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Alzheimer

perco o raciocínio das coisas

muitas vezes nem eu me entendo

peço que me oiças

talvez assim não percamos tempo


quero ser recordada

como a roupa lembra a costura

que com o passar do tempo perdeu

que com o uso a linha enfraqueceu


quero ser recordada

como o gosto do açúcar ácido

traz o gosto da infância e de cada doce

tido e consumido fosse a que tempo fosse


quero ser recordada

como a areia relembra o mar

por mais ondas que este possa dar

do sítio ao qual deve sempre voltar


quero ser recordada

como cada uma das cicatrizes

lembra cada uma das quedas

e dos momentos mais infelizes


quero ser recordada

não por dever

não por “ter de ser”

mas por o que o amor tecer


quero ser recordada

enquanto viva

por aqueles que vida me dão

e vida comigo compartilham


quero ser recordada

como aquela que te pediu para ser acarinhada

por mais que saiba que pouco ou nada

deixo para ser sequer pensada


 
 
 

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