sério: Se há algo que sempre me incomodou sobre a vida é o que nos acontece quando ultrapassamos a ponte (também conhecida como puberdade) que separa (ou une, depende do ponto de vista) a infância da vida adulta. Não sei, este conceito sempre me assustou! Acho que se deve ao facto da travessia desta ponte mudar completamente o nosso âmago, marcar a passagem de uma criança feliz e inocente para um adulto rezingão e triste. É nesta passagem que as cores, outrora tão vivas e brilhantes, passam a tons esbatidos e a puxar cinzentos, os mágicos arco-íris passam a um mero “fenómeno ótico e meteorológico que se forma quando a luz branca solar entra em contacto com as gotas de água na superfície” (tirado de um site de gente crescida), as borboletas, antes fadas camufladas, passam, agora, a meros insetos… Não consigo mesmo entender porque é que, aí a partir dos 13, passamos a ser uma Alice, sim aquela mesmo do País das Maravilhas, que ao invés de escolher acreditar na sorte que teve de ir a festas de chá estapafúrdias com chapeleiros e lebres, de conhecer um gato envolto em charadas, uma senhora com panca em copas e em cortar cabeças e um coelhinho cheio de pressas, escolheu antes acreditar que tudo isto não passou de um mero sonho… Mas porquê? Porque não acreditar no inacreditável, dar corda à imaginação, abraçar o “impossível” e deixar-se cair num universo mágico? Eu achava que com o tempo, o nosso ser ia se aprimorando, mas afinal talvez não, porque o meu eu de 8 anos, por exemplo, sonhava muito melhor que o meu eu de 17! Olhem, hoje olhamos para o mar e as suas ondas com um bocejo, mas em tempos pensámos “Que treta de sorte a minha não ter caído numa lagoa no meio de uma cratera vulcânica em plena noite de lua cheia!” O que mudou? Infelizmente, penso ter a resposta para isso. Tudo isto se prende com o maior sintoma desta síndrome: a perda de magia, ou como os adultos maçadores e aborrecidos gostam de chamar, “inocência”. Mas a grande questão é: Para onde é que a inocência foi? Já procurei em todos os cantos e recantos da minha alma, subi às montanhas mais altas do meu ser, nadei nas marés revoltas da minha essência, até nas entranhas do meu âmago vasculhei! Procurei em mapas, Google, tudo, até GPS tentei E NADA! Sumiu! E o problema é que, sem a inocência, a cada dia que passa vamos nos tornando mais carrancudos, mais chatos (“realistas”, “sérios”, o que lhe queiram chamar), mais maus, vamos lentamente passando de heróis a anti-heróis (alguns até vilões) e o nosso sorriso outrora tão fácil e genuíno foi substituído por uma boca cerrada com fio nylon invisível, onde os cantos só se erguem se a esticarmos e colarmos fita cola nas pontas (pela fita cola muitas vezes ter aquele tom amarelado ou castanho é que chamamos a isto “sorriso amarelo”). Mas não me interpretem mal! Esta reflexão não é de TODO uma ode à síndrome de Peter Pan! É claro que é bom (e essencial) amadurecer, ganhar novas perspetivas, ficarmos grandinhos, porque tornarmos nos adultos é inevitável e imprescindível, e há uma certa beleza nisso, em vermos as marcas de crescimento na parede, as nossas galochas favoritas a ficarem demasiado pequenas, ao invés de dar um golinho na cerveja do/a pai/mãe pedirmos uma cerveja inteira para nós... Mas há necessidade da magia perder-se? Opá se calhar é só diminuir um bocado a dose, em vez de 5 sacos de pó de fada se calhar 2 basta. Haverá necessidade de aniquilar a nossa criança interior e qualquer vestígio seu? Porque não só encolhê-la até ao tamanho de uma formiga para as outras coisas que vamos adquirindo com o tempo caibam na nossa alma também? Ora, é possível caber tudo! E lá está, uma vez mais, toda a gente fala de “Peter losing Wendy” e tal (shout out to Taylor Swift)… mas e “Wendy losing Peter”, não? A grande tristeza é mesmo essa, todos inevitavelmente acabamos por nos tornar uma Wendy! Mas, apesar de ser crónico, haverá maneira de retroceder ou mitigar os efeitos? Sim, normalmente é aconselhado saltar em poças de chuva uma em cada três vezes que chover, soprar um dente-de-leão sempre que possível e fazer macacadas com família e amigos pelos menos uma vez por dia, tudo isto equilibrado com uma dieta não muito restrita de responsabilidades e de coisas de crescidos! Porque, at the end of the day, temos de deixar o adulto que há em nós assumir o controlo, brilhar, prosperar, desabrochar, mas sem nunca deixar de dar um beijinho e aconchegar a nossa criança interior.
- O fim do Ser
Me abstive da palavra, Censurei-a mais que um regime fascista, Mergulhei-me na espera do tremendo (im)possível, sim, irá acontecer! Reprimi-la tornou-se a solução temporária para uma mísera esperança. Ser suficiente—ou sentir-se—é a maior dificuldade do homem humilde que caminha assustado, que pula e anseia a qualquer surpresa, que se reduz, na medida do possível, para agora Ser . Ser o quê afinal? Para quem? O quão paralelo é inegavelmente Sermos Seres insignificantes em busca da supra-significância? Na universidade, no ciclo-social, no hospital, no espelho, no âmago…. Um dos maiores prazeres é a experiência vívida da inevitável insignificância objetiva do Ser . Notamos o alheio, a externalidade do universo particular; quem São estes? O que comem? Acha que possuem angústias? Também falham consecutivamente? Sabem o que é serenidade em um mundo de ratoeiras? Não se sabe, não sei. Será que a todas as respostas no fundo estou a perguntar-me o que não tenho coragem de dizer à luz do dia? O que Sou aos seus olhos? O que és nos meus? O pedaço que falta em mim é reconhecer que nadamos na insignificância objetiva de viver à beira da morte; a vastidão, que nos intimida, que nos conforta, que nos elucida, que nos dá paz na busca da liberdade de só Ser , enquanto há o tempo. Porque raios nunca penso em ir à procura da liberdade? Quantas jaulas crio assim que liberto-me de outra? Deparando-me com a substância do meu Ser , molho minha camisa de lágrimas e questiono-me: o que seria da vida se só fôssemos ?
- Untitled
Can we touch hands? Just for a little while longer—can we? I don’t need you to hold me anywhere else, just my hand. Or maybe not even that—just let your hand linger close to mine, close enough that I can feel you’re still here. Close enough to sense your presence, but far enough to remind me you’re going to leave. How selfish am I, wanting to hold your hand a moment longer after I was the one who broke the hug you gave me? Am I so lost in myself that I can’t let go, even when everyone else is intrusively pulling me away by my other arm? Is it wrong of me to hope you’ll hold on tighter, to feel a spark of joy when you do, even as the tug of the world grows stronger? Is this longing? Or something more cruel—masochism, perhaps? Please, let my hand go, gently, if you must. But promise me, once in a while, reach for it again. Don’t forget the feel of my hand against yours, as I will never forget the roughness of your palm, the warmth of our fingers entwined. I’ll remember every squeeze, every quiet pressure that whispered I love you.
- 15 de novembro
Sempre a tentar relembrar-me o porquê de eu estar a fazer tudo isto. A lembrar-me que ainda falta um ano para acabar e fazer o quê depois, e para quê? Uma realidade tão distinta da que imaginei ter nesta altura. Sensação de que não fiz quase nada e não tenho quase ninguém. Garganta seca, estômago revirado, um frio interior. Se não me disserem nada, não tenho de inventar desculpa para não ir. Se não disserem, por outro lado, é a confirmação do pouco que resta. Ansiedade quase como uma pressa de fazer, tirar o penso rápido e deixar que passe. Se arrancar de uma vez vai doer menos. Não querer falar sobre o assunto, nem falar. Solução abstrata apenas e não seremos somente todos uns pedantes? Semelhantes no modo de falar, maneirismo, expressão, gesto de mãos, tom de voz. Alguém maior que nos influencia ou tentarmos influenciar-nos uns aos outros mutuamente, fazer força para influenciar, fala de mim, alimenta-me o ego e mesmo assim não passa. A sensação de crescer sozinha, sala muito grande para o meu silêncio, na ponta da mesa, popular, mas ninguém pra sentar ao meu lado. Não cobrar nada, não estudar muito, não desviar do estilo, esforço por reagir bem. Podes falar por cima de mim, de mim, dizer que esta opinião não conta, olhar a marca, podes tirar o que quiseres. Deve ser bom ser-se como tu e ter alguém como eu. Jogo de comparação, ser mais simpática (ainda), esticar o cabelo, comer menos. Fazer tudo por tudo e não sobrar quase nada. Não ir e deixar cair no esquecimento ou ser esquecida enquanto aqui estou, apenas a escrever lugares comuns.
- A ti e a todas as coisas que ficaram por dizer
Taormina, Itália, 17 de janeiro de 2025 A ti e a todas as coisas que ficaram por dizer, Acredito que todas as pessoas no mundo já deixaram coisas por dizer. É um sentimento forte, que sobressalta ao de leve o coração e que passeia pela nossa cabeça vários dias, até o tempo as levar e nunca mais nos lembramos delas. Não tivemos coragem no momento certo, então nunca foram ditas (pelo menos, nunca foram ditas ao seu destinatário, porque, mentalmente, foram repetidas milhares de vezes e protagonizaram todos os banhos mais demorados ou momentos de reflexão). Mas porque é que tem de existir um momento certo? Acredito que o mundo seria mais simples se pudéssemos dizer tudo o que ficou por dizer, sempre que desejássemos. Nem era preciso uma resposta, apenas a certeza de que chegavam a quem lhes pertencia. Poderia ser através de uma carta (tal como estou a fazer agora), de uma secção do jornal própria para estas situações ou até pessoalmente, se fosses forte o suficiente. Também, quem sou eu para dizer que o mundo seria mais simples assim... Tenho de te ser sincera. Não estou a ser imparcial, já que tenho muitas coisas que ficaram por dizer. Aliás, o objetivo desta carta é ter a certeza de que as queres ouvir, (neste caso, ler). Eu sei que gostaria de ouvir todas as palavras que me foram roubadas pela (falta de) coragem. Gostava que todos tivessem esta iniciativa, de escrever uma carta a todas as pessoas que nunca foram esquecidas, que nos marcaram, que fazem parte de nós e, que sem tentar e sem querer, nos moldaram na pessoa que somos hoje. Sempre me disseram que não conseguia esquecer estes assuntos, que tinha de ignorar porque, de alguma maneira, era uma proteção do destino. Até pode ser verdade, se calhar há coisas que vão sempre ficar por dizer, mesmo por não estarmos prontos naquele momento para ouvir a resposta. Pena que não consigo acreditar que tal exista. Cheguei a uma conclusão, se calhar é por isso que há tantas palavras que não se chegam a transformar em sons, porque as pessoas acreditam no destino e acham que é assim que tem de ser, em vez de tomarem as rédeas da sua vida e dizerem aquilo que lhes apetece, quando lhes apetece. Deve ser por isso que nunca me chegaste a dizer tudo o que ficou para trás. Aqui te dou a oportunidade para o fazeres e, como já mencionei, peço que me a dês também, porque há muito que te tenho a dizer. Não quero saber como estás, não é esse o objetivo desta carta. Não quero saber o que mudou, o que recebeste no Natal, em que cidade andaste a deambular por aquela noite fria de outubro ou o que ouviste sobre mim. Apenas quero que me dês permissão para te dizer todas as coisas que ficaram por dizer, porque, no final, as palavras que nunca dissemos pesam mais do que as que nos atrevemos a dizer. Eu
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