Pode Deus entrar em Campolide?
Ligar Deus a uma faculdade pública nunca pareceu tão errado. Ligar o presente e futuro da Humanidade, lugar do saber e do constante progresso, a faculdade, e uma ideia tão antiquada como ultrapassada, desligada da razão, a Fé. Mas, afinal, a faculdade é o quê? Ou, melhor, estes anos passados a estudar servem para quê? Certamente vêm-nos à memória os altos princípios que nos motivaram a entrar neste curso. Poderíamos pensar na justiça à defesa dos mais vulneráveis, por exemplo, ou, então, quatro anos como mera etapa prévia a entrar num grande escritório e a um largo salário. A nossa sede de justiça e outros valores, certamente dignos, são reveladores de uma sede ainda maior, a sede da Veritas, a fonte de todos os outros princípios dignos. O Homem é, por natureza, sedento de Verdade. Assim, haverá terreno mais fértil para a busca da Verdade do que o lugar do saber por excelência, a faculdade? Porém, não tomemos a Verdade como um conceito distante e subjetivo. A Verdade objetiva e perene não é uma mera doutrina ou filosofia que vamos alternando consoante as conveniências da busca da felicidade imediata. Esta Verdade concretiza-se numa pessoa: Jesus Cristo. Aquele que diz “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Assim, quando o fim último da nossa vida se encontra nesta Verdade, todas as nossas ações passam a ter sentido, quer seja um momento de grande alegria com amigos quer seja uma hora de estudo mais entediante. Esta Verdade vivifica-nos e serve de princípio e fim de toda a nossa ação.
Associada a esta ideia, surge diversas vezes a palavra felicidade. O Homem procura-a de todas as formas, desde sempre. Procura a sua realização no sucesso, no prazer e na fama. Há, no entanto, um ponto em comum entre todas estas formas de procura de felicidade: a sua finitude. Todas elas são efémeras. Por outras palavras, somos seres destinados a voltar ao pó e procuramos a felicidade naquilo que também está destinado a desaparecer. Será este o verdadeiro caminho? Uma felicidade que, por muito grande que seja, é sempre finita e temporária? O ser humano não se pode contentar com tão pouco, com tanta fugacidade. É chamado a muito mais. Deste modo, a plenitude da felicidade não pode estar em algo que desaparece, apenas se encontra no eterno, na Verdade… em Deus.
«Fizestes-nos para Vós e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Vós» Santo Agostinho, em Confissões, I, 1, 1
Voltando à pergunta inicial: Deus está e sempre esteve em Campolide, apenas precisa de um local em que os universitários O possam encontrar. Assim, nasce o Núcleo de Estudantes Católicos, ainda que informal, da faculdade de Direito e da IMS. Um projeto que não vem do nada, mas sim como continuidade da Missão País, projeto universitário que, em 2026, em Portugal, moveu 4300 estudantes de 43 instituições.
O NEC não vem transformar a faculdade numa igreja. Tem, antes, como princípio basilar a liberdade de consciência de toda a comunidade universitária (art.º 41, CRP). Um local que não viverá para dentro, mas manterá constantemente as portas abertas, tendo como foco a oração, a caridade, a formação e a criação de uma verdadeira comunidade. Sobretudo, que o estudante católico que entra em Campolide possa viver a faculdade de forma completa, que o “católico” possa continuar na sua génese e não apenas como adjetivo. Mas também procuramos que aquele que não acredita também encontre no NEC um espaço de diálogo, de procura da Verdade e de ajuda fraterna.
É neste espírito que o NEC vem anunciar a Missa inaugural dia 21, às 18 horas, na Igreja Paroquial de Santo António de Campolide, seguindo-se um jantar na paróquia.
Forms inscrição jantar: https://forms.gle/RNTLQwZM2n6NA3aq8
Grupo: https://chat.whatsapp.com/GFziQNwGgtg2XveEEpIqOy?s=cl&p=i&ilr=4&iam=0 Instagram: https://www.instagram.com/nec_fdunl/
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