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Navegador

28 minutes ago
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Talvez do meu sangue faz parte

navegar rumo a nenhum lado. 

Sozinho, vento é música, sal é arte.

Procuro um paraíso onde seja amado.


As nuvens escurecem e questiono

se não é tudo uma caça aos gambuzinos.

Se a mítica Ilha dos Amores existe, ou se imaginei no sono.

Se nada mais é, sereias que cantam artificiais hinos.


Sentado na proa o corpo ensopado,

o trovão estronda, anuncia o naufrágio.

E do fundo do mar Adamastor malvado

sussurra na minha mente um falso presságio.


A tempestade parte, mas o dano ficou.

A nau à deriva amaina as velas.

O vagalhão conheço, a tormenta muito me tirou,

O que me petrifica são as desconhecidas coisas belas.


Então prendo-me ao manto do hábito desconfortável,

desisto de grandiosos sonhos e de cantigas de amor,

espero o próximo temporal como fado inevitável,

e começo o eterno matrimónio com o príncipe da dor.


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