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A eutanásia

Mar 19
1 min read

Há uma máquina,

Uma máquina que apita constantemente, 

Que bate constantemente,

Que vibra constantemente, 

E que não sente constantemente, 


E depois há outra máquina,

Que não apita constantemente, 

Que não bate constantemente, 

Que não vibra constantemente, 

Que sente constantemente, 


A primeira pode apitar, bater, não sentir,

Não carrega uma pedra, a pedra.

A segunda não pode apitar, 

Não pode bater, 

Não pode vibrar,

Mas pode sentir,

Tem a sorte de poder carregar uma pedra, a pedra


Mas sorte de uns, azar de outros.

Eu sou a máquina,

Mas a máquina errada,

Eu não apito, não bato, não vibro.

Sinto.

Sinto e carrego.

Sinto e carrego uma pedra.

Sinto e carrego a pedra.


Sorte de uns, azar de outros.

Se eu pudesse desligar a minha máquina,

Deixar de sentir,

Deixar a pedra rebolar,

Poderia apitar constantemente,

Poderia bater constantemente,

Poderia vibrar constantemente. 


Eu posso,

Só preciso de desligar a máquina, 

a minha máquina.

Deixar a minha pedra rebolar,

A pedra que nunca foi minha,

Mas poder e querer são coisas diferentes...

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