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  • Coletânea de contradições

    amo a liberdade  sonho ser ditador  quero tudo de bom  sou mau  não estou bem  nunca estive melhor  o que é este mundo?  puta que pariu! estou sozinho neste monte de pessoas não estou nada presente  só penso no passado, no futuro  nunca escrevi, nunca partilhei  nunca é suficiente, nunca vou ser bom  aqui têm! a nudez da invisibilidade  precisava de me libertar  libertem-se também escravidão do universo  escravidão do universo  escravidão universal  escrevo em verso  escrevo como um mero mortal  nunca escrevi  nunca me senti  agora sou livre  agora sou livre amantes da lua  amantes da lua  que estão nesta terra  saturno tem várias luas  eu tenho vários amantes  não posso ser uma terra  este sistema não compreende  saturno é muito bonito  mas eu amo mais a terra  quero ser saturno  tendo amantes da terra a minha mente é um oceano e eu estou a afogar-me  já não me reconheço  nunca me conheci tão bem que bom que é sentir-me vivo  quero morrer doi-me a cabeça  make it stop É o beijo da morte   Lentamente apaga a minha luz  Que triste sorte  Carregar esta cruz  Perdoem-me a sinceridade  Mas a vida é uma efemeridade É o beijo da morte  Um dia fui tão feliz  Agora fiquei sem norte  Apenas com uma cicatriz  No lugar do coração  Terá sido tudo em vão? __________ Que estranho sentimento  Já não considero sofrimento  É só um vazio  Um pôr do sol tardio  Na praia de Carcavelos  Onde estávamos de chinelos  Na água salgada molhámos os pés  E ficámos a ver as marés  Agora já não és praia  Não iremos juntos a Gaia

  • O mau não é ter uma ilusão, o mau é iludir-se

    Se a minha vida for uma compilação de ironias E se o meu futuro já tiver sido todo escrito, O momento em que li esta frase e a decidi pendurar no meu quarto, Foi o inicio de uma grande piada escrita pelo tal Deus todo poderoso.  Nem consigo imaginar o quão difícil terá sido não arruinar a surpresa, Não se rir antes do momento, Não deixar escapar nenhuma dica, E não me influenciar fortemente a escolher outra frase favorita.  Mas finalmente chegou a punchline, Veio de olhos brilhantes, Sorriso reconfortante, E braços bem abertos Ofereceu-me poemas, Fotografias,  Cantorias E conversas íntimas Mas não passava tudo de uma grande mentira  Uma que eu até já conhecia  Mas deixava-me tão entretida  Que me deixei ficar mais um tempo iludida

  • Passion fueled by Duracell batteriess

    They take what they need, and just leave. Ephemerality, in my view, is the quintessential descriptor of our human nature. Immediately, Sylvia Plath's fig tree metaphor springs to mind, where each choice presents itself as a ripe fruit, ready to be plucked, yet we find ourselves paralyzed by indecision, afraid of losing all other possibilities. Opportunities slip away from us like ripe and robust figs at our feet. The once seemingly boundless strength reveals itself to be fleeting, and we are swept away like dry leaves in the wind, deprived of the driving force that once propelled us forward. It’s a passion fueled by Duracell batteries. You unlock the clause that bends behind my body, connecting me to the electric current, infusing me with a transcendent vitality. An invincible intensity, freshly charged, grants us the power to feel infinite. We are drawn into the tunnel of 'The Perks of Being a Wallflower,' where a mantra echoes in our minds : 'I am, I am, I am.'" But you simply take what you need, and leave I wish I wasn't merely another battery that you could discard at your convenience. I remain paralyzed, waiting for you to use me again for a little while, until I am discarded.  Like a candle flickering in the wind, I, a lost sailor in life's dark abyss, catch a glimpse of the alluring and pristine land in the distance, which everyone else treads upon while I remain unable to reach it. Already extinguished, already replaced, at the culmination of my strength's zenith, I am no longer the driving force.

  • Lista de Redatores, Coordenadores e Direção - 2024

    Redatores Do 1º Ano: André Saragoça; Bráulio Mateus; Carolina Cardoso; Carolina Maia; Catarina Rodrigues; Constança Ferreira; Daniela Jesus; Diogo Simões; Eva Gonçalves; Filipe Pedro; Isadora Elias; Ísis Martins; João Coelho; Lara Cândido; Mafalda Carrôlo; Maria Botelho; Maria Veloso; Mariana Cruz; Matilde Santos; Matilde Silva; Matilde Proença; Naima Mendes; Raquel Nunes; Sara Schurmann; Simão Lucas; Tiago Carretas; Tiago Mancha. Do 2º Ano: Beatriz Diogo; Beatriz Franca; Beatriz Rodrigues; Bernardo Pinto; Constança Rito; Eduarda Meneses; Francisco D'Orey; Francisco Jesus; Joana Lima; Joana Moreira; Leonor Baptista; Letícia Mendonça; Maria Ribeiro; Mariana Carvalho; Mateus Rego; Nuno Ferreira; Pilar Passos; Raquel Barros; Riccardo Noronha; Sara Pinto; Simão Costa; Sofia Batista; Sofia Silvério; Taavi Medeiros; Ved Bagoandas. Do 3º Ano: Ana Beatriz Reis; António Subtil; Beatriz Geraldi; Beatriz Pereira; Carolina Correia; Carolina Sacavém; Fábio Pereira; Guilherme Sousa; Hugo Mendes; Inês Costa Graça; Isabel Costa; Luís Lobo; Margarida Raposo; Maria Inês Paredes; Maria Leonor Simão; Rafael Guerra; Rafael Santos; Rita Esteves; Simone Silva; Sofia Dias; Sofia Paulino; Sofia Ribeiro; Tiago Monni; Zulficar Silva. Do 4º Ano: Ana Leonor Leite; Beatriz Mello; Diana Pry; Diogo Simões; Inês Brazão; Matilde Ribeiro; Salomé Lourenço. Externos: Bruno Martins. ​ Coordenadores​ Ana Leonor Leite, Coordenadora do Clube de Leitura; Lara Cândido, Co-coordenadora da Edição Física; Letícia Mendonça, Co-coordenadora das Artes Plásticas; Joana Lima, Coordenadora da Comunicação; Joana Lopes, Co-coordenadora das Artes Plásticas; João Coelho, Co-coordenador do Jornalismo; Maria Botelho, Co-coordenadora do Jornalismo; Maria Castro Ribeiro, Co-coordenadora das Entrevistas; Maria Leonor Baptista, Co-coordenadora das Entrevistas; Mariana Cruz, Co-coordenadora da Edição Física. Direção António Subtil, Diretor; Beatriz Rodrigues, Diretora-Adjunta; Francisco de Jesus, Diretor-Adjunto; Inês Brazão, Diretora-Adjunta.

  • Ata da eleição da Direção de 2024

    No décimo-nono dia do mês de março do ano de dois mil e vinte e quatro, pelas dezoito horas deu-se início, na Sala dos Núcleos e por conferência online na plataforma Zoom, à reunião de eleição da nova Direção do núcleo autónomo de estudantes Jur.nal. Por motivos de incumprimento de quórum, foi realizada uma segunda reunião, meia hora depois. Estiveram fisicamente presentes, os Diretores-Adjuntos demissionários, António Subtil e Francisco de Jesus, a representante da Nova School of Law Students’ Union (e redatora com capacidade de voto), Rita Esteves, e a Vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral, Joana Almeida, bem como a coordenadora Maria Ribeiro, e alguns membros da Redação, Beatriz Mello, Beatriz Rodrigues, Carolina Cardoso, Isabel Costa, Matilde Ribeiro e Simão Costa, e, online, a Diretora demissionária Sofia Dias, a coordenadora Maria Leonor Baptista, bem como vários membros da Redação, Beatriz Diogo, João Coelho, Sofia Silvério, e Raquel Barros. Havia apenas uma lista candidata, doravante designada por Lista nº1. A Lista nº1 era composta por António Subtil (Diretor), Beatriz Rodrigues, Francisco de Jesus e Inês Brazão (Diretores-Adjuntos). Posto isto, procedeu-se ao ato de eleição. Cumprindo o disposto no n.º 1, do artigo 34.º dos estatutos do Jur.nal, tiveram capacidade de voto todos aqueles que, até à data, estavam há pelo menos um semestre no núcleo, tendo-se também considerado que os membros da Direção demissionária tinham capacidade de voto, de acordo com o n.º 3 do mesmo artigo. Assim, tiveram legitimidade eleitoral todos os presentes, à exceção da representante da MAG, Joana Almeida. Recorreu-se à plataforma Strawpoll para realizar a eleição, tendo-se garantido o anonimato do voto, com as seguintes opções: Lista nº1, Nulo e Branco. Os resultados foram os seguintes: Lista nº1:16 Nulo: 0 Branco: 0 Sendo a Lista nº1 eleita com 16 votos a favor, 0 votos nulos e 0 votos em branco. Nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a reunião pelas dezoito horas e trinta e cinco minutos, da qual se lavrou a presente ata, ficando a nova Direção em gestão até que aquela seja lida e aprovada em Assembleia Geral dos Estudantes da NOVA School of Law. António Jorge Carvalho Subtil 19 de março de 2024, Lisboa

  • Programa Eleitoral da Direção de 2024

    Nos termos do artigo 35.º dos Estatutos do Jur.nal, apresentamos a seguinte candidatura à Direção do Jur.nal, núcleo autónomo da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa: a) Identificação dos Candidatos: Candidatam-se à Direção do Jur.nal os seguintes alunos da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, apontando que, de acordo com o artigo 35.º dos Estatutos do Jur.nal, não detêm cargo diretivo da AEFDUNL ou de um núcleo autónomo da Universidade Nova de Lisboa ou AEFDUNL, com a exceção dos candidatos n.º 1, 3 e 4, que detêm o cargo de Diretores-Adjuntos na Direção cessante do Jur.nal, não se revelando qualquer incompatibilidade: 1 - António Jorge Carvalho Subtil, N.º 8622, do 3.º ano da Licenciatura 2 - Beatriz Marques Rodrigues, N.º 9270, do 2º ano da Licenciatura 3 - Francisco de Jesus, N.º 9264, do 2.º ano da Licenciatura 4 - Inês Teixeira Matos da Cunha Brazão, N.º 7953, do 4.º ano da Licenciatura A Direção candidata autovincula-se ao exercício das competências dispostas no artigo 13.º dos Estatutos do Jur.nal e ao respeito pelos princípios enunciados no artigo 3.º dos mesmos Estatutos. b) Plano de Repartição de Funções entre a Direção: Nos termos do artigo 10.º dos Estatutos do Jur.nal, a Direção deste núcleo é composta por um Diretor/a e três Diretores-Adjuntos/as. Planeamos a seguinte repartição de funções: Diretor – António Jorge Carvalho Subtil, N.º 8622, do 3.º ano da Licenciatura, assumindo as competências enunciadas no artigo 14.º dos Estatutos do Jur.nal, mais especificamente, dedicando-se à elaboração e gestão do Orçamento, à orientação do rumo do Jur.nal e método de trabalho do mesmo; Diretora-Adjunta – Beatriz Marques Rodrigues, N.º 9270, do 2.º ano da Licenciatura assumindo as competências enunciadas no artigo 15.º dos Estatutos do Jur.nal, cabendo-lhe, mais especificamente, orientar as Coordenações, previstas no artigo 18.º dos mesmos Estatutos; Diretor-Adjunto – Francisco de Jesus, N.º 9264, do 2.º ano da Licenciatura, assumindo as competências enunciadas no artigo 15.º dos Estatutos do Jur.nal, salientando-se a importância que terá a nível das Relações-Públicas, Eventos e Redes Sociais; Diretora-Adjunta – Inês Brazão, N.º 7953, do 4.º ano da Licenciatura, assumindo as competências enunciadas no artigo 15.º dos Estatutos do Jur.nal, auxiliando a organização burocrática do Jur.nal, como por exemplo: compilando textos para futura publicação, dispondo de outros documentos administrativos e especializando-se em Entrevistas. As ompetências de Proofreading e planeamento da Edição Física/ das Edições Físicas serão assumidas por todos os membros da Direção. c) Plano Geral para o Jur.nal: Considerando as competências da Direção expressas no artigo 13.º do Jur.nal, a Direção candidata apresenta os seguintes traços gerais: ✔ Manutenção da periodicidade das publicações, no site e conta oficiais do Jur.nal; ✔ Desenvolvimento de sondagens no Instagram do Jur.nal e nos grupos de turma/ano sobre temas relevantes para a sociedade, que serão posteriormente publicadas; ✔ Desenvolvimento de, pelo menos, 1 (uma) entrevista por semestre; ✔ Desenvolvimento de, pelo menos, 1 (um) evento por semestre; ✔ Continuação do trabalho realizado no Clube de Leitura, em constante partilha de ideias com a respetiva Coordenação do mesmo; ✔ Avaliação da possibilidade de publicação de Edição Física, de acordo com as capacidades do núcleo; ✔ Publicitar as eleições do Conselho Fiscal e da Mesa de Assembleia Geral de 2024/2025, consultando os possíveis candidatos; ✔ Publicitação ativa do Jur.nal nas redes sociais e no campus; ✔ Continuação do desenvolvimento de campanhas de sensibilização, relativamente ao tema da Saúde Mental dos estudantes e restante Comunidade Académica e do Reforço do Poder Estudantil, dando a conhecer os principais órgãos institucionais da Universidade Nova de Lisboa e respetivas funções; ✔ Como qualquer meio de comunicação social, continuar a exigir mais e melhor de quem está acima, com rubricas como o ‘Mais uma da Nova Escola da Lei’ ou outras que possam surgir. Fazer com que as críticas que surjam cheguem aos órgãos competentes; ✔ Promoção de eventos a título individual, em colaboração com outros núcleos da faculdade, ou até interfaculdades, de preferência de modo presencial, de forma a fomentar o convívio e a partilha; ✔ Continuar a acompanhar de perto os eventos da Faculdade e externos de muita relevância (ex. eventos do CNED), para que a Comunidade Académica esteja sempre atualizada e informada; ✔ Continuação da realização de Visitas de Núcleo, para fomentar o espírito de comunidade do Jur.nal; ✔ Continuação de projetos de podcast; ✔ Realização de atividades lúdicas, como workshops de escrita e celebração de datas notáveis, como o 25 (vinte e cinco) de abril, e o Mês do Orgulho; ✔ Realização de um Concurso de Escrita. Enquanto Direção candidata comprometemo-nos a zelar pelo cumprimento dos traços gerais acima definidos, não excluindo a possibilidade de delinear novos objetivos, tendo sempre em conta o disposto nos Estatutos do Jur.nal. d) Plano para as Edições Físicas: Como sabemos, nos termos do disposto no artigo 4.º dos Estatutos do Jur.nal, a Direção candidata está comprometida ao desenvolvimento de publicações físicas periódicas. No entanto, dado as circunstâncias extraordinárias destas eleições, que implica uma disrupção significativa do trabalho do núcleo, a presente lista não pode em boa fé comprometer-se piamente à publicação da Edição Física. Será discutida a capacidade do núcleo para desenvolver esse projeto, que só poderá ser publicado, em princípio, no primeiro semestre do ano letivo de 2024/25. Se viável, esta Edição Física será elaborada com base em vários temas a ser discutidos entre todos os membros do Jur.nal, e será composta por: ✔ Textos elaborados pelos redatores e/ou eventuais colaboradores, em qualquer formato; ✔ Imagens e/ou ilustrações; ✔ Ficha Técnica e Agradecimentos; ✔ Outros; A elaboração das Edições Físicas é da competência principal da Direção, com o auxílio da Coordenação da Edição Física, sendo aquela responsável por todas as questões orçamentais e de impressão, não excluindo o contributo dos redatores, coordenadores e colaboradores para o conteúdo material da mesma. e) Plano para a Componente Online: Nos termos do disposto no artigo 4.º dos Estatutos do Jur.nal, a Direção compromete-se a fomentar a presença online do Jur.nal, através de: ✔ Publicações nas redes sociais e no site oficial do Jur.nal; ✔ Continuação das Rubricas “Trocado por Miúdos”, “Dicionário”; “Melopeias”; “Mãos Flanantes”; “Mais uma da Nova Escola da Lei”; “Lembro-me que..”; “Sonhos de Menino” e criação de novas rubricas; ✔ Interação com os leitores online, de modo a obter feedback construtivo; ✔ Desenvolvimento de sondagens no Instagram do Jur.nal e nos grupos de turma/ano sobre temas relevantes; ✔ Transmissão de diretos nas redes sociais, de forma a difundir os eventos realizados; As presentes iniciativas não excluem a posterior definição de outros objetivos e/ou adoção de novas ideias. Declaração Final: Em primeiro lugar, gostaríamos de expressar o nosso profundo agradecimento à Sofia pelo seu trabalho enquanto Diretora, e antes disso, enquanto Diretora-Adjunta. Merece o respeito e admiração por parte de todo o núcleo e demais Comunidade Académica pelo ano e meio em que foi o coração deste Jur.nal que nos é a tantos tão querido. Estendemos este agradecimento às Coordenações por todo o trabalho e empenho com que ajudaram a expandir e a dinamizar este mandato, e à Redação por todas as suas formidáveis contribuições. Esperamos que depositem a nossa fé em nós e continuem a fazer do Jur.nal o refúgio do direito que nos é a todos. Sabemos que as circunstâncias extraordinárias destas eleições serão tomadas com surpresa por muitos, e talvez, agoiros. Faremos todos os possíveis para que esta transição seja o mais subtil possível, e retomemos o normal funcionamento deste núcleo assim que assumamos funções. António Subtil, Beatriz Rodrigues, Francisco de Jesus e Inês Brazão. Lisboa, 13 de março de 2024

  • Tabuleiro de xadrez

    A vida dela desenrola-se num tabuleiro de xadrez, em que nenhum dos lados joga a seu favor. É como se entre as peças pretas e brancas ela fosse um cinzento, uma mistura dos dois, tornando-se simultaneamente invisível e incontestável. Ela é só um peão, uma mísera peça no jogo da sua existência. Mas será mesmo sua? Sendo um peão, ela não passa de um objeto, algo necessário para que os jogadores cheguem realmente ao seu objetivo. Então até que ponto é que esta existência é realmente sua? Ou poder-se-á dizer que esta existência, este peão que não joga realmente a favor nem contra ninguém, não passa de algo, um meio, para que os outros atinjam o fim desejado? Mas o jogo continua com ela no meio. Entre manipulação e mentiras, sorrisos e subornos, ela continua a sua vida, como se não se encontrasse sempre no meio a fazer de diplomata, de psicóloga, de peça de xadrez, a duas pessoas que nunca ouvem e nunca irão ouvir. As suas palavras e os seus atos são distorcidos para favorecer qualquer um dos lados. Os seus esforços transformam-se repetidamente em armas de arremesso prontas a ser usadas contra o inimigo. E ela vai perdendo a esperança, já se perdeu tanto nesta luta tumultuosa. Ambos os lados parecem indiferentes às vítimas desta guerra que parece infindável. Não há sinais do final deste jogo e ela, a peça cinzenta, continua no centro do tabuleiro, a ser usada por quem mais beneficia. E o jogo, este jogo triste, angustiante, torna-se eterno, condenando o peão a uma vida lastimável de altos e baixos, e de infinitas guerras, todas passadas num tabuleiro de xadrez.

  • My favorite electromagnetic spectrum

    My hand is insanely shaking,  While the darkest light in our World is being held by it.  Although I can feel the light´s hallucinating Beautiful energy, just like a flower, - that can break, angelically, with wind -  This light is fracturable, and it is, each second, Nearer to its abyss.  After feeling my hand extremely sore,  I fell into a lake of sudden numbness, And now I can´t feel my hand anymore. However, a wave of warmth cornered me,  So tightly, that I could fall asleep  In the sheets of unconsciousness. Despite its strength and darkness, This light makes me dream. It makes Me want to live in its perfect dark World, where the light is speechless,  And still, in a smooth harmony,  Leads me my destiny. Finally, my hand stopped shaking, And the light levitated me, effortlessly.  Now I see all so clearly.

  • A chama

    Por detrás de um olhar Cai uma gota à flor da minha pele, Toca-me de leve no braço que é chama, Iluminado por meus olhos, E ao deitar-me olho as estrelas com igual brilho e talvez valor. Mas porque será, Que quando algo me olha, Liberta a sua verdadeira essência, A verdadeira chama que há em si.  Liberta pensamentos inesperados, O que sente e não sente, Estarão à espera de algo mais de mim?  Resta sempre algo, alguma dúvida sobre sei lá o quê.   Continuei a olhar, A apreciar o brilho do céu, A admirar o quê? Talvez a minha verdadeira chama, a minha verdadeira essência.

  • Lembro-me que... Animus III

    Saramago Lembro-me de sentir, talvez demasiado. Há vários dias que me sentia assim, apesar de o Animus ter começado a ser preparado muitos meses antes, aquela semana pré-festival pediu tudo de nós – sangue, suor e lágrimas, diriam alguns – as noites curtas, o tempo contado, muita coisa que fazer e ainda atuações para ensaiar. Quando sexta-feira chegou só conseguia pensar em tudo o que tinha de fazer, os horários que tinha de cumprir e como tinha de atuar. O dia passou e depressa chegou a noite, já estava exausta e sentia que nem sequer ia conseguir abrir a boca para cantar. À medida que o tempo avançava sentia-me cada vez menos real, tinha-me tornado um produto dos meus pensamentos e emoções, estava desconectada da realidade e dos outros. Nem sequer me lembro de entrar em palco, tudo parecia surreal, a ansiedade e o cansaço tomavam conta de mim. No entanto, lembro-me do momento exato em que olhei para as pessoas à minha volta, mais do que colegas, os meus companheiros e amigos que me acompanham em todos os momentos. Lembro-me de cada sorriso trocado, a felicidade e nervosismo enchiam a nossa tuna, o véu de cansaço e responsabilidade era levantado durante um breve momento, o trabalho e horas que investimos eram convertidos em orgulho, satisfação, alívio, amor e diversão. Finalmente saí de dentro da minha cabeça, de repente tudo desaparecia: éramos só nós, a nossa música e o agora. Olhava para eles, cantava, sentia a melodia, o meu corpo vibrava e os meus pés dançavam ao som da música. Observava o público, cada um dos presentes que tinha dispensado tempo do seu dia para ouvir a música, cada cara conhecida era como uma parte da família que aqui tinha encontrado. Mais do que um festival, o Animus foi como um reencontro pessoal e simultaneamente de uma grande família. Lembrámo-nos que ser desta tuna é mais do que aparenta, é investirmos o nosso tempo e trabalho nesta família tão especial, duvidar de tudo por vezes, mas atuar sempre, mostrar o fruto do nosso trabalho e divertimo-nos a fazê-lo. Lembramo-nos qual a força motriz que impulsiona este grupo: os laços únicos que criamos e música que criamos juntos. No Animus lembrei-me que não somos da Juristuna, somos Juristuna . Matilde Ribeiro Lembro-me que antes de começarmos, a minha cabeça estava na plateia. Não nos pais e mães, e rostos familiares, não nas palmas ou nos olhares críticos, nem sequer na pressão de não falhar - mas em mim.  Na plateia vi o "eu" que, há dois ANIMUS atrás viu esta tuna e que sentiu uma dor tão grande de não fazer parte, uma nostalgia tão grande do que não tinha vivido que a levou a... ali.  E lembro-me de a música começar, e de aproveitar. Cada palavra, cada piadinha, cada sorriso da Maria Leonor na outra ponta da formação a tocar o Filho de Lisboa, cada nota partilhada com a Salomé pelo canto do olho e... e lembro-me que me diverti, mesmo sabendo que tanta coisa pudesse ter corrido melhor, mesmo sentindo o peso da responsabilidade de apresentar algo bonito, mesmo sabendo que este é (foi) o meu último ANIMUS.  Lembro-me que fiz por me lembrar, porque há momentos que merecem toda a nossa atenção e dedicação. Bebi todas as palavras, decorei todos os movimentos, vi os olhos de cada um - em vão, claro, que metade dessa memória já se foi. Mas o resto que fica permitir-me-á sempre dizer, com grande carinho, "Lembro-me que, no III ANIMUS"... Maria Leonor Baptista Lembro-me de ver uma das minhas melhores amigas a solar o Filho de Lisboa, a cantar baixinho “A capa está aos ombros” e lembro-me de naquele momento tomar consciência da passagem do tempo, que vou a mais de meio do meu segundo ano, que experienciei dois festivais da minha tuna, tomei consciência da minha própria capa aos ombros e da beleza daqueles palavras cantadas. Lembro-me de ter receio de um dia a tuna ser apenas um ponto pequeno de passagem na minha vida, mas depois lembro-me também de pensar que a memória não ia permitir que isso acontecesse. Que fui feliz ali, com aquelas pessoas e com aqueles acordes de guitarra. Beatriz Franca lembro me de... estar sentada no meio do palco, muito antes das atuações começarem, a falar de tudo e de nada com pessoas que tornam lisboa casa lembro me de... estar deitada no chão da reitoria com um sentimento de missão cumprida quando vi a decoração que deu tanto trabalho a pintar as suas paredes brancas Carolina Correia Lembro-me de abraçar a Ana e chorar com ela, mas acima de tudo lembro-me de nos abraçarmos aos saltinhos por ela finalmente ser minha madrinha.  Lembro-me de sorrir para a Mel a meio da atuação e ela me sorrir de volta (como sempre).   Lembro-me de ter saudades da Luana, do outro lado da formação.  Lembro-me de dar um abraço à Bibi e lhe dizer que estava a fazer um bom trabalho.  Lembro-me de cantar ajoelhada ao lado da minha afilhada.  Lembro-me de colar tapetes no chão com mais umas quantas pessoas (vocês sim, soldados), e lembro-me da simpatia inacreditável dos senhores do som.   Lembro-me de ver as nuvens e o cartaz a caírem da parede cerca de 1627472 vezes antes de finalmente atinarmos com eles.  Lembro-me de correr para abraçar o meu pai no final e lhe dar os parabéns.  Lembro-me de me rir muitas vezes com os ataques de fúria do Kiko, e lembro-me de sentir que a minha família ficaria em excelentes mãos com a Ana Sofia (mestre a sentar pessoas, ela).  Lembro-me de olhar para a Isabel e dizer “ainda bem que estás aqui, sem ti não conseguia”.  Lembro-me de pensar “para o ano estou do outro lado a assistir” e de sorrir (depois de deitar uma lagrimazinha ou outra)… Maria Leonor Simão Lembro-me de estar numa sala pequenina com uma das minhas melhores amigas e de chorar abraçada a ela. Eram lágrimas de tristeza e de felicidade e de tudo o que se pode sentir, misturadas  com poucas palavras que íamos deixando as paredes e o tempo roubar. Nunca algo tinha sido tão claro para mim: os momentos mais tristes iriam ter sempre uma centelha de felicidade; e os momentos mais felizes iriam ser sempre, inevitavelmente, um bocadinho tristes também. Beatriz Geraldi Lembro-me de estar na plateia a ver as tunas. Fiquei impressionada com algumas das atuações, as vozes ribombantes, os instrumentos melodiosos, os estandartes magníficos e as pandeiretas coordenadas. Mas do que me lembro com mais brilho e esplendor é de ver o meu Orey focado e grandioso na percussão, do solo acolhedor da Bibi e da Guida a entrar em palco envolta nas suas bandeiras. O estandarte mais belo e gracioso que eu alguma vez vi. Depois perante o anúncio que o São paio tinha patrocinado o festival o meu Antônio Costa gritou "Patrocinou com o quê? Veio cá soltar as moscas?" E eu parti o coco a rir. Estas são as minhas memórias do festival. Francisco Jesus bem… há partes do III Animus que não me lembro… mas vou fazer um esforço. estes dois dias assinalaram as minhas pazes com a tuna. não direi mais que a odeio, porque apesar de terem havido momentos mais tensos, este fim de semana e esta tuna proporcionou-me tanta diversão, tanto riso, tanto bonding. tive a oportunidade de conhecer tanta gente querida e talentosa. tive a oportunidade de ver atuar as minhas amigas e amigos incríveis.  tive a oportunidade de fazer amigos e de conhecer betos artistas da parede. tive a oportunidade de fazer a sesta da minha vida. obrigado juristuna. fizeste-me encontrar a beleza no mundo das tunas. <3 António Subtil Lembro-me de uma moça de tutu esbarrar comigo no meio da festa e gritar “OLÁ, SOU A JÉSSICA, FOMOS COLEGAS NO 5º ANO!”, e de eu dizer “fomos?” Ela tinha o brilho nos olhos que vem ao de cima quando uma boa pessoa bebe bem, e as dentuças dançavam num sorriso contagiante. “ESTOU EM PINTURA NO 2º ANO”, “estou em direito!” “WOW FICO FELIZ POR TI”, “eu… eu fico feliz por existires. precisamos de mais pintores.”  “LEMBRO-ME DE SERES UM MIÚDO MUITO TÍMIDO E PENSAR QUE QUERIA SER TUA AMIGA MAS TINHA MEDO PORQUE PARECIAS MUITO FECHADO!” Bem, levou 10 anos, mas eu e a Jéssica tornamo-nos amigos.

  • From another timeline

    Time after time we met and locked eyes. Locking eyes quickly turned into locking hands, a thumb softly grazing turned into a hug which I could not escape from. Hugs turned into a habit (if I didn’t get one from you, I would disintegrate). A habit turned into a kiss on the cheek and little casual conversation. You opened up a whole new world, and oh, how fantastic it was! It was alluring and hypnotizing to the point of unnatural submission, or blindness. If only I’d known. Everyone described you like the biggest taboo. Talking about you as “he who must not be named”. Like the child I was, I didn’t understand why they kept you locked out of their lives, so I threw myself in the dungeons with you. You said you talked to wolves and mystical creatures. Like spirits imprisoned. Metaphorically of course, because it’s naturally impossible to hear voices…right? You said those animalistic howls were misunderstood. They caused you trouble which you could not control, and in the end, you took the blame. I believed everything you said. Those voices in your head would not stop me from feeling your touch whenever we met. The spirits said you and I were meant to be. Will you love me forever? Time after time we met and little casual conversation turned into dependency. I truly believed you cared about teaching me the ins and outs of this world. Because of you, I realized it’s vastness, and because of you, I realized it’s perversion. I couldn’t be without you anymore. Your promises were real, you were real. My guide and once my guardian angel. Will you love me forever? This dependency led to your dark room, and me in your lap. The soft light of the TV reflecting on your glasses and glistening lips covered in spit. Like all of the previous meetings, we laughed, talked as if we’d known each other for ages. The pills on your nightstand were all too familiar, you said they calmed you down. But this time, the kiss on the cheek did not lead to more careless conversation. Instead, I was greeted with your mouth on my neck. I found it odd, what was I supposed to do? I knew all too well what this would lead to. Mom said I should be studying or talking to the kids my age. I’m too young, I thought. It’s an act of love. Your hands were cold, not an ounce of love could be felt, but how could I know what a loving touch felt like? This had to be it. So, I let you sink your teeth and mark my body with blazing hands, like metal in the fire. Between the dancing lines of uneasiness, I delivered my trust to you. For a moment I believed us to be equals, with you falling on your knees in prayer and sinking your fingers straight into my bleeding heart. Will you love me forever? Tell me the pretty lies only you can tell. How could I be so stupid? From then on, I couldn’t imagine a life you weren’t a part of. How could I do this to myself? You promised a future, you said you would show me what true love and devotion is. Isn’t true love what you showed me? Incessant calls and texts of worry. Where I was, who I talked to, who I’m with. It means you care! Making plans you knew never had a chance of coming true...Yet you deceived me and like an omnipresent godlike figure haunting the thread of my routine. Everything I did was thinking of you, what you would like me to do, to wear, to eat, what I would tell you the next time we were together, what I would do to you and ask you to show me more of. I longed and prayed for you. My innocence raped and life put on hold. It was only the next time we met which truly revealed how far your feelings for me really went. In the mind of a child, it was pure, with genuine care and chances of becoming something more. But when someone is given a bite, you have to be careful so they don’t consume the whole. You did in fact look at me and talked to me like someday you’d eat me alive, and if the blur in my mind had kept going, I would have let you do so. You deserved it, you made me feel like I was whole again, in a twisted and cutting way. Will you love me forever? I got a phone call. It was about you. The police were at your door. You had forgotten the medicine in your nightstand. Your mother’s face was bruised and your dad had already been taken away to the hospital. Apparently, they found out about us and didn’t like what you did. They asked about your words, and the way you touched me. I said it couldn’t be, you loved me, we were in love, we had a future together! All those times you got mad at me for talking to someone else or placing disbelief in the plans we made. Those pictures you sent of me seen from afar which made me feel so safe knowing you were there watching during every hour, the times you threatened anyone who placed themselves as an obstacle to your possession of me, including those times you threatened my parents. It was all for love. All you did was for love; they just didn’t understand. This dystopia was ours; it was our small nuclear waste site to live on and screw the rest of the world. You would love me forever. For months after you were taken away, I could still feel you in the shadows, except this time you weren’t looking after me; you wanted me dead for what they did to you. You didn’t wish me anymore, there was no desire in your eyes like there had been previously, only anger and emptiness. Had it really ever been this way? What everyone said seemed impossible, I refused to believe you could ever hurt someone; but it happened. So go ahead, tell me all you want about emotion and how the wolves in your head told you to do it and how age is just a number, I will not fall. I never saw your face again. The true reach of your manipulation only became clear to me years after the events. Remembering you felt so painful I decided to erase every part of you from my phone, my mind. I couldn’t bear to think of what you had done. Today I can barely recall the color of your eyes, the way your smile looked, or your scars and how you got them. The only thing left are the remnants of confusion and unresolved questions which pose themselves as more and more needy of answers as the years go by. It will only go away when I remember the color of your eyes again, or when I see you laid to rest in the old foggy cemetery. You loved me forever.

  • Comparação

    Pensava ser melhor. Não necessariamente num jogo de invejas e ilusões, mas numa comparação obtusa das partes. Em que é ela contra si própria, numa espécie de neblina, em que sente estar a lutar contra algo, que na verdade não é nada mais do que o seu próprio ego. Ego ferido e cansado, por uma série de infortúnios a que a si própria se sujeita. Tenta dizer que vai ser diferente, que vai ser menos dura consigo própria, que não vai bater naquela mesma porta que sabe que não se abrirá jamais, mas o que diz é em vão. São bons demais para quererem estar à sua volta, bonitas o suficiente para que ela se sinta menosprezada, sociáveis demais para que ela sinta ser acessório ou um mero engano que a abordem, que queiram conversar consigo. É particular esta dúvida sobre o interesse em si. Sobre se será genuíno ou bem intencionado. Porque se a vissem como ela se vê, quando está sozinha consigo própria, não iriam querer vê-la, de todo, não poderiam querer. A dúvida paira como uma nuvem e cega-a. Desorienta os seus movimentos. Vai ser a amiga engraçada, que fala menos, que veste um tom mais escuro e que apanha o cabelo discretamente. Não era a primeira a ser abordada, nem a mais alta, nem a mais loira. Não podia ser a protagonista, pelas medidas da sua cintura. É mais uma batalha, não vencida. Porque a protagonista não é de todas as personagens. E o controlo da sua vida há muito que não lhe pertence. Não sem uns quantos comprimidos para dormir, e uns dias em que a dormência não lhe permite levantar-se para comer, ou para se vestir. Acha que se perdeu, mas as pessoas à sua volta não notam, parece confortável naquele barulho interrupto, cujo tema não lhe diz respeito… afinal quem é que está realmente a prestar-lhe atenção? O som do seu nome saído de uma boca não familiar soa vazio. Ele não poderia saber da sua existência. Pior, será que saberá da sua infelicidade? Será que ouve os passos dela no corredor e percebe as pequenas respirações aceleradas quando sai à pressa para que não tenham tempo de a abordar? Será que já notou quando ela tentou falar e desistiu da frase? Da frase que desistiu por não ser importante ou por ter medo, simplesmente, de que fosse importante e que os outros olhassem para ela, nem que fosse por um breve momento. De qualquer modo, não a poderiam ver. Pelos olhos dela, nunca o quereriam fazer.

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