A eutanásia
- Sísifo Martins
- 1 day ago
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Há uma máquina,
Uma máquina que apita constantemente,
Que bate constantemente,
Que vibra constantemente,
E que não sente constantemente,
E depois há outra máquina,
Que não apita constantemente,
Que não bate constantemente,
Que não vibra constantemente,
Que sente constantemente,
A primeira pode apitar, bater, não sentir,
Não carrega uma pedra, a pedra.
A segunda não pode apitar,
Não pode bater,
Não pode vibrar,
Mas pode sentir,
Tem a sorte de poder carregar uma pedra, a pedra
Mas sorte de uns, azar de outros.
Eu sou a máquina,
Mas a máquina errada,
Eu não apito, não bato, não vibro.
Sinto.
Sinto e carrego.
Sinto e carrego uma pedra.
Sinto e carrego a pedra.
Sorte de uns, azar de outros.
Se eu pudesse desligar a minha máquina,
Deixar de sentir,
Deixar a pedra rebolar,
Poderia apitar constantemente,
Poderia bater constantemente,
Poderia vibrar constantemente.
Eu posso,
Só preciso de desligar a máquina,
a minha máquina.
Deixar a minha pedra rebolar,
A pedra que nunca foi minha,
Mas poder e querer são coisas diferentes...
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