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Uma a Carta Sussurrada por Erato

Amor, que ridículo é escrever-te uma carta quando tudo o que te quero dizer, digo com um olhar. Basta um olhar, e fico completamente indefesa, paralisada e até enfeitiçada nos teus olhos profundos e hipnotizantes.


Ah, como descrever o que sinto quando estou perto de ti? Teria de pedir os versos de Camões, a prosa de Eça e a intensidade de Florbela para talvez chegar ao ápice do que percorre na minha mente ao te ver. Estou completamente enamorada por ti. Adoro descascar as pequenas (e imensas) camadas de ti, sabendo que todas essas cicatrizes e segredos são só teus. Mostra-me o teu lado mais sombrio, e eu serei o teu Sol, logo eu, que sou sempre a Lua, mas por ti, meu amor, irradio tudo à nossa volta e garanto que nunca te faltará luz no caminho.


Não estás sozinho.

Estou aqui.

Descansa um pouco.

Deita-te no meu colo enquanto brinco com o teu cabelo.

Beijo-te a face e limpo-te as lágrimas.

Não tens de carregar esse peso sozinho.

Mesmo que fosses Sísifo, todos os dias carregaria essa pedra contigo.

Imploraria, como Orpheu, para ir ao submundo te trazer de volta.

Por ti, seria tão imprudente quanto Ícaro e traçava o meu destino numa ardente bola de fogo, tentando desesperadamente te tocar.

Seria a tua Penélope e esperaria anos, sem ter a certeza de nada, por ti, meu Odisseu.


Já não me sentia assim há tanto tempo… Tenho medo, por favor, não me magoes. Não aguento mais desilusões, quero o meu porto seguro. Podes ser tu? Eu sinto-me tão segura nos teus braços, e a cura das minhas insónias é o teu cheiro na minha almofada.


Nunca escrevi uma carta de amor. Até tu chegares e trazeres Erato contigo. Transformas tudo em amor. Cada palavra que profiro transborda da inspiração que emanas. Vem mais perto, sê a razão do meu escrever, o alento da minha mente e o estímulo da minha arte.

Talvez sejamos uma história de amor para a eternidade, dando cor à amoreira como Píramo e Tisbe, e eu escreva sobre nós como Camilo escreveu sobre Mafalda e Afonso.


Perdoa-me, sou intensa, mas é que eu amo com tanta profundidade, só quero mergulhar na tua essência e ver do que é feita a tua alma. É demasiado cedo, eu sei, mas quero-te perto, quero que me escolhas conscientemente. Se tu me quiseres, ofereço-me de corpo e alma, pois não sei outra maneira de amar.

Porém, se tudo isto for demasiado, se eu for demasiado, não te vou culpar, meu amor. Irei, como o meu último ato de paixão, deixar-te ir.


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