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Sempre esteve para acabar

Sempre esteve para acabar,

e bem nos avisaram,

mas em nada mudou o meu olhar

ao sentir a saudade antecipada


desde o dia em que não quis regressar,

à noite em que vos abracei:

foi nos nossos rostos, desalmada,

que a minha alma mirei


agora, vejo, com o negrilho,

que todos os gritos, suores e birras

(tudo o que desejei com o tempo passar)

foram senão uma pedra no trilho

que tenho por caminhar


agradeço ao frio, ao cansaço e à frustração

por me terem construído com razão


guardo o calor da vossa presença

e espero cumprir a minha sentença

de o passar à próxima geração


Feliz a mirarei novamente,

dentro deste tecido de carvão,

e perante o vermelho valente

vos entregarei o meu coração

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