A Lesmamorfose
Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, o Dr. Gregório Sansão, advogado, viu-se na sua cama, metamorfoseado numa lesma burra, abjeta e indolente.
Incapaz de fazer um som, arriscar um movimento ou conter a sua cascata de baba, Gregório tornou-se num mistério mudo e aflitivo para a sua família desesperada. As paredes e teto do quarto encontravam-se forradas de manchas de secreções e restos de comida. Aqui e ali, buracos nas paredes cavados brutalmente à cabeçada. Livros mastigados e ainda empapados com vestígios de saliva e baba. Até o corpo viscoso de Gregório dava sinais de ter sido vitimado pela sua própria boca: entre os dentes podres e estilhaçados que lhe restavam, mirrados na transição para a sua nova condição de lesma, viam-se restos de lixo, sangue, papel e gosma. E fragmentos enferrujados de um relógio que a lesma claramente tentara devorar e regurgitara.
Para os detetives, a investigação foi sofrida. Só a grande custo se conseguiu reconstituir minimamente o processo pelo qual um advogado de escritório de elite se tinha metamorfoseado em lesma.
A chave foi o diário de Gregório. A cada página, o diário surgia mais destituído de pensamento crítico, empatia, domínio da língua e, por fim, de qualquer rasgo de vida inteligente. Cada vez mais ilegível, borrado com respingos de baba e semi-mastigado. As últimas páginas limitavam-se a desenhos imbecilmente pintados com ranho e à repetição cada vez mais grotesca e garrafal das palavras “tasse bem”.
Depois disso, o indecifrável deu lugar ao silêncio pastoso. Depois de as mãos terem afundado sob a sua própria baba de lesma, Gregório ficara impossibilitado de documentar o próprio declínio físico, intelectual e moral. Apesar de muitas lacunas permaneceram explicar, o que se conhece da sua história pode recontar-se assim.
Gregório sofria sob a angústia das dificuldades da vida. O trabalho dava trabalho. O stress deixava-o stressado. Sentia-se desafiado na vida porque a vida insistia em impingir-lhe desafios. Era profundamente injusto.
Numa noite de trovoada, fugiu de casa para o campo. Chegado a uma encruzilhada lamacenta, ajoelhou-se e clamou: “Liberta-me do tormento de ter de lutar contra desafios que não saiba já superar!”
Gregório sentiu uma mão no ombro. Era o Doutor Fausto, engravatado. “Gregório, farás comigo um pacto. Toma este relógio. É o relógio das respostas. Sempre que tiveres uma dificuldade na vida, como um prazo, um exame, ou uma qualquer decisão cansativa, roda um ponteiro. O relógio dar-te-á a resposta. Só terás uma condição. Por cada vez que usares o relógio, ficarás mais imbecil.”
Gregório pensou e aceitou, porque parecia um ótimo negócio.
No dia seguinte, entrou confiante no escritório e sentou-se à secretária. Que maçada: 54 emails por responder. Em vários, era-lhe pedido que resolvesse uma série de problemas jurídicos ligados a regimes que desconhecia. Precisaria de um dia inteiro só para conseguir encontrar respostas que satisfizessem as necessidades dos clientes. Fechou os olhos. Rodou os ponteiros do relógio. E os emails surgiram respondidos, mesmo com as respostas aos problemas jurídicos que teriam exigido tempo e esforço sob grande pressão. Saiu mais cedo do escritório, aliviado por ter escapado a uma dificuldade.
Gregório não se esquecera da contrapartida do pacto com o Doutor Fausto. O relógio das respostas era para ser usado criteriosamente e com parcimónia.
Não obstante, ao acordar no dia seguinte, viu uma enchente de mensagens a perguntar-lhe onde estava, pois que a reunião com o cliente já tinha começado. Gregório tinha-se esquecido totalmente. Ainda por cima, era ele o responsável por preparar a petição inicial, cujo prazo terminava apenas dias depois. Ligou aos sócios e ao cliente. Apresentou, embaraçado, as suas sinceras desculpas e prometeu que, apesar deste precalço, faria uma peça proçessual de qualidade memorável.
Dito e feito. Ainda com as mãos a tremer da ansiedade que lhe causara a trapalhada, Gregório girou os ponteiros do relógio. As palavras fluíram e rodopiaram nas frases que brotavam no documento em branco. Belas e elegantes como flores de laranjeira nos riachos; poderosas e imparáveis como torrentes de lava. Eram como pautas cantadas em uníssono por um coro de mestres da retórica e da dogmática, bordadas com o branco da toga aristotélica e o preto do traje de professor. Eram como artilharia argumentativa a descascar uma frágil paliçada.
Uma peça memorável, que levou à vitória instantânea do cliente e à admiração universal por Gregório. Agora, todas as amarras da sua consciência estavam soltas. Burro seria não usar o poder do relógio, que lhe trazia tudo de que precisava. Burros eram os outros por não terem pedido o seu próprio relógio ao Doutor Fausto não lhe pediram relógio.
Gregório passou a usar o relógio sempre que se confrontava com um dezafio. Persuadiu clientes, juízes, amigos, namoradas e, finalmente, noiva. Não precisou de ler mais livros de direito ou jursiprudencia porque o relógio lhe sossurrava tudo. As angústias da vida, as grandes e as pequenas, foram ficando mais pequeninas até se tornarem apenas na distancia entre os ponteiros e os dedos de Gregório. Os dedos que encaichavam muito bem na mão, agora que Gregório reparava nisso, os dedos começavam a ficar sujos de escreções nazais e cuspo. Dedos rimava com morsegos.
Na cosinha, Gergório paçou a pôr no forno da cozinha as coisas boas: as batatas e os ovos. Á sobremesa, ele gostava de mostrar a ele mesmo que ele devorava livros porque era super inteliteligente pois o relógio não era tirava o prazer de ler, livros e comia farto.
No timbilding do escritório, Gregório ganho a corrida. Na corrida a sócio, esmago os seus concurrentes na equipa. Era super rápido estilo vrum vrum!!!!!!!!!
Mas aconteceu uma sena esquisita já tava mais dficil esccrever pó escritório e puxava bem pela mona pa dar pensamento o relógio sempe dava umá judinha a dar pensamr e trabalhar para o escritório agora éra sócio. Mas agora o agora tinha uzado do ralogio pa XEGAR A FRENTE DOS OUTROSSSS os outros colegas burros que não tinham relogio e perdiam tempo a pençar são burros por isso não chegam a frentee.
Agora sim o Gógó é lesma: não tinha coluna vertebral e era lesma porque tinha paçado da indulensiaa á imbecilidade e á cobadía e áaa dezonestidade porque era dezonesto desleal competir com usôrtos que não tinhão relógio pa XEGAR Á FRENTE!!!!
O comer skçlçmmlk já tá feito uuuufffffaaa ajnt ssa mas tasse bem. Ningãe tenhaver nada haver com omeu resetlógio óia comprãe eles o RRELOGIO DELES agora: é assim comprem o relógio deles kkkkkkkkkkk!!!!!!!!! taaaassse bem não é o Gógó que fasso as regars. Kkkkkkkk tanho comixão nas coxtas os dentes ajudam fazem nnhanhanhanha sucorro agora sou eu que nanbhanhaas kkkkk o rlógio ajuda: “o q FAZER quando daicho d me tentar soprar????- rloogio asjuda IÁ IÁ IA IA kk dd tasse bem kkkkkkkk tasse bem tace bem qew m tassebm em tas msad kpi1 0248ds dsfnk fs c24444444444444444444444422222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222222
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